Opinião

Economia do Marketing: lições das ciências econômicas para growth hacking [Parte 2]

Economia do Marketing

Quando falamos do mundo do Marketing Digital e das Vendas na web, encontramos um ecossistema cujas empresas estão buscando crescimento rápido e se beneficiando da avalanche de informações que a internet proporciona.

Empresas que nasceram ou se transformaram digitalmente, em geral, recorrem às técnicas de growth hacking e incorporam isso em sua estratégia.

No post anterior falamos sobre a observação, a informação e a subjetividade do valor das coisas. Agora, vamos partir para a ação e mostrar como isso se transforma em concorrência e associação no mercado.

Por isso, para que você possa fazer melhores previsões e entender o assunto, aspectos micro e macroeconômicos vão se misturar aqui.

Mas não se preocupe, isso tornará a compreensão desses fenômenos mais simples. Confira:

Concorrência e cooperação nos meios digitais

Um dos pontos principais, abordados no artigo anterior, é a importância da observação e da informação. Qualquer ação de mercado, seja uma compra, uma venda, uma avaliação de produto etc. é como uma mensagem para todo o mercado, levantando informações sobre como se comportam os atores envolvidos. Desde as empresas até os consumidores.

Ou seja, como na internet a comunicação é intensa e aberta, é fácil observar e se informar sobre potenciais concorrentes, parceiros, prospects, clientes etc.

E, consequentemente, essas pessoas estão sempre se envolvendo, diretamente ou indiretamente.

Quer entender como? Confira a seguir:

Concorrência

É senso comum que a competição reduz o preço do produto final. Afinal, as empresas abrem mão das suas margens de lucro e reinvestem parte deles para melhorar o produto.

No entanto, para a economia da web, esta informação está parcialmente correta. Isso, porque a avalanche de informação da rede provoca outros aspectos comportamentais.

Segundo o Prof. Israel Kirzner — indicado ao Nobel de economia em 2014 —, em seu livro “Competição e Atividade Empresarial”, diz o seguinte:

“A competição perfeita denota, para o teórico do preço, a situação onde cada participante do mercado sabe exatamente o que os outros estão fazendo”

Deu para entender? Não se trata, exatamente, de tirar seus adversários do jogo, mas do processo de obter o máximo de informação sobre os outros.

Não é de se espantar que, em nosso ecossistema, curiosamente há empresas que competem e cooperam ao mesmo tempo. Vamos entender agora o porquê.

Concorrência por market share

No universo do Marketing, existem alguns tipos de concorrência. Uma delas está diretamente ligado à receita, é a concorrência pelo mercado ou market share. Como a renda (e a sobrevivência) das empresas depende muito dos clientes, é comum que esse tipo de concorrência desperte maiores rivalidades, sobretudo entre empresas que têm produtos ou serviços que são substitutos.

Ou seja, se um cliente prefere determinado produto ou serviço, não vai consumir o outro.

Entretanto, em decorrência do cenário econômico, alguns produtos podem ser ora suplementares, ora substitutos. Isso porque, em diferentes situações, o consumidor será induzido a substituir um pelo outro.

Suponhamos: Rock Content e Resultados Digitais vendem serviços que são suplementares. Resumindo grosseiramente, a Rock vende estratégias de marketing de conteúdo, e RD vende software de automação de marketing. Os serviços de ambas as empresas são complementares e funcionam muito bem juntos.

No entanto, quando uma empresa não dispõe de uma verba de marketing suficiente para assinar os dois serviços, elas podem situacionalmente se tornar concorrentes. Afinal, o decisor terá de escolher entre uma ou outra de acordo com as suas prioridades naquele momento.

Concorrência por rankings de busca

Na concorrência pelo market share, embora mais preocupante para as empresas, ainda sim entendemos como ela pode ser um processo e não um estado das coisas. Não é uma competição que premia apenas um vencedor, no fim das contas.

Agora, portanto, vamos tratar de um assunto onde essa situação se aprofunda ainda mais: a concorrência pelos rankings de busca.

Já sabemos que, quanto mais procurado, lido e acessado o seu blog ou site, mais clientes você terá, certo?

Portanto, nesse caso, conteúdos e publicações para a web são como um ativo, cujo valor fica flutuando de acordo com a qualidade e a quantidade dos seus visitantes.

Assim, empresas de todos os ramos podem competir por determinado termo de busca ou palavra-chave, mesmo que elas não sejam competidoras entre si.

Observe os três primeiros lugares para a palavra-chave “Marketing Digital” no Google:

Os três primeiros resultados são da Rock Content, Resultados Digitais e Neil Patel. No entanto, os serviços de nenhum deles é substituto, na maioria dos casos.

Contudo, os três estão aqui, concorrendo pelos rankings, pois cada variação nas posições pode interferir (e muito) na receita dessas empresas.

É por isso que, frequentemente, esses players frequentemente se associam para ganhar rankings de busca em parceria. Dessa forma, podem combater ameaça de outros concorrentes e agregar valor para si.

Lembra quando disse que há empresas que podem concorrer e ser parceiras ao mesmo tempo? Esse é um fenômeno que exemplifica isso, mas vamos ver ainda mais a seguir.

Cooperação

Empresas que concorrem em mecanismos de busca, nem sempre concorrem por market share, já sabemos disso.

Dessa forma, no universo do Marketing Digital, isso pode acontecer de algumas formas interessantes, que são as parcerias. Realizando co-marketing e guest blogging, diferentes negócios podem criar, juntos, situações do tipo ganha-ganha em mecanismos de busca.

Co-marketing

Esse caso ocorre quando duas ou mais empresas publicam, em conjunto, um material que seja relevante para as suas personas.

Um caso que exemplifica isso muito bem é o Gerador de Personas, da Rock Content e da Resultados Digitais.

Graças a essa ferramenta, só a Rock já gerou quase mil clientes. Ou seja, esse co-marketing se tornou uma grande fonte de leads inbound para as duas empresas. Em decorrência disso, é também um grande gerador de receita.

Ainda que exista um certo grau de concorrência entre ambas, é mais valioso que elas se associem em situações de mercado como essa.

Guest Blogging

Guest Blogging pode ser considerado um tipo de co-marketing. No entanto, ele é um meio específico e particularmente valioso. Afinal, toda empresa que deseja crescer na web precisa ter uma estratégia sólida de publicação de guest posts.

Quando blogs e sites trocam posts entre si, este contém links para a ambos os sites, gerando ganhos de SEO. Assim, essa é uma forma de receber backlinks de domínios de autoridade, e isso é muito bem visto pelos crawlers dos motores de busca.

Diante disso, os ganhos superam os riscos da concorrência, levando empresas com um certo grau de rivalidade a se associar.

E, embora não pareça, competição e associação estão acontecendo o tempo todo na web. E, se você quer saber mais sobre isso, confira o relatório da Content Trends 2017 e saiba mais sobre o comportamento dos players que fazem Marketing de Conteúdo no Brasil!

Acesse a pesquisa completa

Publicações relacionadas
Opinião

A volta do e-mail: o boom das newsletters e por que você deveria fazer parte dele

Opinião

A diversidade não é (só) uma propaganda da Benetton

Opinião

IPO da Uber: lições da turbulenta trajetória da proeminente (e polêmica) empresa do momento

Opinião

Vamos sobreviver à sobrecarga de informação? Uma análise histórica