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Content Hackers Natália Menhem

Content Hackers – Entrevista com a Natália Menhem, líder de Marketing da ThoughtWorks Brasil

Em mais uma edição do Content Hackers, a gerente de Inteligência em Pesquisas da Rock Content, Juliana Ribas, entrevistou a Natália Menhem, líder de Marketing da ThoughtWorks.

A ThoughtWorks é uma consultoria global em tecnologia de informação que tem como foco o desenvolvimento ágil de software.

Sua missão é melhorar a humanidade através do software e ajudar a gerar a criação de um ecossistema socialmente responsável e economicamente justo.

Seus clientes são empresas de diversos segmentos, desde e-Business a varejo.

Juliana Ribas: Bem-vindos a mais uma edição do Content Hackers. Hoje nós estamos entrevistando a Natália, líder de marketing da ThoughtWorks Brasil. Bem-vinda, Natália.

Bom, para começar a nossa entrevista, eu gostaria que você contasse sobre a sua história. Eu vi que você é formada em Ciências Sociais, mas migrou para área de Marketing. Como isso aconteceu?

Natália Menhem: Bom, não foi um caminho rápido. Eu me formei em Ciências Sociais e gostava da área. Comecei trabalhando com licenciamento ambiental. Nesse período, eu vi que eu tinha muito interesse em formas de gerar impacto social positivo.

Conheci os negócios sociais pelo livro “Criando um negócio social”, do Muhammad Yunus, e pus na cabeça que eu tinha que fazer isso. Pedi demissão e comecei uma ideia de negócio social com alguns sócios.

Quando temos o nosso negócio, fazemos um pouco de tudo. Fazemos venda, o relacionamento com cliente, a apresentação institucional, entre outras tarefas. Então, essa já foi uma forma de eu começar a entender isso.

Tive uma empresa chamada Sustento Projetos com um sócio de consultoria, por 2 a 3 anos. Nessa mesma época eu comecei a fazer parte da organização do TEDx Belo Horizonte, que aconteceu em 2012, 2013 e 2014.

A comunidade TEDx também contribuiu bastante com o meu entendimento de comunidades, de marketing, e de como a comunicação acontece hoje em dia.

No período de 2013 a 2014 eu acabei virando embaixadora do Brasil. Depois disso, fiz algumas consultorias e trabalhei em uma startup que era muito focada em marketing de recrutamento e em como conectar as pessoas aos trabalhos certos para entregar a proposta de valor correta do trabalho. Foi nessa época que eu comecei a ouvir sobre employer branding.

Eu estava morando em São Paulo e voltei para Belo Horizonte no fim de 2014. No início de 2015, recebi um convite para entrar no processo seletivo da ThoughtWorks.

Isso aconteceu porque eu conheci pessoas que trabalhavam lá em um evento de mulheres na tecnologia, no qual palestrei sobre negócios sociais. A ThoughtWorks estava patrocinando este evento e tinha várias profissionais presentes.

Eu nunca tinha ouvido falar na empresa e achei interessante. Então, entrei no processo para marketing de recrutamento.

Juliana Ribas: Você entrou nessa área, mas hoje você é líder de marketing da empresa no Brasil. Como foi essa passagem do marketing de recrutamento para a liderança no marketing?

Natália Menhem: Quando eu estava no processo seletivo, alguém me falou que na ThoughtWorks as pessoas viviam 5 anos em um e que aprendíamos muito. Eu logo pensei: “Todo mundo fala isso”, mas, o fato é que eu realmente pude viver isso na prática.

Foi um início de jornada de várias reviravoltas bem interessantes e desafiadoras.

Eu comecei com esse papel, trabalhando no time de marketing para recrutamento, mas um mês depois ocorreram várias alterações de estruturas de times na ThoughtWorks.

Após isso, eu fiquei “emprestada” para o marketing, juntamente com uma designer excelente que já está na ThoughtWorks há mais tempo. Nessa época, começamos a fazer outras contratações e, depois de 4 meses, eles me convidaram para ser líder de marketing da ThoughtWorks no Brasil..

