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Dados de usuários: um produto estratégico para os negócios

Dados como produto

A máxima de que “informação é poder” nunca foi tão atual. Não por acaso, a expectativa é que a análise de dados transforme-se em ativo fundamental para 90% das empresas ao redor do mundo até 2022, como apontou recentemente a consultoria norte-americana Gartner.

Se a tendência vai se confirmar, não sabemos. Mas é inegável que caminhamos cada vez mais rápido para que isso aconteça. Então, é melhor que até lá o mundo dos negócios esteja preparado para criar oportunidades através da informação — assim como empresas globais que lidam com um grande volume de dados de usuários já estão fazendo.

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Um mercado em ascensão

Até o fim deste ano, as receitas geradas por soluções de Big Data e análise de negócios no mundo inteiro chegarão a 189,1 bilhões de dólares. Pelo menos é essa a previsão da IDC, uma das maiores referências globais em inteligência de mercado. E esse valor representará um crescimento de 12% em relação a 2018.

Em outras palavras, os números significam que o grande volume de dados que precisa ser armazenado e todos os processos para transformá-los em conhecimento relevante para os negócios está se tornando cada vez mais valioso.

Além disso, em 2022 (quando, ao que tudo indica, 9 em cada 10 empresas já estarão focadas em análise de dados), a expectativa é que a receita mundial desse segmento atinja os 274,3 bilhões de dólares.

Resumo da história: dados de usuários são sinônimo de oportunidade. E não é só sob o ponto de vista financeiro.

Produtos de dados como ferramentas estratégicas

Não é à toa que gigantes do mercado estão transformando dados de usuários em produtos. Mais especificamente, disponibilizando para outras empresas o (enorme) volume de informações e insights que têm em seu poder.

Vamos aos fatos: compartilhar conhecimento é uma poderosa ferramenta de benchmarking para as marcas. Além disso, é uma chance de fazer a roda da inovação girar. Afinal, quando todo um ecossistema tem acesso a informações relevantes sobre o mercado, sai na frente quem consegue transformá-las em soluções assertivas. E, assim, garantir experiências relevantes e alinhadas às expectativas e valores de seus consumidores. Basicamente, transformar dados em produtos pode significar a porta de entrada para uma estratégia competitiva bem-sucedida.

“Hoje, qualquer empresa pode coletar dados através de um questionário. Mas o que vai diferir uma da outra é o uso inteligente para o negócio que cada uma vai conseguir fazer deles. O importante não é como o dado transita, mas qual dado transita”, Guy Perelmuter, CEO da Grids Capital

A lição das Big Techs à era da informação

O Facebook, por exemplo, vem usando as informações disponibilizadas pelos mais de 2,7 bilhões de usuários mensais ativos em sua família de aplicativos (lê-se: Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp e Audience Network) para alimentar sua plataforma voltada para negócios e profissionais de marketing — o Facebook IQ, que oferece estudos, estatísticas e insights sobre mídia, mensuração e o comportamento do consumidor nas redes sociais.

Seguindo a tendência, o Google disponibiliza globalmente a plataforma Think With Google. Por lá, a proposta é que outras marcas fortaleçam suas estratégias com pesquisas e insights de marketing fornecidos pela empresa. Aparentemente, vem funcionando. Só na rede social dos negócios LinkedIn, o serviço do Google já conta com mais de 495 mil seguidores no mundo inteiro.

Relevância impulsionada por dados

Para além das gigantes do Vale do Silício, a inglesa Brandwatch aliou dados de usuários e sua expertise em monitoramento de mídias sociais para criar seus Reports. De acordo com a marca, os relatórios “fornecem referências vitais e insights únicos para dar suporte a qualquer empresa que opera em redes sociais”.

E o Spotify, que já tem toda uma cultura orientada para o Big Data (e, a partir disso, oferece experiências personalizadas como as “Descobertas da Semana” e o “Daily Mix” para seus mais de 217 milhões de usuários), também transformou dados de usuários em um produto estratégico.

O serviço de Streaming mais popular do mundo criou seu canal de insights dentro do Spotify for Brands — seu braço de comunicação com outros negócios. Assim, a marca orienta decisões estratégicas e de comunicação de empresas através de estatísticas e análises sobre o mercado global de música, podcast e vídeo.

Não para por aí. A Esomar, que tem os dados como chave de sua atuação, também abraçou (com sucesso) a oportunidade de transformá-los em produto. Sua plataforma de insights, a Research World, conta com mais de 80 mil usuários anuais em 120 países. Isso sem mencionar que, só no ano passado, seus artigos foram visualizados mais de 230 mil vezes. Números bastante relevantes, não é mesmo?

Crescimento fora da curva

Por falar em números, não podemos ignorar o fato de vivermos o maior momento de produção de informações da história. De acordo com o relatório Data Age 2025, da IDC, o volume de dados disponível globalmente saltará dos 33 zettabytes no ano passado para 175 em 2025.

E tudo bem se você não souber o que esse valor representa na prática. Não é preciso ser um especialista no assunto para entender que um crescimento de mais de 5 vezes em apenas sete anos é bastante significativo. São dados a sumir de vista.

Dados de usuários: da oportunidade aos desafios

Diante de um volume crescente de informações disponíveis, ficam nítidas as oportunidades para o cenário corporativo. Não só para as grandes empresas que já compartilham conteúdos sobre seus usuários, como também para as marcas que se beneficiam deles. Ou, ainda, para os negócios que têm acesso às informações sobre seus públicos e podem transformá-las em diferencial competitivo.

Afinal, os insights produzidos a partir dessas informações representam uma poderosa ferramenta para entender o comportamento do consumidor, prever tendências e compreender as dinâmicas do mercado. E isso pode significar maior precisão na tomada de decisões estratégicas e ganho de agilidade em processos de uma empresa.

“A capacidade de uma empresa de competir na emergente economia digital exigirá decisões mais rápidas e orientadas para o futuro”, Andrew White, vice-presidente do Gartner Group

Por outro lado, esse crescimento exponencial de produção de informação também pode representar desafios. Dois deles são bem específicos. Primeiro, as marcas precisam olhar cada vez mais atentamente para questões relacionadas à privacidade de seus usuários. Caso contrário, o cenário oportuno pode se transformar em palco para crises de reputação e confiança.

Além disso, transformar dados de usuários em conteúdos relevantes para o mercado não é só sobre manter uma extensa base de estatísticas. A criação de produtos de dados bem-sucedidos envolve, sobretudo, competência para selecionar, mensurar, analisar e compreender o que realmente importa dentro do contexto de cada marca.

No fundo, o conhecimento com base em dados é sempre sobre o aumento da relevância e credibilidade de empresas que conseguem criar experiências mais personalizadas e menos segmentadas para seus públicos.

Diante do uso de dados de usuários como produtos, as grandes empresas devem ficar atentas ainda a como gerir essas informações e evitar os impactos de vazamentos.

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