Artigos

Uma geração sozinha não traz inovação

Gerações passadas e atuais devem se juntar em busca de inovação

Inovação. A palavra brilha como um ponto de luz numa sala escura. No mundo corporativo contemporâneo inovação é o que leva uma empresa a deixar de ser uma promessa para ser um unicórnio, entre muitas outras coisas.

Mas a inovação não brota do nada. Costuma ser resultado de trabalho pesado, muitos erros — porque sem eles não há acertos — e diversas outras condições. Equilíbrio, processos bem desenhados, retenção de talento e diversidade são algumas das muitas exigências para construir um ambiente inovador.

Uma questão sensível, entretanto, é a faixa etária dos colaboradores dentro das empresas. Seja nas startups, seja nas gigantes multinacionais, a média de idade costuma estar entre 30 e 35 anos.

Enquanto isso, gestores tentam entender cada uma das gerações, suas potências e como harmonizar idades diferentes em um ambiente corporativo.

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Powered by Rock Convert

A inovação que veio das gerações passadas

Na SAP, uma multinacional com mais de 40 anos, ou no iFood, uma startup brasileira a caminho de ser declarada unicórnio — ambas com uma força de trabalho majoritariamente na faixa dos 30-35 anos —, uma preocupação emerge: como se manter à frente sem perder em inovação?

Existem muitas receitas e boas práticas colocadas na mesa. Ambientes saudáveis, engajamento, pertencimento e diversidade. Na última, a complexidade se aprofunda. Diversidade não é só de gênero e de raça, mas também de faixa etária. É neste caldo complexo que surge a necessidade de incluir os “mais velhos” — a geração que está entre 50 e 60 anos, os que nasceram antes de 1980.

Talvez esse processo tenha começado quando alguém fez as contas e descobriu que Jeff Bezos, fundador da Amazon — o negócio mais disruptivo da virada do século, que ainda deixa a sua marca e estratégias em novos negócios —, é um GenX. O Global Leadership Forecast 2018 mostra que, entre 25 mil líderes de empresas em 54 países e 26 setores, 51% pertence a esta geração.

Eles têm em média 20 anos de experiência no mercado. Embora não seja nativa do mundo digital, essa geração tem a mesma facilidade no uso e promoção da tecnologia que a geração millennials, mas com muito mais “soft skills”. Mesmo assim, uma pesquisa mostra que é a geração que menos recebe promoções nas empresas.

Além de misturar raças, gêneros e estratos sociais, as empresas podem e devem ter várias gerações convivendo dentro de seus escritórios. Essa convivência é interessante para todos e promove maturidade, inovação e equilíbrio de maneira geral.

Tecnologia e soft skills juntas

Para não se perder na confusão dos nomes geracionais: Baby Boomers são os nascidos após a 2ª Grande Guerra, entre 1944 e 1964; a geração X veio entre a anterior e o começo da década de 1980; a geração Y — ou millennials —, as pessoas que nasceram entre 1984 e 1996; e a geração Z, depois de 1997.

A definição de senioridade é uma questão de ponto de vista. Se o sênior, no mundo “lá fora”, é quem tem mais de 60, no ambiente corporativo, há enorme variação — algumas startups nem conversam com quem tem mais de 35 (GenY).

Acontece que, desde 2017, temos já quatro gerações se encontrando dentro dos escritórios, segundo o estudo feito pelo INSEAD e publicado na Harvard Business Review, que mostra a existência de diferenças significativas entre os comportamentos das gerações de acordo com a região do mundo.

No contraponto estão as novas gerações. De forma genérica, pode-se dizer que a Gen Y é muito ambiciosa e a Gen Z busca liberdade. E aí começam os atritos.

Para resolvê-los, nada como desenhar processos e instituir políticas que permitam que todas consigam conviver de maneira harmoniosa. Afinal, a GenX deve ficar no mercado por pelo menos mais 10 anos e os mais jovens por mais 30.

Leia também

Geração prateada

Construindo pontes e criando novos futuros

Sim, diversidade é bonita e também conflituosa. É bastante fácil entender a homogeneização de ambientes: os conflitos cessam — e também inovam muito pouco. Ao escolher administrar e viver conflitos, é mais provável colher inovação e sucesso.

A construção de pontes exige inteligência emocional, uso de ferramentas adequadas, respeito, evitar as generalizações, evitar o preconceito com relação à idade e respeitar as diferenças geracionais.

A Geração X é poderosa. Tem poder de consumo, usa tecnologia e tem experiência de vida. Não a perca de vista e proporcione trocas. Como ela tem sede de conhecimento, em geral vai apreciar oportunidades de aprendizado com os mais jovens — e também tem muito a transmitir a eles. Comunicação é a chave: incentive, estimule, coordene esforços. Reuniões, calls, mensagens, e-mails, artigos colaborativos: vale tudo para unir e compartilhar conhecimento nas equipes.

Para criar esse ambiente em que a comunicação possa fluir, respeito é fundamental. Reconhecer as diferenças, as subjetividades, os contextos e condições garante a todos que processos, projetos e trocas possam acontecer de forma equilibrada. Isso também promove o entendimento quando as discordâncias acontecerem.

Quando o assunto é diversidade, uma das chaves é evitar os estereótipos. Sim, há diversas generalizações nesse cenário. Como diz o especialista em marketing Aj Agrawal: é preciso tratar cada um como uma pessoa, não importa a sua idade ou a que geração pertence. Criamos perfis e personas para facilitar a comunicação, mas cada um é único e levar isso em conta mantém a equipe satisfeita e produtiva.

Ao criar esses processos, sua empresa vai incentivar o fim de preconceitos com idade — sim, os mais velhos também são digitais — e, por meio da empatia, promover a troca de conhecimentos e experiências.

Construa o seu próprio caminho

Falar de diversidade nunca é simples. A complexidade exige que cada um, dentro da sua realidade, faça o melhor que puder. Se você quer e precisa de inovação para estar na liderança da sua indústria, invista esforço e tempo para planejar e executar seu plano de conquista.

É bom lembrar que não há perfeição. Há alguns bons exemplos à disposição, mas cada empresa tem que buscar, de acordo com a sua realidade, contexto e necessidade, a resposta mais adequada para si. Comprar as tais “receitas prontas” pode levar a maus resultados. E a construção desse futuro integrado, em que todos aprendem com todos e se respeitam não é coisa que aconteça do dia para a noite.

Também nessa nota, vale a pena refletir se o seu time de marketing é moderno e sabe como atuar perante a várias situações contemporâneas.

Publicações relacionadas
Artigos

Sistemas de gestão de aprendizagem auxiliam a aumentar o LTV de empresas

Artigos

Como o Facebook ainda está crescendo?

Artigos

Compaixão e liderança vão bem juntas?

Artigos

A Mídia Out-Of-Home durante o coronavírus