Juliana Ribas: Muito legal. Falando um pouco dessa estrutura de marketing e considerando que a ThoughtWorks é uma empresa multinacional, como que é a estrutura do time de marketing aqui no Brasil e no mundo?

Natália Menhem: Hoje, no Brasil, temos 5 pessoas e globalmente temos aproximadamente 70 a 80 pessoas.

A ThoughtWorks está localizada em 15 países, em alguns deles há mais tempo do que em outras regiões, e, portanto, possuem uma equipe maior. Um ponto interessante é o fato de termos diretrizes compartilhadas entre todas as regiões. Elas são a nossa visão de para onde queremos ir e de qual o nosso objetivo como companhia.

Claro que globalmente, cada região tem seu desafio local. Alguns desafios de recrutamento ou de qual oferta específica está indo para o mercado. Dessa forma, cada região tem total autonomia para adaptar ou criar o seu plano.

Após isso, apresentamos para o head global de marketing e para as pessoas de centros de excelência que dão um feedback com algumas sugestões.

Mesmo que tenhamos autonomia aqui, boa parte da execução é feita de forma coletiva, trabalhando em pares para o desenvolvimento de software.

Na área de operações, também pareamos bastante com pessoas de outras regiões para criar uma campanha, conteúdo ou para alinhar e trocar experiências sobre o que cada um está fazendo. Isso vai acontecendo ao longo do ano.

Nós repetimos uma estrutura comum a vários times de operações da ThoughtWorks e que apresenta vários momentos de checkpoint para entendermos se está indo tudo bem, o que precisa ajustar, refinar a visão ou reforçar.

Então, isso acontece em diversas esferas e temos várias formas de comunicação, tanto do time de marketing como um todo, quanto com os heads de marketing.

Temos uma estrutura de comunicação que permite o alinhamento sem perder a autonomia.. Assim, conseguimos ter um bom equilíbrio entre o que cada um está fazendo, o que é campanha local e o que é global.

Isso acontece porque existem algumas campanhas são globais, e costuma acontecer das regiões optarem por participar ou não, dependendo muito do contexto.

Juliana Ribas: Como é a estrutura do time de Marketing? Você é a líder e tem os heads da empresa, como é feita essa divisão?

Natália Menhem: Tem um head no Brasil e tem o head global. Quase toda região tem um head também, mas não todas, as menores não têm.

Neste caso, uma pessoa de marketing ou duas, dependendo da região, contam com muito apoio do time global.

Então aqui no Brasil sou eu com o meu time. Na ThoughtWorks, possuímos uma estrutura como um todo de hierarquia bem baixa.

Então, entre eu e o time todo não existe uma estrutura, da mesma forma que eu e o head global de marketing não possuímos uma estrutura de gestão.

Juliana Ribas: Legal. E os checkpoints que você comentou são feitos com periodicidade já definida?

Natália Menhem: Alguns sim. Por exemplo, o head de marketing faz mensalmente, mas temos a nossa lista de e-mail e canal no Slack. Isso também acontece para o marketing global e nos dividimos em subgrupos de assuntos específicos.

No nosso time do Brasil, temos mais de um checkpoint semanal, no qual cada um tem um tema e um momento de priorização de backlog para praticarmos a agilidade no marketing. A gestão de pessoas aqui se baseia muito nisso.

Além disso, temos os momentos de reuniões one on one também.

O time de marketing no Brasil hoje trabalha de uma forma distribuída.

Temos duas pessoas em Belo Horizonte, uma em São Paulo e uma em Porto Alegre. Eu falei 5 antes, porque estamos contratando mais uma pessoa que ainda não tem a cidade definida.

Juliana Ribas: Aqui na Rock também somos assim. Temos as reuniões one on one,o acompanhamento semanal e mensal do time de marketing, além de termos uma reunião geral da empresa, o State of the Union, mensalmente. Acho super importante ter esse acompanhamento sempre.

