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Cadeia produtiva precisa de cuidados e também terá que se reinventar

Cadeia produtiva na crise

À medida que o novo coronavírus se espalha pelo mundo, os bloqueios e limites para circulação se tornam mais rígidos. Como consequência, a cadeia produtiva na crise ganha contornos de uma rede de interações ainda mais complexa.

Apesar da produção e distribuição de alimentos não sofrer diretamente com as paralisações, as medidas restritivas para evitar o avanço do vírus levam os gestores à necessidade de repensar o seu modelo de negócio. As próximas semanas podem ser tensos, mas existem alternativas para o sistema alimentar superar esse momento.

Desafios da cadeia produtiva

A pandemia do coronavírus expôs as cadeias de suprimentos globais a uma situação de vulnerabilidade. 

Embora os serviços essenciais não tenham sido afetados pela paralisação, a maioria das empresas não estava preparada para grandes mudanças, sobretudo aquelas que contam com um número limitado de parceiros comerciais.

De acordo com o CNBC, grande parte dos fabricantes está enfrentando problemas de fornecimento devido ao surto da covid-19 e houve um aumento de 44% nas companhia que tiveram o seu fluxo habitual interrompido.

Em virtude disso, muitos empreendedores estão declarando “força maior” para justificar o descumprimento de condições contratuais, sem ser ainda mais penalizados com o pagamento de multas.

As circunstâncias atuais do mercado deixam evidente que o modelo de atuação da economia globalizada abriu muitas portas para garantir as melhores condições de produção, mas por outro lado impõe fragilidades. Se antes as empresas trabalhavam com o mínimo de excedentes, o coronavírus deu início a uma nova era na globalização.

O primeiro impacto foi sentido pelo setor de tecnologia, no qual grandes nomes como Apple, Microsoft, entre outras organizações que dependem de insumos da China, tiverem suas cadeias produtivas interrompidas.

Mas com o avanço da doença pelo mundo, todos os segmentos foram afetados, e ainda precisam encontrar maneiras de se reinventar para superar as barreiras do isolamento físico.

Outro reflexo da crise na cadeia produtiva é o aumento de preços de alimentos e itens de limpeza. As compras essenciais — laticínios, feijão, ovos, arroz, carnes, limão — estão mais caras agora. Tudo sofreu reajuste.

A justificativa dos fornecedores são os obstáculos enfrentados pelas mudanças nas suas cadeias produtivas, além do custo do deslocamento também ter ficado mais alto.

Conforme reportagem do O Tempo, uma pesquisa realizada entre os dias 25 e 26 de março aponta o aumento no preço de 17 produtos, dentre os 29 analisados pelo veículo. De acordo com os dados, o limão tahiti, por exemplo, teve aumento de 76,92% apenas nos últimos 13 dias do período em que o levantamento foi feito.

A cadeia produtiva na crise aponta para mudanças globais

Curiosamente, o primeiro ponto de destaque sobre a cadeia produtiva na crise é que, a China, que contribuia com 4% para o PIB mundial, agora tem uma participação de quase 20% — grande parte do crescimento provem de investimentos estrangeiros, segundo dados divulgados pelo CNBC.

Uma tendência que pode ser observada é que alguns países já começaram a diversificar suas cadeias de suprimentos. Provavelmente, as demais nações também seguirão por esse caminho. E mais: estão tentando acelerar esse processo.

Hoje, o principal choque talvez não esteja na oferta, ou seja, na disponibilidade de alimentos e outros produtos básicos. A dificuldade maior é em termos logísticos na movimentação dessas mercadorias.

Neste momento, não há uma fórmula mágica para salvar todos os tipos de negócios. Porém, o mapeamento de redes se mostra bastante eficiente para que as empresas não operem às cegas.

Analisando esse mapa sob a perspectiva interna da companhia, o procedimento também será benéfico pois não é uma matéria que está condicionada às pessoas que ocupam o cargo. Caso ocorra uma troca de funcionários, o planejamento estratégico estará à disposição de qualquer profissional.

Países podem ensinar uns aos outros como agir nessa crise

Diante de tantas incertezas sobre como agir durante esse período de crise, e até mesmo sobre como ficará o mercado depois de toda essa turbulência, muitos líderes apontam a necessidade da adoção de estratégias para mitigação de riscos.

No que diz respeito à cadeia produtiva na crise, o ensinamento é dar mais importância à necessidade de fazer um mapeamento da rede de suprimentos. Isso certamente vai exigir tempo e uso de tecnologia. Porém, o valor que esse instrumento gera para a empresa é muito maior que os esforços despendidos para o seu desenvolvimento.

Para se ter uma ideia, segundo informações do portal hbr.org, após o terremoto e tsunami ocorridos no Japão em 2011, um fabricante de semicondutores relatou que foi necessária uma equipe de 100 pessoas para mapear as redes de suprimentos da empresa. Além disso, o trabalhou durou mais de um ano para ser finalizado.

O objetivo é que o gestor conheça bem todos os potenciais fornecedores, e assim consiga diferentes alternativas para manter o seu ritmo de produção.

Nesse sentido, por mais que os parceiros “A” e “B” sejam as opções mais vantajosas para determinado negócio, o empresário saberá que, caso ocorra qualquer contratempo, ele ainda pode contar com “C”, “D”, “E” ou “F”.

A dica para elaborar um mapa é usar a lista de produtos focando nos seus principais componentes. Normalmente, começa-se com os cinco principais produtos por receita, passando pelos fornecedores de componentes até os de matérias-primas.

Além disso, o mapeamento também deve incluir informações sobre os canais de comunicação com esses fornecedores — se é possível um atendimento por meio de um site, por exemplo, e quais outras plataformas de compra essas empresas disponibilizam.

Ao desenvolver esse trabalho, a empresa pode, inclusive, encontrar potenciais fornecedores até então desconhecidos. 

Lidar com uma cadeia produtiva na crise é uma tarefa bastante árdua. Entretanto, mais do que pensar em soluções para superar o desafio das interrupções neste momento, é preciso investir em estratégias que também vão garantir o seu sucesso a longo prazo.

Quanto maior a capacidade de as empresas se adaptarem, mais chances elas terão de ser fortalecer com a crise. Por isso se discute tanto a necessidade de uma mentalidade digital.

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