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As empresas estão com o ambiente casual demais?

Ambiente casual está se tornando um problema para as empresas?

A tendência do ambiente casual no trabalho ganhou muita força nas três últimas décadas e afetou códigos de conduta, determinações de vestimentas e até o ambiente do escritório em todos os setores do mercado.

Embora a flexibilização de comportamento seja muito positiva em qualquer negócio, é preciso ter equilíbrio para que isso não acabe se tornando um problema.

Nem todo profissional se sente à vontade quando o ambiente é muito casual, e as companhias começam a sentir a necessidade de encontrar o balanço perfeito entre formalidade e descontração para cultivar inovação no negócio.

Ambientes casuais fazem sucesso há um bom tempo

A ideia de um ambiente de trabalho casual já existe há muito tempo: foi popularizada ainda nos anos 1990 pelas empresas tecnológicas do Vale do Silício.

Marcas como Google, Microsoft e Apple na época contestavam o “corporativismo de terno e gravata” tão presente na década anterior e demonstraram na prática que a liberdade de expressão e flexibilidade de trabalho na verdade beneficiam a produtividade do profissional.

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Alguns dos pontos mais replicados dessa filosofia estão na flexibilização de vestimenta e do horário, além da inclusão de elementos de entretenimento e esporte no escritório para aumentar o bem-estar das pessoas dentro da empresa.

Até mesmo setores empresariais que exigem mais formalidade ou uniformização conseguiram adaptar a ideia a suas rotinas. Um exemplo muito popular é a Casual Friday — quando o código de conduta permite que profissionais se vistam de forma mais despojada às sextas-feiras.

Essa casualidade, no entanto, pode se estender hoje para muito além de roupas e decoração. Até mesmo a relação mais informal entre colaboradores e gestores na comunicação e no trabalho quebra noções antigas de separação hierárquica rígida. Estão todos trabalhando pelo mesmo objetivo, sem paredes entre eles.

Mas nem todos amam um ambiente casual

Como acontece com toda tendência, sempre existe uma afobação em gestores para aderir levando em conta exemplos diferentes do seu, sem atentar às particularidades do próprio negócio.

A verdade é que, por mais que a ideia seja positiva para o bem-estar, a saúde e a produtividade de colaboradores, existem diversos perfis de profissional que reagem de formas diferentes ao nível de casualidade que é introduzido no ambiente de trabalho.

Uma pesquisa realizada pela Udemy em 2019 mostra como há uma linha tênue entre flexibilidade e falta de foco para a grande parte de seus 1000 funcionários. A própria representante da empresa considera um insight importante notar que há “uma ‘maioria silenciosa’ de trabalhadores que prefere ir ao escritório, fazer seu trabalho e pular a socialização”.

Veja alguns números interessantes do estudo:

  • 51% dos profissionais disseram não considerar abraços como parte de um ambiente profissional;
  • 66% não acham que pets deveriam ser permitidos no trabalho;
  • 65% responderam que não acreditam que roupas esportivas sejam apropriadas para o trabalho;
  • 63% dos funcionários mantêm suas redes e mídias sociais distantes dos colegas de trabalho.

Esses dados apontam uma dualidade interessante na relação entre trabalhadores e empresas: ao mesmo tempo em que a diminuição de barreiras físicas e sociais ajuda na criação de uma identidade coletiva e aumenta a produtividade, existe ainda uma necessidade por padrão e foco dentro do escritório.

E claro, isso varia muito em perfis de trabalho, setor no qual a empresa atua e até na personalidade de cada profissional. Por isso, a sensibilidade e a liderança de gestores é tão importante para encontrar um equilíbrio que deixe todos à vontade — desde os work bees até os social butterflies.

No Brasil também vamos parar de ter ambientes casuais?

É muito importante abrir um adendo para analisarmos essa pesquisa sob uma perspectiva mais precisa dentro da nossa realidade. Existe uma percepção muito presente em nossa rotina de que o povo brasileiro em sua natureza e sua cultura é mais calorosa, expansiva e casual. Até certo ponto, isso é verdade.

Moramos e trabalhamos em um país tropical com temperaturas elevadas o ano inteiro. Isso, claro, exige uma compreensão maior de gestores na hora de determinar quais vestimentas são adequadas ou não para o ambiente de trabalho.

Também temos tendência a ser mais comunicativos, o que influencia no ambiente de trabalho. Mas nada disso quer dizer que a mesma resistência à casualidade excessiva não existe por aqui.

Assim como nos Estados Unidos, o mercado brasileiro vem focando muito em estratégia e execução. A prioridade é a realização do trabalho e isso deve estar presente no escritório. Sim, o brasileiro gosta de conversar e precisa de roupas mais leves. Mas, acima de tudo, quer resultados. Nesse ponto, a pesquisa da Udemy é um alerta para gerentes, diretores e empresários também em nosso país.

Ouvir os funcionários pode ajudar

Uma das maiores características de um líder moderno é a empatia. É a capacidade de reconhecer e entender necessidades, desejos, objetivos de seus colaboradores e alinhar essas ideias em uma só direção: o objetivo de crescimento do negócio.

Ou seja, a resposta para o equilíbrio entre formalidade e casualidade na sua rotina está neles, não em uma fórmula pronta vinda de fora. Incluir a participação de todos na hora de definir regras e recomendações é o caminho mais seguro para encontrar um balanço entre produtividade e bem-estar.

O que muitas empresas não entenderam ao longo desse tempo é que a verdadeira casualidade não está no ambiente ou nas roupas, mas no poder que se dá às pessoas.

A liberdade de expressão e de opinião é muito mais significativa do que uma mesa de sinuca no meio do escritório. De terno ou de bermuda, o que um profissional quer de verdade é a oportunidade de demonstrar suas ideias e seu potencial dentro da empresa.

Portanto, por que não seguir o exemplo da Udemy e fazer uma pesquisa própria sobre o que os colaboradores acham de um ambiente casual? Esse pode ser o primeiro passo para uma mudança na sua postura como líder de pessoas e de inovação.

E para entender melhor o papel de um gerente nesse crescimento profissional em todos à sua volta, veja este artigo completo sobre inteligência emocional na liderança empresarial moderna.

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