Natália Menhem: Trabalhamos muito com feedbacks e um entendimento constante de como estão indo as atividades de cada pessoa.

Temos muito foco no desenvolvimento de cada pessoa dentro do time e em como estamos atendendo às demandas do negócio.

Cada vez mais, o papel de marketing de muitas organizações é colaborar sempre na orientação de para onde o negócio deve ir.

Juliana Ribas: Um outro ponto que gostaria de conversar com você é sobre liderança feminina, que é um assunto muito importante para nós da Rock Content. Achamos sempre muito legal abordá-lo. A maior parte dos nossos gestores são mulheres e valorizamos muito isso.

Então eu queria entender como isso é para você e para a ThoughtWorks. Como é ser líder na ThoughtWorks? O que você vê como desafios?

Natália Menhem: As diretoras da Rock também são mulheres?

Juliana Ribas: Aqui a estrutura do time é um pouco diferente, temos o nosso CEO, os heads dos times e os gerentes. O marketing, por exemplo, se divide em quatro times: Aquisição, Product Marketing, Inteligência e Comunidade.

Assim, temos na nossa estrutura um CMO, os gerentes responsáveis por cada time e os analistas e estagiários de marketing. Hoje somos 23 pessoas ao todo no time de marketing.

Nos outros times temos heads e gerentes mulheres também e, de 23 posições de liderança, 15 são ocupadas por mulheres.

Valorizamos muito isso aqui na Rock e eu queria saber um pouco do seu lado também, como é essa questão de liderança feminina sua experiência e na ThoughtWorks.

Natália Menhem: Bom, a minha experiência dentro da ThoughtWorks é muito positiva, porque é uma empresa que está intencionalmente preocupada com isso, e não apenas “deixando acontecer”. Tem muitas empresas que querem que isso aconteça, mas ainda não estão fazendo ações intencionais para isso.

Vimos que só querer não basta, então mudamos muito a forma de fazer essa justiça de gênero nos últimos 6 anos.

Eu entrei no momento em que isso já existia na empresa, e também fui afortunada na minha jornada aqui. Participei de um programa no ano passado de desenvolvimento de lideranças que a ThoughtWorks faz globalmente.

Ele tem um módulo chamado Wild (Women In Leadership Development). Essa é uma das ações da ThoughtWorks para desenvolver mulheres em papéis de liderança e para criar um ambiente de trabalho justo.

Eu vejo muito apoio no projeto, e identifico que eu e várias colegas minhas passamos por muita síndrome da impostora. Claro que tem homens que dizem que também passam por isso, mas já vimos que entre mulheres isso acontece muito em papéis de liderança.

Principalmente na tecnologia, esse assunto é muito presente porque, apesar de não ter sido assim há muitos anos atrás, nos últimos anos criou-se a tecnologia como uma indústria mais masculina.

Sobre isso, temos um esforço muito grande. A ThoughtWorks foi premiada no Great Place to Work 2016 e 2017 como uma das melhores empresas para as mulheres trabalharem.

Para nós é um grande orgulho poder estar nesse lugar e poder promover isso em um ambiente que sabemos que sempre foi masculino. Por isso, eu vejo muitas discussões e muito espaço para falar disso.

Temos ações internas, como um grupo que se chama Gender Justice e temos uma outra ação que se chama Latinas, que são realizadas para as mulheres na América Latina serem apoiadas. A ideia é termos mais representantes em papéis de liderança técnica dentro dos nossos projetos, termos mais mulheres se inscrevendo para palestras técnicas em eventos, entre outras ações, é muito importante para nós.

Nossas duas diretoras presidentes no Brasil são mulheres, a Caroline Cintra e a Gabriela Guerra. A Karen Sandhof, nossa diretora de operações, também. Estes são os 3 principais papéis de liderança no Brasil. Além disso, no time de liderança estratégica do país temos 19 pessoas, sendo que 9 são mulheres.

