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Os freelancers vão salvar sua empresa na nova era digital

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Você contrataria alguém que nunca teve nenhum tipo de educação formal? Alguém que tem muitos trabalhos incompletos? E alguém que além de tudo isso faz muitas coisas ao mesmo tempo?

Não parece ser uma boa contratação, não é mesmo?

E se eu disser que que esse profissional, aparentemente sem foco e conhecimento, é um dos artistas mais renomados do mundo, um dos matemáticos mais respeitados e um engenheiro pioneiro? E se eu disser que esse profissional é ninguém menos que Leonardo Da Vinci?

Além de ter produzido a Mona Lisa e a Última Ceia, Da Vinci é creditado com uma série de inovações científicas que incluem o design de um helicóptero, uma calculadora e até mesmo energia solar.

O que um pintor e inventor do século XV tem a ver com sua estratégia de inovação digital? É isso que nós vamos falar nesse texto, boa leitura!

Os freelancers e seu trabalho dinâmico

Freelancer (freela) é um profissional liberal que trabalha de forma autônoma e presta serviços para empresas ou pessoas por um tempo específico. Ser um freelancer parte da promessa que se pode escolher o que fazer, portanto, você só se ocupa com trabalhos que é capaz e gosta de realizar.

Freelancer são generalistas e capazes de aprender um novo nicho rapidamente. Os “freelas” encontram em seu trabalho a oportunidade de aprender muitas disciplinas, além dos aspectos superficiais de liberdade de escolha de projeto e horário.

Da Vinci foi um freelancer por toda sua vida e o seu trabalho mais seminal, a Última Ceia, foi comissionada por um duque chamado Francisco Sforza.

A falta de talentos qualificados para a nova era digital e a necessidade de flexibilização para escalar um projeto, ou a empresa como um todo, está nos forçando a reimaginar toda a estrutura de trabalho. Essa mudança ocorre no local em que o trabalho é realizado, quando ele é realizado e, cada vez mais, por quem ele é realizado.

Em empresas tradicionais, a utilização de um modelo de trabalho digital é muito desafiadora, já que essas empresas são construídas no princípio de dirigir e controlar. Nas empresas digitais o controle de recursos é substituído pela orquestração de recursos e o controle de pessoas dá lugar ao controle de processos.

Estabelecendo um modelo de trabalho para freelancers

Em uma análise feita em 1998, Peter Drucker argumenta que, na visão tradicional, a função da administração é dizer aos funcionários o que fazer. Drucker questiona o motivo de grande parte de função administrativa ser tornar o trabalho dos funcionários mais difícil.

A ideia de que o modelo de trabalho tradicional está ultrapassado não é nenhuma novidade, mas mesmo após 20 anos de publicação, os argumentos de Drucker continuam representando o modelo atual.

Por que acreditamos em um modelo criado para a realidade do século XIX, baseado em microgerenciamento, hierarquia e padronização? Por que não podemos adquirir um pensamento colaborativo, flexível e interativo com o foco em pessoas? Por que não podemos usar um modelo onde a tecnologia não é vista como uma ameaça as pessoas, mas um parceiro de funcionários e cliente?

De acordo com Charles Handy, encontramos três modelos mentais tradicionais que impedem a mudança para o pensamento digital:

1. Chefe vs. Líder

A velha discussão entre chefe e líder é um argumento chave sobre a mudanças de paradigmas organizacionais.

Gerenciamos coisas, não pessoas. Um chefe assume que as pessoas são recursos que devem ser gerenciados e enxergam a empresa como uma máquina que pode ser ajustada e otimizada.

Líderes reconhecem as pessoas como seres humanos que precisam ser persuadidos e inspirados. Gestores falam sobre eficiência e controle, líderes falam em missão e propósito.

Não se engane, precisamos tanto de líderes quanto de gestores em qualquer organização, observando o lugar de cada um. Muito gerenciamento e pouco liderança constituem um local de trabalho insuportável, onde as pessoas vão trabalhar mais por obrigação que por vontade e não utilizam todo seu potencial.

Muita liderança e pouco gerenciamento formam um lugar onde nada se concretiza e um líder sempre precisa de um implementador ao seu lado.

2. Confiança vs. Controle

O pensamento de que confiança é mais barato, mas controle é mais seguro está embutido em nossas mentes industriais. Queremos gerenciar tudo e todos o tempo todo, mesmo sabendo que é uma tarefa impossível e inefetiva.

Com a tecnologia temos a oportunidade de ter informações holísticas e em tempo real sobre todos os detalhes de todos os processos da empresa. Atrelado à ela deveria estar um termo de uso onde nos comprometemos a apenas usar a informação apenas para identificar anomalias e não para olhar sobre os ombros das pessoas.

No mundo moderno a maior arma que alguém pode possuir é a informação. A Google é a maior detentora de informação do mundo e pretende obter e organizar todos os dados do planeta. Com essa enorme responsabilidade a Google mantém em seu core apenas um propósito: faça a coisa certa.

3. Eficiência vs. efetividade

Não existe nada mais contraproducente que fazer da forma mais eficiente algo que não deveria ser feito. A eficiência é uma mera questão de velocidade e não envolve a qualidade ou o motivo de estar fazendo algo.

Na sua busca incessante por produção em massa, o modelo tradicional muitas vezes ignora a importância da efetividade do processo. E foca na busca constante por otimização e rapidez.

Uma gestão eficiente busca fazer as coisas de maneira correta enquanto uma gestão eficaz busca fazer as coisas certas de maneira correta. Existem inúmeros casos de produtos que chegaram ao mercado sem estarem prontos – lembra do windows vista? – isso ocorre devido ao foco na eficiência em detrimento da efetividade.

Conclusão

Claro que nem todo freela que trabalhar pra você vai ser um Leonardo Da Vinci, mas a possibilidade de trabalhar com talentos de qualidade por um custo marginal é certamente atraente e pode se tornar essencial para sua estratégia de transformação digital.

Os sinais das mudanças no mercado de trabalho estão presentes há um tempo e podemos estar perdendo a chance de aproveitá-los. Se você quer entrar nessa onda e fazer parte do seleto grupo de empresas que sobreviverão à revolução confira nossos posts sobre transformação digital.

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