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Transformação digital precisa ser entendida como evolução digital pelas empresas

Transformação digital deve ser pensada como evolução digital

A transformação digital já deixou de ser só ideia há alguns anos. Aliás, já deixou até de ser novidade há algum tempo. O brasileiro gasta, em média, 3 horas e 39 minutos nas redes sociais todos os dias, segundo relatório da We Are Social. O mesmo relatório mostra que 45% da população compra online, com 66% de penetração da internet, e os números crescem a cada ano.

Apesar disso, ainda não são todas as empresas que conseguiram inserir com sucesso o mindset de transformação digital em suas operações de negócios diárias. O grande desafio da transformação digital é o menos tangível e também o mais complicado de vencer: a mentalidade dos gestores e decisores na hora de aplicar os conceitos. Deve-se começar a pensar essa transformação como evolução digital.

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Quais as maiores dificuldades das empresas frente à transformação digital

Aplicar a transformação digital não é opcional para as empresas que pretendem estar ativas daqui a 5, 10 ou 20 anos. O mundo mudou, os hábitos das pessoas se adaptaram e, hoje, o digital é parte da vida de todos.

Essa mudança, na verdade, é parte de um ciclo infinito. O ser humano sempre vai buscar soluções novas para seus problemas e encontrar formas diferentes de conduzir sua vida.

Na prática, isso quer dizer que todas as áreas do cotidiano estão em constante mudança. Primeiro essas mudanças são incrementais, depois exponenciais. É do segundo caso que surgem os fenômenos como a transformação digital.

Eles são avassaladores e sem volta: é adaptar-se ou sair de cena. E quem busca se fortalecer no mercado precisa se adaptar mais rápido que nunca. Para isso, é vital dar atenção a problemas como os descritos a seguir.

Conflito homem x máquina

O primeiro problema que precisa ser resolvido vem de um entendimento distorcido do que a transformação digital deve ser. Para muitas empresas, as pessoas precisam sair para dar lugar às máquinas. 

É verdade que, em tarefas manuais repetitivas, como linhas de montagem, isso faz todo sentido. Mas não se trata de eliminar os seres humanos do processo produtivo inteiro e, sim, de mudar onde eles atuarão e de que forma.

De nada adianta aplicar os sistemas tecnológicos mais eficazes se não tiver pessoas qualificadas para usá-los dentro de uma estratégia que funciona.

Para ilustrar, podemos comparar o processo de transformação digital com um atleta de fisiculturismo. Algumas empresas pensam que bastam injeções de esteroides para construir um corpo apto a competir nessa modalidade.

Na mente de alguns gestores, é só aplicar uma dose alta o suficiente de tecnologia na empresa, por meio da adoção de sistemas e processos eletrônicos, para ver o crescimento aumentar em ritmo acelerado.

Mas o que realmente faria o efeito desejado é um programa de treinamento intensivo. Além dos suplementos corretos, também entra em cena o treino pesado, a alimentação regrada e descanso apropriado — e tudo isso depende mais do atleta que dos suplementos em si.

O mesmo vale para o ambiente dos negócios. Não se trata de substituir pessoas por máquinas e sistemas avançados, mas de equipar e qualificar os colaboradores para que usem esses sistemas da melhor maneira.

Mudança de cultura do negócio

A segunda dificuldade das empresas é a cultura equivocada que ainda permeia muitas empresas. A transformação digital não favorece exclusivamente quem tem maior verba ou as ferramentas mais novas.

Aliás, o mercado é tão dinâmico que novas ferramentas surgem a cada dia. Entrar nessa batalha é praticamente uma guerra fria com a concorrência. Antes, o segredo está na cultura empresarial.

Enquanto muitas empresas se orgulham de difundir uma cultura digital, a verdade é que nem todas compreendem o escopo real disso. Por exemplo, se a empresa não tem uma ideia clara de como os clientes usam o mundo digital e de como pode se relacionar com eles nesses canais, é pouco provável que tenha uma cultura digital tão forte quanto pensa.

Nesse sentido, não tem outra solução senão deixar para trás os conceitos superficiais e se aprofundar na pesquisa sobre os clientes e o mercado em que atua. Só assim será possível mapear as reais oportunidades inexploradas e montar planos de ação práticos para dominar seu respectivo segmento com força total no digital.

Evolução digital é o caminho a se seguir

Ao observar problemas como os mostrados acima, a própria ideia de transformação digital está equivocada na visão de alguns tomadores de decisão. Nesse sentido, forças que deveriam trabalhar em conjunto, ou seja, humanos e a tecnologia, são feitas rivais.