Temos um ambiente que já me ajuda muito, mas eu vejo como isso é difícil para várias outras mulheres.

Este é um assunto que temos que falar cada vez mais, porque podemos ver a diferença de ter tantas mulheres na liderança da empresa e como isso já gera exemplos que são muito positivos para outras mulheres que, às vezes, nunca se viram naquele lugar.

Juliana Ribas: Sim, encoraja muito. Às vezes, elas não pensavam que poderiam chegar numa posição de liderança, ainda mais nessa área de tecnologia.

Legal você ter comentado sobre essa área, porque recentemente, as Minas da T.I. vieram na Rock Content para dar um curso sobre programação para mulheres. Inclusive, duas das instrutoras eram desenvolvedoras da ThoughtWorks. Foi bem interessante, porque realmente nos encorajou. Eu participei e não sabia fazer nada, mas depois que terminou, pensei: “eu consigo fazer isso”.

Natália Menhem: É exatamente assim, a mulher pode ser o que ela quiser e é bom para nós vermos que têm várias possibilidades

Ver pessoas que estão trilhando esse caminho, que dão o exemplo e isso ajuda bastante. Pessoalmente é um desafio diário. É uma coisa que eu sei que politicamente tenho que lutar contra a minha síndrome de impostora, por exemplo, mesmo eu tendo todo o apoio que eu tenho e mesmo sendo uma mulher super privilegiada, branca, cisgênero, heterossexual, de classe média alta.

Aqui dentro, estando em um programa de desenvolvimento de liderança, eu sinto que eu consigo ter suporte e todas as mulheres da ThoughtWorks se sentem privilegiadas, porque temos acesso a todo esse ambiente de discussão.

Ser um ambiente justo para mulheres é uma intenção genuína, mas ainda assim vivemos diariamente inseguranças e pensamos “será que eu estou no lugar certo? Eu deveria estar nesse lugar? Eu estou fazendo a coisa certa?”. Às vezes nos questionamos mais do que deveríamos.

Então, ver os exemplos é importante para sabermos que temos que fazer isso, não só por nós próprias, e sim, por todas nós, mulheres.

Juliana Ribas: Com certeza. Eu vi que marketing para recrutamento é um dos pontos fortes de ThoughtWorks. Como vocês atraem e recrutam as pessoas que tem o perfil ideal buscado pela empresa?

Natália Menhem: O marketing de recrutamento para ThoughtWorks é muito interessante porque nos baseamos em três pilares como organização:

  • Pilar de sustentabilidade, tanto na parte financeira quanto na construção de relações sustentáveis com nossos parceiros;
  • Pilar de excelência tecnológica, que reflete a nossa proposta de liderar a excelência tecnológica no ecossistema que nos encontramos — e isso significa compartilhar muito conhecimento;
  • Pilar de justiça social e econômica, que é advogar por justiça social e econômica sempre que for possível. A nossa missão é usar a tecnologia para transformar a sociedade e o mundo.

É uma missão ousada, por isso buscamos clientes ousados, parceiros ousados e pessoas ousadas.

No caso do marketing de recrutamento, é interessante porque ele tem ganhado mais tração com esse nome e mais conteúdo a respeito nos últimos anos.

Por esses pilares da ThoughtWorks serem muito consistentes no dia a dia, essa vontade de compartilhar conteúdo não se faz somente fazendo post, mas indo em eventos, fazendo palestra, produzindo a TechRadar — duas vezes por ano reunimos as principais tendências de tecnologia que estamos vendo ao redor do mundo pela ThoughtWorks e como avaliamos essas tendências. Tudo isso nos torna uma referência para tecnologistas.

Uma vez que conquistamos esse lugar de referência pro tecnologista, temos que honrar e manter isso, compartilhando mais conteúdo e atendendo mais demandas das pessoas que estão no ecossistema de tecnologia no Brasil e no mundo. Isso acontece realmente em todas as regiões em que a ThoughtWorks está presente.

