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Ser alfabetizado em dados é uma habilidade necessária

Empresas devem investir em alfabetização de dados

Embora o uso e alfabetização de dados seja uma realidade no mercado empresarial, muitos desafios estratégicos ainda precisam ser superados para que os negócios utilizem isso a seu favor.

Ter quantidades cada vez maiores de informações disponíveis não significa, em muitos casos, que os colaboradores, e até mesmo dirigentes, consigam ler e entender aquilo que está sendo transmitido. 

Os dados são um fonte extraordinária para alimentar a cultura de inovação e crescimento de qualquer empresa.

Alfabetização de dados é mais que uma soft skill

Com um imenso volume de dados coletados diariamente pelas empresas, contar com funcionários capazes de interpretar essas informações de maneira eficiente e extrair bons insights é cada vez mais indispensável para o sucesso de uma organização.

Assim, é preciso que todos nesse ambiente estejam alinhados com o senso de propriedade de dados — os envolvidos devem ser capacitados para falar esse “idioma”. Esse é o caminho para que a inteligência das informações seja aproveitada ao máximo.

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Para chegar nesse nível de desenvolvimento, a alfabetização de dados é essencial. Isso significa fornecer meios para que os colaboradores absorvam as competências elementares de ler, entender, criar e comunicar dados como informação.

Nesse contexto, realizar cursos, fóruns com especialistas, além de treinamentos dos funcionários para o uso de ferramentas que potencializam a ciência de dados, é fundamental para que a empresa consiga acompanhar o progresso tecnológico e utilizar tais recursos de maneira acertada.

Uma revelação alarmante sobre o tema foi divulgada pelo Censuswide. De acordo com a pesquisa, boa parte dos empresários ainda não dominam a área — apenas 24% se consideram alfabetizados em dados, sendo que 92% acreditam ser uma habilidade crucial para os colaboradores.

O problema é que não tem como pensar em revolução de dados sem que os líderes do negócio estejam, pelo menos, no mesmo nível de conhecimento. Se a diretoria não se sente confortável e segura para a utilizar os dados no processo de tomada de decisões, por exemplo, como ela vai conseguir inspirar os seus liderados para seguir a metodologia?

Logo, a peça-chave para obter resultados positivos na implementação de uma cultura organizacional de dados é incluir todas as pessoas e setores na estratégia.

Desmistificar e democratizar o acesso às informações, quebrar as barreiras do conhecimento técnico, estimular a troca de experiências e aprendizado contínuo são aspectos cruciais para manter a competitividade da empresa.

Empresas que não entendem seus dados perdem dinheiro

O fortalecimento gerado pela alfabetização de dados vai muito além da estruturação de processos eficientes ou da construção de um ambiente interno mais harmônico — ela também otimiza o seu resultado financeiro.

Isso porque a inclusão digital e a automatização de processos contribui para uma rotina menos estressante. As pessoas passam a compreender melhor a importância das tecnologias para sua rotina de trabalho e, consequentemente, estão mais abertas aos projetos que utilizam dados.

De acordo com o relatório global conjunto — O impacto humano da alfabetização de dados — da empresa de consultoria e serviços profissionais Accenture e fornecedor de análises Qlik, “os funcionários que se identificam como alfabetizados em dados têm pelo menos 50% mais chances de dizer que se acham capacitados para tomar melhores decisões e se sentem confiantes para isso”.

Na Austrália, 41% dos funcionários acreditam que o treinamento em alfabetização de dados os tornariam mais produtivos.

Obviamente, esse tipo de mudança não acontece de um dia para o outro, mas se todos conseguem se adaptar bem à nova cultura, as equipes naturalmente se tornam mais produtivas e diligentes no exercício de suas funções.

A esse respeito, vejamos algumas informações divulgadas no site Enterprise Talk, em março de 2020:

  • 94% dos profissionais que trabalham diretamente com a análise de dados acreditam que eles tornam seu trabalho mais fácil e rápido;
  • 82% das pessoas alfabetizadas em dados consideram que os dados dão mais credibilidade ao seu trabalho;
  • 78% dos funcionários estão dispostos a investir mais tempo e energia no aprimoramento das suas habilidades com os dados. 

Sua empresa precisa implementar a alfabetização de dados

A tecnologia trouxe tantas mudanças nos últimos anos que, hoje, é difícil imaginar uma empresa sem qualquer tipo de processo automatizado. Na verdade, os empreendedores vivem nesse momento o desenrolar da Quarta Revolução Industrial.

