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Contagem regressiva para a bolha da economia compartilhada

Bolha da economia compartlihada

Muitas empresas se autodenominam inseridas no modelo de negócios da gig economy. Só que, na realidade, elas não são instituições de tecnologia, mas utilizam a tecnologia em seus métodos de prestação de serviços. Ou seja, não são capazes de oferecer escalabilidade como softwares. Como esse modelo não se mostrou sustentável, especialistas já vêm anunciando a bolha da economia compartilhada.

Isso fará com que os resultados financeiros e a modelagem de capitalização corporativa sejam submetidos a testes indispensáveis pelo mercado. Mas essa bolha pode estourar mesmo? Se isso acontecer, quais serão os impactos?

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A bolha da economia compartilhada é real e pode estourar

Organizações que estão inseridas no mercado da economia compartilhada enfrentam problemas. Essa é a realidade e existe uma lógica por trás desse fenômeno. O valor da operação é caro, dificultando a sustentabilidade a médio e longo prazo desses negócios, que têm como conceito central o baixo custo a cada unidade de valor entregue aos clientes.

O CAC (Custo de Aquisição de Clientes) não é compatível com resultados financeiros positivos. Isso faz com que o suposto sucesso dessa nova ideia se mostre um modelo corporativo ilusório. Muitos consumidores, inclusive, encontram dificuldades de ver valor no que antes parecia um estilo de vida.

As transações comerciais não têm crescido exponencialmente, o que nem de longe era o esperado por empreendedores e investidores. Contratempos administrativos passaram a ser evidenciados.

Em suma, todo o fundamento da economia compartilhada, que era visto como novo, fascinante e escalável, caso não acabe, terá que se transformar profundamente para, de alguma forma, ser capaz de seguir em frente.

A bolha da economia compartilhada, que está sendo esperada e vai explodir, não será a mesma da bolha das ponto.com de duas décadas atrás. Afinal de contas, não é Bolsa de Valores que está vendo seu dinheiro escorrer por entre os dedos. São as próprias organizações e alguns investidores que amargam prejuízos.

Há que diga que isso pode ter sido proposital, para que ocorresse a supervalorização dos ativos empresariais. Assim, eles poderiam ser negociados antes de o sistema ruir. Se for esse o caso, pode até ser que algumas pessoas tenham se dado bem, mas, agora, está todo mundo navegando no mesmo barco com água dentro.

O que pode acontecer se a bolha da economia compartilhada estourar

Estudos apontaram que a renda dos profissionais que trabalham para empresas de economia compartilhada, o que inclui os motoristas de Uber, por exemplo, está caindo em um ritmo acelerado. Essa é a prova da bolha salarial nesse nicho.

Esse é um movimento que está sendo observado globalmente. O banco de investimentos JP Morgan realizou uma análise recente, mostrando uma queda de 53% na renda média mensal dos autônomos que atuam no setor de transportes americano entre os anos de 2013 e 2017.

Segundo o relatório The Online Platform Economy in 2018: Drivers, Workers, Sellers, and Lessors, o mercado de transportes computou um salto na quantidade de motoristas parceiros. Já o dinheiro que eles conseguem fazer no mês seguiu a direção oposta. Nos Estados Unidos, enquanto em 2013 a renda média era de U$ 1.469, em 2017 esse valor despencou para 783 dólares.

Por outro lado, o mesmo estudo indica um cenário completamente diferente para os trabalhadores da economia compartilhada hoteleira. Os rendimentos cresceram 69% nesse mesmo período. Alguns especialistas afirmam que isso só aconteceu porque esse segmento da economia compartilhada ainda não atingiu a fase de correção, como outros mais populares.

Será que o excesso de oferta é o calcanhar de Aquiles da economia do compartilhamento? Sim e não. A tese do JP Morgan Chase Institute afirma que o rápido crescimento da quantidade de motoristas foi a razão pela qual a renda mensal nesse nicho caiu.

E, por conta disso, ativistas e especialistas em direito do trabalho começaram a acusar as empresas da economia compartilhada de promover práticas trabalhistas predatórias, que exploram o capital humano.

Em sua defesa, essas companhias declaram que trouxeram para o mercado metodologias inovadoras para a relação entre profissionais e empresa, com mais flexibilidade e liberdade no desempenho de suas funções. Em muitos casos, isso não deixa de ser verdade.

Porém, também é real que esses trabalhadores, por vezes, não estão minimamente protegidos legalmente. Ou seja, ganha-se pouco e corre-se muitos riscos ao exercer a atividade proposta. Por isso, se a bolha da economia compartilhada realmente estourar, a tendência é que muitas empresas que se autodenominam prestadores de serviços digitais, serão obrigadas pelos Tribunais de Justiça a tocarem suas operações como empresas tradicionais.

Então, essas instituições terão que focar na oferta de pacotes salariais mais adequados e de mais segurança quanto aos direitos trabalhistas dos seus empregados.

Empresas que estavam bem, até não estarem mais

A Uber é a organização mais evidente da economia compartilhada. Não é à toa que ela já foi a startup mais valiosa do mundo. Atrás, estavam outros players, como Lyft e Instacart. Mas, por causa dos fatores que citamos acima, os processos judiciais e greves foram os grandes motivos para o vento mudar seu rumo.

Insegurança jurídica, definitivamente, não é nada atrativo para o mercado financeiro e seus investidores. Não é só o lado dos profissionais que os juízes têm olhado. A segurança dos passageiros também está no radar — tanto que a Uber não poderá renovar sua licença para operar em Londres. Há possibilidade de reverter a decisão, mas, conforme ressaltado, a falta de segurança jurídica faz com que o valor dessa e de outras empresas despenque.

Nem todas as empresas farão parte da gig economy, e está tudo bem

A gig economy traz consigo grandes desafios. O papel das empresas é pensar na mitigação dessas dificuldades, tornando o processo mais inclusivo. Não dá para focar apenas nas inovações tecnológicas. Deixar de lado a visão 360° do negócio é um grande erro.

Com essa análise, muitas organizações terão necessidade de mudar o seu modelo de operação, que não mais se encaixará na economia compartilhada. E tudo bem, desde que essas empresas encontrem soluções para serem rentáveis e sustentáveis em todos os sentidos.

Só o tempo dirá se a bolha da economia compartilhada vai estourar e, caso isso aconteça, quais serão as consequências desse fenômeno. O que é possível afirmar, por ora, é que os consumidores estão cada vez mais atentos ao propósito social das empresas e marcas, estejam elas inseridas na gig economy ou em qualquer outro conceito.

Então, abra sua cabeça, saia do foco meramente tecnológico e inove suas ideias. Pense rápido: qual o propósito social da sua empresa?

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