Como o desenvolvimento de pessoas e o compartilhamento de tecnologia sempre foram nossos grandes focos, nós criamos um bom relacionamento com as comunidades técnicas. Conquistamos isso comparecendo em eventos técnicos e em fóruns online.

Hoje eu posso dizer que isso já acontece na ThoughtWorks, então o que fazemos como marketing é entender esse lugar, valorizar o que já acontece e estimular o empoderamento feminino colocando mais mulheres para falar em eventos também, e não só homens. Hoje já vemos mais inscrições de mulheres em eventos.

Quando nós vamos em algum evento específico, conseguimos até dar uma ajuda de custo, mas focamos muito mais em compartilhar conteúdo e mandar pessoas para o evento do que necessariamente patrociná-lo.

Então, esse relacionamento, essa intenção de querer ser relevante, de poder contribuir com as pessoas e com o desenvolvimento da carreira de todos quando falamos de tecnologia, é algo que acontece muito aqui.

Juliana Ribas: Falando sobre criação e divulgação de conteúdo, e sobre educação do mercado, como elas são feitas na ThoughtWorks? Todo o conteúdo que vocês fazem é produzido internamente?

Natália Menhem: Quase todo. Temos algumas parcerias de conteúdo para trabalhos específicos, mas temos um time global de conteúdo, além de algumas pessoas nas regiões, que também colaboram.

Nós queremos dar voz aos ThoughtWorkers, se você der uma olhada no nosso blog Insights ou no nosso Medium isso fica muito claro.

Então, a ideia é facilitarmos a produção de conteúdo internamente para ela poder ser divulgada. Isso é bom para todo mundo:  para as pessoas que estão escrevendo também terem voz e um caminho para o que elas estão produzindo, e é excelente para ThoughtWorks, porque realmente é o que nós acreditamos.

Produzimos algumas peças específicas com parceiros externos, mas a grande maioria da produção é interna, porque ela é feita por todos os colaboradores e colaboradoras da ThoughtWorks.

Juliana Ribas: Aqui na Rock sempre chamamos o pessoal de outras áreas para colaborar e para escreverem para os nossos blogs e no Medium.

Isso é interessante porque muitas vezes as pessoas acham que só o marketing escreve pro blog, mas não é assim. Tem tantas pessoas aqui dentro, como tem na ThoughtWorks e em outras empresas, que poderiam escrever excelentes conteúdos, mais aprofundados, e técnicos sobre a área de conhecimento deles.

Vocês fazem alguma ação para incentivar as pessoas e os ThoughtWorkers para escreverem e colaborarem também? Como que é essa ação?

Natália Menhem: Fazemos várias. Isso é parte do nosso dia a dia e da nossa essência.

Tem muitas pessoas da comunidade de tecnologia que já tem esse hábito, já tem um blog, já escrevem post, já gostam de fazer palestra e de compartilhar conteúdo.

Tem pessoas que já nos procuram por isso e, quando necessário, damos uma diretriz para ajudá-las a fazer um texto ou dar uma palestra. Em alguns momentos, fazemos algumas ações, mas não é um programa estruturado.

Isso acontece quando, por exemplo, queremos ampliar a produção de conteúdo em um certo canal. Para isso, abrimos um chamado e falamos com as pessoas.

Por exemplo, já tivemos uma pessoa, que é do time de liderança hoje e consultor bastante sênior na ThoughtWorks, que lançou um curso de conteúdo, porque ele gosta muito do assunto. Assim, ele fez vários módulos para quem estivesse interessado em palestrar e escrever.

Agora temos nossa editora de conteúdo no Brasil, que é a Paula Ribas, ela apoia muito e ajuda as pessoas a evoluírem isso. Hoje o contato já é mais natural, muitas pessoas nos procuram.

Também temos algumas intenções para esse ano. Acontecerão, por exemplo, rodadas sobre escrita criativa, com uma consultora externa para dar mais ferramentas às pessoas.