É possível identificar uma forma totalmente diferente de gerir e fazer negócios. Por isso, muitos gestores ainda se sentem inseguros sobre qual o caminho ideal para superar as expectativas do mercado. A boa notícia é que as ferramentas para entender tudo e se posicionar da maneira mais acertada já existem. Entretanto, é preciso cautela, pois, sozinhas, elas não fazem milagres.

Os dados agora informam todos os tipos de áreas do mundo empresarial moderno. Com o bom uso, eles levam às melhores tomadas de decisão e negócios mais lucrativos. No entanto, é importante ter em mente que a competência do profissional para manusear as ferramentas não é sinônimo de que ele seja alfabetizado em dados. 

Além disso, por mais avançadas que sejam suas habilidades estatísticas ou a proficiência com as tecnologias de captura de dados, eles não produzirão informações valiosas se a pessoa que os utiliza não tem experiência em domínio ou contexto empresarial. 

Isso significa que a alfabetização existe no equilíbrio entre dados, ferramentas, habilidades e conhecimentos individuais. Se um desses pilares estão prejudicados, os resultados práticos também ficarão abaixo do esperado.

Portanto, essa alfabetização deve ser interpretada como uma habilidade crucial para todos os membros de uma organização. Não necessariamente cada uma de suas peças precisa ser um cientista de dados qualificado. 

No entanto, contar com um conhecimento técnico satisfatório pode evitar vários problemas como:

  • não reconhecer os truques e manipulações lançados pelas pessoas ao visualizar os dados;
  • dificuldade na valoração daquilo que foi coletado e identificação de correlações significativas;
  • não questionar o significado real das palavras que representam insights de dados;
  • não conseguir lidar com a complexidade dos dados que são usados ​​em textos, entre outros.

Para que as empresas implementem com sucesso iniciativas de transformação digital, o primeiro passo é se concentrar na construção de uma cultura de alfabetização de dados e que ela englobe todos os seu setores. 

Somente capacitando os profissionais de dados nos diferentes níveis da empresa, independentemente da atuação técnica, é que será possível melhorar seu conhecimento analítico e aumentar sua expertise no assunto.

Contudo, tornar isso realidade, na maioria das vezes, não é um processo simples. De acordo com um estudo da NewVantage Partners, em 2019, 92,5% dos entrevistados culparam pessoas ou processos pela incapacidade de adotar uma abordagem orientada a dados para seus negócios.

Uma empresa pode empurrar sua companhia para esse processo de alfabetização, tornando os dados críticos em todas as áreas de negócios, procurando lacunas para encontrar o seu ponto de partida, concentrando-se tanto nos fornecedores como nos usuários. 

Essa alfabetização deve ser um esforço de todas as gerações

Um movimento interessante que percebemos no mercado corporativo atual é a tendência dos profissionais estenderem o tempo de duração da sua carreira. Em virtude disso, os gestores devem estar preparados não apenas para lidar com um time heterogêneo, mas principalmente fazer com que ele funcione bem.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, a convivência entre pessoas de diferentes gerações pode ser muito enriquecedora. No que diz respeito às tecnologias, por exemplo, os mais jovens certamente vão dar suporte a quem está menos habituado com tais recursos.

Por outro lado, quem já passou por diversas transformações, altos e baixos ao longo das últimas décadas também tem várias experiências a repassar aos mais novos. O ideal é que as habilidades complementares sejam revertidas em competitividade e fortalecimento das estratégias do negócio.

Nesse cenário, toda criatividade é bem-vinda para superação de desafios entre as gerações — eventos, discussões , atividades em grupo —, ações que incentivem a troca de conhecimento são excelentes alternativas para uma alfabetização de dados bem-sucedida.

Com o início da indústria 4.0, as empresas com maiores chances de obter sucesso na próxima década serão aquelas capazes de alinhar suas forças de trabalho com as melhores práticas de gerenciamento de dados. De nada adianta investir nos softwares mais modernos, se quem vai operá-los não está preparado para aproveitar todo seu potencial ou, ainda, que apenas o setor de TI esteja bem treinado.

Com um grupo diversificado, as análises em torno de um projeto trazem diferentes perspectivas sobre o seu resultado prático. A abordagem e os insights para solucionar qualquer questão são mais ricos quando todos trabalham em sintonia.

Diante de um mercado extremamente competitivo, a alfabetização de dados é um pré-requisito para que as empresas se coloquem em posição de vantagem perante a concorrência. Com informações de qualidade em mãos, as decisões diárias de um negócio contam com o respaldo de argumentos bem fundamentados.

Empresas com níveis mais baixos de conhecimento de dados na força de trabalho podem estar não somente em desvantagem competitiva, mas ter a sua sobrevivência comprometida. Contudo, parceiros são a chave para lidar com esse obstáculo.

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