O principal componente para uma transformação saudável e bem-sucedida, que é pessoas qualificadas operando tecnologia de ponta dentro de uma estratégia completa, é deixado de lado por gestores e decisores que pensam só em robôs substituindo pessoas. Como resolver isso?

Não se trata de injetar tecnologia para implementar essa transformação e, sim, de mudar a maneira como encaramos a relação dos humanos com essa tecnologia. Quando pensamos em transformar algo podemos imaginar um processo que tem começo, meio e fim. Mas a transformação digital não é um evento pontual, e sim um esforço contínuo.

Pense nos maiores exemplos de transformação digital bem-sucedida no Brasil e no mundo. Casos como Magazine Luiza, Nubank e outros, têm sucesso porque mudam constantemente. Se pararem com o processo de evolução, o crescimento se reverte rapidamente para estagnação.

A palavra-chave é justamente evolução. Essa, sim, dá a ideia correta do que significa ser uma empresa digital. A evolução não tem fim, não tem limites e não deve parar nunca. É assim que as empresas precisam encarar o assunto. Quando entendem que o limite é até onde a imaginação e a tecnologia existente permitem ir no momento, tudo muda. 

Quando isso acontece, o principal alinhamento necessário fica evidente como única solução viável: o ser humano é, e sempre será, o componente central para desenvolver a tecnologia. E a tecnologia será apenas a ferramenta usada para entender e lidar com o ambiente em volta. Humanos trabalham para outros humanos, e as máquinas são as ferramentas usadas para alcançar os objetivos da forma mais rápida e eficiente possível.

A mudança de pensamento deve começar dos altos níveis das empresas

Casos como o do Spotify, que conta com a chamada estrutura horizontal de trabalho, sem hierarquia, como a maioria das empresas está acostumada, chamam atenção. Mas isso não quer dizer que todas as empresas precisam mudar de modelo organizacional. Aliás, isso seria outra barreira gigante a romper no início, e poderia atrapalhar mais do que ajudar.

Outro motivo para não se prender demais a essa ideia é que a mudança de pensamento e cultura tem de vir do topo. Quando a liderança da empresa coloca em prática os princípios da evolução digital, todos seguirão sem medo. Por isso, a responsabilidade não deve ser compartilhada entre todos por igual, ao menos no primeiro momento.

É missão dos diretores e gestores montar uma estratégia e colocá-la em prática, para dar não só as direções certas, mas, principalmente, o exemplo de como a empresa funcionará a partir de então. Jogar a bola para os colaboradores de nível operacional é delegar uma função além de seu alcance para gerar crescimento na empresa.

Os primeiros passos para empresas que ainda estão resistentes à evolução digital

É natural ver empresas receosas com a transformação digital. Mas isso não significa que agora seja o momento de esperar — pelo contrário. Na verdade, quem ainda não trabalhou para se tornar digital está atrasado e precisa agir rápido antes que seja tarde demais. Para ajudar essas empresas, esses são alguns passos básicos:

1. Aceitar a realidade o quanto antes

O primeiro passo é atacar de frente o problema da procrastinação, que, geralmente, acontece porque as empresas não entendem a realidade do mercado. A internet faz parte da vida das pessoas em praticamente qualquer lugar do mundo, e a tendência é que isso se intensifique cada vez mais. 

Como essa mudança de comportamento nos hábitos de consumo (e de vida) já afetou o mercado nos últimos 5 anos? É possível que afete os próximos 5 de forma ainda mais drástica. Aceitar essa realidade agora é o primeiro passo para agir sem demora.

2. Estudar a fundo os casos de sucesso 

No Brasil e no mundo, há alguns casos de sucesso que vale a pena estudar. É importante pesquisar a fundo o que está por trás de casos como:

3. Formular iniciativas top-down com prazo definido para funcionar

Por fim, depois de estudar o que já deu certo em outros negócios, os líderes precisam formular iniciativas e definir prazos para implantá-las. É só por meio de teste e aprendizado prático que as empresas conseguem ajustar os processos e se tornarem realmente digitais.

A ideia de testes rápidos e aprendizado mais acelerado ainda precisa fazer parte da cultura das empresas, pois no ambiente digital tudo acontece muito rápido e se permite trabalhar de forma menos engessada que nos modelos tradicionais.

No fim das contas, a transformação digital é mais urgente que nunca, mas não vai funcionar de qualquer jeito. Em vez de vê-la como algo que tem fim, é preciso encará-la como realmente é: uma evolução digital, em que a única constante é a mudança.

Para ler mais sobre transformação digital, veja esse artigo sobre empatia artificial.

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