Muitos gostam de escrever, mas sabemos que sentar e escrever no dia a dia não é simples. Então, buscamos facilitar a vida destas pessoas.

Juliana Ribas: Você comentou que vocês têm o blog Insights. Nele, muitos conteúdos são traduzidos e outros estão em inglês. Além disso, vocês também têm o Medium. Como é a estratégia desses dois canais? É no Medium que vocês dão mais abertura para os conteúdos dos ThoughtWorkers?

Natália Menhem: Nós temos o Insights, que é esse canal global. Ele tem mais rigor editorial e um processo de maior de curadoria, porque, às vezes, o conteúdo tem que estar alinhado com editoria daquele mês.

Com isso, não conseguimos dar vazão para tanto conteúdo que produzimos aqui e para as pessoas escreverem também. Hoje em dia, ninguém quer escrever um post e não ver ele postado nas próximas horas.

No caso do Insights, após receber o conteúdo,  ainda teríamos que submetê-lo a um processo longo de edição, porque tem o comitê global de curadoria de conteúdo. Isso acaba, às vezes, desestimulando algumas pessoas, porque de fato o Insights é um canal que tem uma curadoria mais forte, editorial, pensando em atender a todas as regiões do mundo.

Por isso, achamos que o Medium é bem importante nessa presença local e para falarmos com a nossa audiência local. Pelo Medium, as pessoas da ThoughtWorks no Brasil conseguem que seus textos sejam publicados mais rapidamente e, consequentemente, também se engajam mais com os textos, porque o Medium é uma rede social que já tem outra audiência, não é só a audiência que já conhece a ThoughtWorks.

Para nós isso é muito interessante, porque aumenta o potencial de compartilhamento, de cada ThoughtWorker compartilha com a sua rede, além das pessoas que já nos conhecem, gostam de nós e conseguem compartilhar e acompanhar também.

Além disso, com a possibilidade de criar coleções, conseguimos manter o texto no perfil da pessoa e trazer ele para uma coleção nossa, o que é muito bacana.

Juliana Ribas: Agora também estamos com canal no Medium, o Marketing Hackers, estamos tendo um resultado muito legal.

O nosso blog passa por todo um processo, já no Medium, cada um pode publicar seu próprio texto com maior rapidez. A participação dos Rockers na produção de conteúdo aumentou bastante com a criação desse canal.Essa parte de compartilhamento de comentários é bem legal mesmo porque cada um pode mandar o seu texto e gera um manejamento grande.

Natália Menhem: Que legal. Então o Medium de vocês fica aberto para todo mundo da Rock Content publicar?

Juliana Ribas: Todos têm a liberdade de escolher um tema, escrever e pedir para publicarmos. Então, já demos acesso às pessoas que nos procuraram. Por exemplo, com o meu perfil, eu posso postar um texto e ele fica como rascunho. Depois disso, o Gustavo Grossi, que é o responsável pelo Medium, publica.

O canal está bem alinhado com o nosso blog de Inteligência também, alguns conteúdos que saem aqui, saem no Medium e vice-versa.

Natália Menhem: Bacana. Nós fazemos isso também com alguns artigos do Insights que achamos que têm mais aderência com o Medium e publicamos nos dois.

Não sei se aconteceu com vocês também, no início nós pensamos que poderia ficar sobrepondo o mesmo conteúdo.

Juliana Ribas: Sim, nós tivemos essa preocupação também. Nosso principal foco é o SEO, então ficamos um pouco preocupados de o Medium atrapalhar o rankeamento do blog Inteligência ou dos outros nossos blogs em que publicássemos o mesmo conteúdo, mas vimos que não tem muita interferência.

O nosso canal é novo e acho que estamos atingindo um público que ainda não tínhamos atingido. O Medium está crescendo muito no Brasil.

E sobre esses conteúdos, tanto do Insights quanto do Medium, como é a divulgação nas redes sociais? Eu vi que vocês publicam muito a parte de marketing mais voltado para recrutamento.

