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A evolução feminina não para

A evolução feminina no mercado de trabalho não para

De acordo com o último relatório do Bureau of Labor Statistics, pela primeira vez desde 2010, a força de trabalho feminina nos EUA está superando a masculina — as mulheres representam 50,4% das folhas de pagamento no país.

Um dos motivos apontados para que isso esteja ocorrendo é que, no último ano, as indústrias dominadas por mulheres, como saúde e educação, criaram, em média, 10 vezes mais empregos do que aquelas ocupadas majoritariamente pelo gênero masculino, como petróleo e gás.

Há bons motivos para ser otimista em relação à evolução feminina no mercado de trabalho, que apesar dos enormes desafios em que esbarra, vem se mostrando cada vez mais expressiva.

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Mudanças culturais são parte da evolução feminina

Outra razão pela qual as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado é que elas estão superando os homens em todos os níveis de educação pós-secundária, possibilitando-as, inclusive, adentrarem em mercados antes predominantemente ocupados por homens, como o da mineração e extração de madeira.

Outro fator relevante nesse contexto, levando em consideração também o cenário de crise econômica, é a busca ávida por talentos. Isso acaba gerando uma flexibilização por parte das empresas e abre espaço, por exemplo, que mulheres que tenham se afastado do trabalho em função da maternidade voltem a ter oportunidades.

É interessante, ainda, observar que os homens têm demonstrado mais disposição para ficar em casa cuidando da família. De acordo com dados da Pew Research Center, o número de pais nessa situação praticamente dobrou entre 1989 e 2016, passando de 4% para 7%. No mesmo período, a porcentagem de mães que ficam em casa caiu ligeiramente de 28% para 27%, sendo que elas gastam muito mais tempo em funções relacionadas à casa e à família.

A partir do momento em que os homens começam a dividir de maneira mais equânime as tarefas do lar com a mulher, que via de regra fica responsável pela maior carga nesse sentido, elas têm mais possibilidades de optar por fazer parte da força de trabalho.

Além disso, dois aspectos contribuíram ao longo do tempo para aumentar a participação feminina no mercado de trabalho: o desenvolvimento de eletrodomésticos que facilitaram as tarefas do lar, como aspiradores de pó e máquinas de lavar, e a queda das taxas de fertilidade. Tendo menos filhos e gastando menos tempo nos cuidados com a casa, as mulheres ganharam mais liberdade em relação à vida profissional.

Em países em que há mais investimentos em benefícios familiares, como acesso facilitado a boas creches públicas, as mulheres também têm mais chances de estar no mercado de trabalho.

O que podemos esperar do futuro das mulheres em um mundo automatizado

Além da disparidade salarial e de oportunidades em relação aos homens — que já se atenuaram com o passar dos anos, mas continuam representando um grande abismo para as mulheres —, elas agora precisam lidar com um novo desafio.

Com os avanços da tecnologia e uma crescente automatização de diversas atividades, o mercado de trabalho como um todo sofrerá grandes transformações, fazendo com que algumas profissões desapareçam e outras sejam criadas.

Para que isso não impacte negativamente a inclusão das mulheres — que já encontra barreiras suficientes —, será preciso adotar medidas criativas. Segundo um estudo da McKinsey, 140 milhões de mulheres terão que mudar de ocupação por causa da automação nos próximos anos. Essa transição precisa ser feita de forma adequada e cuidadosa para que não resulte em perda de postos ou redução de posições no mercado de trabalho para elas.

Uma tendência que pode beneficiar as mulheres neste cenário é a da “marketização” do trabalho doméstico, até então não remunerado, resultando na criação de serviços como assistência a criança, educação infantil, limpeza geral, culinária e jardinagem. 

As mulheres ganham espaço, mas ainda é pouco 

Na lista Fortune 500 da Forbes de 2019, apenas 33 empresas — ou 6,6% — eram lideradas por mulheres. Ainda que seja um recorde e que tenha havido um salto em relação ao ano anterior, quando esse número era de 24 CEOs do g^nero feminino, representando 4,8% do total da lista, é notável que ainda há muito o que evoluir neste aspecto.

A teoria do “penhasco de vidro” evidencia que as mulheres costumam assumir empresas em crise, porque elas estão mais propensas a encarar desafios complexos para agarrar a oportunidade de estar em uma posição de liderança.

Quando as coisas vão mal, as corporações buscam um cenário completamente novo para tentar superar as dificuldades — o que justifica colocar uma mulher na liderança, já que o cenário conhecido, geralmente, é o de um homem nessa posição. No entanto, quando a mulher assume o cargo e consegue colocar ordem nos problemas, a tendência é de que, com tudo normalizado, ela seja posteriormente sucedida por um homem.

Ao mesmo tempo, se as mulheres não conseguem completar a difícil missão de deixar as coisas nos eixos, ela é colocada de lado, o que pode significar que os decisores preparam o terreno para que elas falhem na missão de estar à frente de uma empresa.

Entretanto, é importante ter mulheres em cargos de liderança abrindo caminho para outras, uma vez que existe uma tendência de que profissionais em posições de poder contratem e formem equipes com pessoas semelhantes a eles.

Entre 1980 e 2016, a maioria dos países registrou um aumento na parcela de mulheres empregadas. Mas também é preciso considerar que grande parte das mulheres, principalmente em países mais pobres, ainda estão inseridas na chamada economia informal.

A evolução feminina no mercado de trabalho é benéfica para a sociedade como um todo. A diversidade de gênero no mundo corporativo faz com que talentos não fiquem desperdiçados, além de criar ambientes corporativos mais equilibrados, o que reflete substancialmente nos resultados econômicos, de maneira geral. 

Hoje, as pessoas estão cada vez mais atentas ao posicionamento das marcas e empresas, e preferem consumir daquelas cujos valores representam seus ideais. Assim, adotar uma política de inclusão e eliminar os preconceitos pode se mostrar vantajoso de diversas maneiras, não só para a evolução feminina.

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