Economia criativa

O que é economia criativa e por que você precisa saber mais sobre isso?

Ao longo dos 20 anos surgiram serviços, plataformas e produtos que unem a criatividade com lucratividade. As duas palavras, tão antagônicas, na verdade, se complementam e abrem um leque de possibilidades para gerar novos negócios.

Segundo “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil”, publicado pela Firjan em dezembro de 2016, a área criativa gerou uma riqueza de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira em 2015.

Portanto, a economia criativa permite gerar valor econômico por meio de ações criativas, culturais e intelectuais.

Assim, se a economia tradicional sobrevive a base de commodities, a economia criativa é movida por ideias. Quer saber como este novo olhar sobre os negócios já está mudando o mundo? Então, continue a leitura!

O que é economia criativa?

Antes de saber como a economia criativa acontece, é importante saber como ela surgiu e seu significado.

A economia criativa surgiu na Austrália em 2001, quando o governo trabalhista passou a incorporar em sua estratégia de política e macroeconomia, o apoio a 13 setores que eram capazes de gerar renda. Esses segmentos têm como base o capital intelectual e a criatividade para impulsionar o desenvolvimento local, regional e nacional.

A ideia foi se espalhando pelo mundo e ganhou o apoio da ONU (Organizações das Nações Unidas), por ser uma força poderosa de transformação, pois além de está crescendo, se tornou uma das áreas mais rentáveis nos países.

Mas, quais são esses setores que estão fazendo a economia girar? Podemos dividir os segmentos criativos em grandes quatro campos:

  • consumo: design, arquitetura, moda e publicidade;
  • mídias: editorial e audiovisual;
  • cultura: patrimônio e artes, música, artes cênicas e expressões culturais;
  • tecnologia: pesquisa e desenvolvimento, biotecnologia e tecnologias da informação e comunicação (TIC).

Dessa maneira, qualquer empresa que tem a sua origem em uma dessas áreas, que atua de forma individual ou coletiva e gera renda e empregos na sociedade, faz parte da economia criativa. Mas por que esse modelo é a bola da vez? É o que vamos explicar no próximo tópico.

Como ela está mudando o mercado?

É simples: criativos pensam fora da caixa e buscam soluções não apenas para as questões que já existem, mas também para aquelas que ainda nem foram criadas.

É o caso da plataforma Queremos!. Eles são responsáveis por organizar shows de bandas que não são tão famosas no mundo dos negócios das gravadoras, mas têm fãs suficientes reunidos em um local para irem à uma apresentação ao vivo. Com isso, eles movimentam a economia de maneira intensa, desde a rede hoteleira até a área cultural.

São por negócios como esses que a economia criativa tem conquistado cada vez mais espaço e com desempenho melhor do que os setores tradicionais da atividade econômica. Em um cenário, no qual constantemente passamos por crises, a criatividade e inovação são as molas propulsoras para a sobrevivência e recuperação.

Alguns países, em especial o Reino Unido, já começaram a incluir a criatividade em seus planos econômicos. Já a Alemanha e o Estados Unidos iniciaram práticas para fortalecer a inovação em suas políticas industriais e em setores novos que se destacaram recentemente no mercado.

A economia criativa está em expansão e a prova disso são os dados mais recentes do Reino Unido. Eles mostram que os empregos criativos fora da indústria criativa aumentaram de 2,8 milhões, em 2014, para 2,9 milhões, em 2015, ou seja, obteve um aumento de 5%. Em contrapartida, o crescimento do número total de empregos na economia britânica no mesmo período foi de apenas 2%.

O estudo ainda mostra que a proporção de empregos no país que fazem parte da economia criativa também aumentou entre 2014 e 2015: de 8,8% para 9,2%. Por que esses dados são importantes? Porque simbolizam a importância desses setores em outras áreas, como a de educação.

No Reino Unido, após pesquisas do setor de games como gerador de empregos, exportação e desenvolvimento, incluiu-se a matéria "introdução da computação" na grade curricular do ensino fundamental.

E quanto ao Brasil? Será que está acompanhando a mesma vertente? Bom, no país, a área criativa gerou mais de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira em 2015, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil. Esses são os dados mais recentes que foram divulgados e reforçam o caráter estratégico desse modelo de economia.

Ou seja, há espaço nesse mercado para as empresas investirem e até mesmo abrirem seu próprio negócio. A economia criativa está gerando renda e empregos, ou seja, é a galinha dos ovos de ouro que qualquer pessoa pode ter.