Natália Menhem: Nós tentamos dar bem a nossa cara, pois cada rede social pede um tipo de formato do conteúdo, mesmo que o conteúdo em si seja o mesmo.

Fazemos isso olhando para as audiências que temos. Como eu disse, nós temos uma audiência de tecnologistas que é muito grande, que já gosta e entende o que é a ThoughtWorks e busca esse conteúdo. Então, nós temos que continuar melhorando o conteúdo que oferecemos.

Por isso, muitos dos conteúdos publicados nas redes sociais são mais técnicos. Nós também temos alguns conteúdos que são relacionados a eventos, porque participamos de muitos.

Em relação a esses eventos, a divulgação inclui não só as palestras que algum ThoughtWorker está dando, como também coberturas diretas de eventos dos quais estamos participando. Para isso, utilizamos Twitter e Facebook com mais frequência para anunciar os acontecimentos destes eventos.

Nossa equipe também organiza e abre os nossos escritórios para receber vários eventos de comunidade técnica. Fazemos a divulgação deles pelo Meetup ou pelo Facebook.

Tem alguns temas que são mais interessantes para alguns públicos específicos, como por exemplo, como a tecnologia está resolvendo problemas de negócios.

Ou, ainda, mulheres na tecnologia, que para nós é um assunto muito importante. E não só mulheres, quando pensamos em injustiça social e econômica, isso inclui pessoa negras, transsexuais e grupos historicamente oprimidos.

Nós nos preocupamos em gerar essa transformação em um ambiente mais justo e diverso e estamos conseguindo isso e trazendo para as redes sociais.

Tem outros assuntos que podem ser um pouco mais executivos que falam de tecnologia, mas com foco em metodologias que usamos para gerar transformações e negócios.

Juliana Ribas: Por fim, quais dicas você daria para CMOs e líderes de marketing?

Natália Menhem: Bom, mais do que nunca podemos falar que hoje a tecnologia é core, é essencial para todos os negócios.

Então, com o tempo todos os negócios virarão negócios de tecnologia. Saímos de um movimento em que a tecnologia é utilizada só para automação para um movimento em que ela se torna a essência.

Ela serve para inteligência de usuários, para prever ações do futuro, para gerar melhores experiências tanto para equipe quanto para os clientes, para fazer transações mais seguras e mais rápidas, garantindo a privacidade do usuário.

Então, quando falamos do marketing que está querendo posicionar empresas, fazer um bom trabalho de relacionamento e dar apoio a vendas, temos que estar conscientes de que a tecnologia será cada vez mais a essência de todos os negócios.

Podemos pensar no marketing para automação de leads, mas podemos ir mais além e pensar no âmbito de inteligência, como conhecemos nossos usuários e como realizamos experiências que serão inspiradoras paras pessoas e que vão causar engajamento em relação à marca. A tecnologia está cada vez mais fazendo parte disso.

Hoje, com todo o meu background, eu vejo a importância de liderarmos essas áreas das empresas e termos essa abertura para entendermos a tecnologia, em qual lugar ela entra na execução da nossa estratégia e entendermos também este mundo que está mudando muito rápido.

Temos que entender como vamos nos posicionar cada vez melhor sobre o que acreditamos nesse mundo, porque padrões que antes eram aceitos não são mais. Isso é legal para vermos os padrões de comportamento. As marcas precisam estar muito ligadas a isso.

Elas precisam garantir uma boa experiência, porque não adianta ser só um protótipo para ter muitos usuários. Aquilo que elas entregam precisa apresentar uma boa qualidade técnica e também uma boa consistência e relevância para um mundo conectado e que muda rapidamente.

Juliana Ribas: Muito legal. Natália, eu queria agradecer muito a sua participação e que você volte sempre aqui no Content Hackers.

Natália Menhem: Juliana, muito obrigada! Eu que agradeço o convite. Foi bem legal e estamos à disposição para participar sempre.