Por que a economia criativa é diferente?

Tanto sucesso não é à toa. O que faz esse modelo econômico se destacar é a possibilidade de inovar em todas as áreas, como:

  • clientes: na economia criativa o cliente é o centro. Por isso, quem atua no setor sabe as necessidades dos consumidores, onde eles estão, o que eles pensam e suas potencialidades;
  • produção: o que precisa ser feito para agradar o cliente é um questionamento constante e a resposta pode ser um bem, um produto, um novo serviço e até mesmo a melhoria no relacionamento.
  • valor: o que a sua empresa ou marca propõe, qual o benefício que ela gera na sociedade e como isso é percebido;
  • matéria-prima: tudo se torna insumo para criar ofertas diferenciadas, podendo ser algo tangível ou intangível e nesse processo toda a cadeia produtiva conta, desde os fornecedores até a pessoa que tem contato direto com o consumidor.

Além disso, a economia criativa destaca a capacidade humana e social em relação aos recursos físicos e financeiros, quebrando o padrão do modelo industrial e valorizando o imaterial.

É importante ainda ressaltar que a transformação digital foi fundamental para impulsionar a economia criativa. O fenômeno permitiu conectar pessoas com pensamentos diferentes, mas que conseguem se unir e colocar em prática suas ideias, desde reformular as cidades até alterar a relação de trabalho. São novas soluções para problemas antigos e que ainda estão por vir.

Até aqui ficamos muito na teoria e dados, certo? Bom mesmo é ver quais empresas estão colocando a mão na massa e mudando a forma de fazer negócios. Falaremos mais sobre elas no próximo tópico.

Quais os principais exemplos de empresas que investem em economia criativa?

A lista de exemplos de negócios criativos é grande e isso é positivo. Por isso, listamos abaixo algumas que se destacam no cenário brasileiro. Assim, as empresas que querem fazer parte desse grupo podem se inspirar e iniciar novos projetos. Confira:

Catarse

Lembra que começamos esse texto falando que a economia criativa permite desengavetar projetos e realizá-los? Então, o mérito dessa mágica é todo do Catarse, projeto que surgiu em 2011 e permite que as pessoas, por meio de financiamento coletivo, tirem suas ideias do papel.

A empresa é o maior crowdfunding do país e atende diversos projetos, desde de artistas a jornalistas. O lucro dos criados vem da taxa de comissão cobrada por cada projeto inscrito no site. Mas não são apenas os donos do Cartase e dos projetos que são beneficiados: os doadores também recebem brindes e incentivos em troca das suas contribuições. E, claro, os projetos que são realizados acabam gerando novos negócios e empregos. É um ciclo virtuoso.

Vote na Web

Desenvolvido pela Webcitizen, o Vote na Web tem como objetivo discutir propostas de lei que estão em tramitação no Congresso Nacional de maneira mais simples e acessível para os cidadãos. Com isso, o site acaba conectando a população com os parlamentares, que podem saber a opinião das pessoas em relação à proposta e alterar ou desistir da ideia sugerida. Promover o debate e ajudar a mudar a sociedade faz parte da base da economia criativa.

ProjectHub

Talvez seja o exemplo mais famoso da economia criativa brasileira. A ProjectHub é uma rede social voltada para empreendedores, investidores e marcas conectarem seus negócios de maneira colaborativa.

Não existe nenhum empecilho em relação à área do projeto, o propósito é fazer com que o empreendedor criativo, que busca transformar a vida das pessoas, encontre alternativas e pessoas interessadas em apoiar sua ideia.

Think Eva

Uma empresa que nasceu com o objetivo de ajudar as empresas de publicidade a trabalhar melhor com a representatividade feminina em campanhas e adotar um discurso mais respeitoso. A consultoria do Think EVA utiliza ferramentas como pesquisas de mercado, mapeamento de categorias e teste de campanhas para avaliar os conteúdos e dar um diagnóstico preciso.

A economia criativa permite novas formas de enxergar soluções sejam em mercados menos tradicionais, como artes e publicidade, até mercados mais conservadores, como política e indústria. Por isso, para que esse modelo continue prosperando é preciso fomentar ainda mais a mão de obra criativa e inseri-la dentro das empresas. A mudança é necessária e já está em voga. Você está preparado?

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