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15 lições que aprendi durante 2 anos gerenciando as pesquisas Rock Content

gerenciamento de pesquisas

Há quase 2 anos e meio, eu entrei na Rock Content. De lá para cá, muita coisa mudou. Isso vale tanto para a empresa quanto para mim, em termos de crescimento pessoal e profissional.

Comecei como estagiária de consultoria em Inbound Marketing, com nenhuma experiência no mercado, e que ainda estava descobrindo um pouco melhor esse universo de Marketing Digital. Mas como aqui a evolução é muito rápida e o aprendizado é diário, fui crescendo muito ao longo de 2015.

Naquele ano, eu ainda não atuava no time de marketing e muito menos trabalhava com pesquisas. Mas alguns caminhos e escolhas me levaram a ter contato com elas, até chegar a gerenciar o time de Inteligência.

Neste post, vou te contar qual foi a minha trajetória até o momento e 15 lições que eu aprendi desde que assumi a coordenação das pesquisas de marketing da Rock Content.

O caminho até as pesquisas

Nesse mesmo ano (2015), a Rock Content realizou sua primeira pesquisa, a Content Trends: Tendências do Marketing de Conteúdo. Naquela época, ainda não tínhamos um profissional dedicado a isso (e muito menos um time, como temos hoje).

Por isso, o Diego Gomes, nosso CMO, trouxe a Clara Borges para participar do projeto que seria um estágio de verão para ela. O resultado foi incrível: 2233 respondentes em 4 dias e mais de 4000 downloads feitos até hoje.

Com tanto sucesso, não poderíamos parar em uma só pesquisa. Mas como fazer isso sem um analista dedicado?

Foi aí que eu e a Bárbara Legnani fomos convidadas pelo Diego para construirmos a segunda pesquisa da Rock, a MarTech 2015: benchmarks de marketing digital para empresas de tecnologia.

Nós aceitamos e eu trabalhei mais focada na parte de análise de dados. A pesquisa foi mais um material de sucesso, e como bom CMO, o Diego não iria parar ali (novamente).

Assim, no fim do ano, recebi mais dois convites dele: apoiar mais uma pesquisa — a Panorama das Agências Digitais 2016 — e trabalhar no marketing da Rock Content. E assim começou minha jornada de gerenciar as pesquisas, até chegarmos hoje no Inteligência Rock Content.

As lições aprendidas

Depois de tanto tempo coordenando a produção de pesquisas, e agora gerenciando também o time de Inteligência, posso dizer que aprendi muito.

Muitas dessas lições são valiosas, e não valem apenas para quem produz pesquisas como nós, mas sim, para diversas situações. Por isso, resolvi compartilhar aqui meus principais aprendizados desse período:

1) Assumir projetos novos é difícil, mas muito gratificante

Desenvolver a MarTech foi um grande desafio, daqueles que dá um frio na barriga de enfrentar.

Além da responsabilidade de fazer um bom trabalho depois do sucesso da nossa primeira pesquisa, precisei estudar bastante para conseguir fazer as análises.

Minha experiência com Excel era bem pequena: o pouco que conhecia havia aprendido na faculdade e na base da descoberta mesmo (leia-se: fuçando o programa). Então, seguindo dois dos valores da Rock Content, precisava aprender e correr atrás para resolver e entregar a pesquisa.

Mas como a própria lição já diz, a sensação de entregar o projeto pronto e ter resultados incríveis é muito gratificante. Além de ter sido uma oportunidade de crescer ainda mais profissionalmente, o relatório da MarTech trouxe várias estatísticas que o mercado não tinha e ainda nos rendeu um elogio direto do nosso CEO, Edmar Ferreira.

2) Estudar e aprender constantemente é essencial

Apesar de já ter aprendido muito na primeira pesquisa, o estudo não para por aí — e nunca deve parar. Ano a ano, antes de produzir pesquisas inéditas ou uma nova edição de outras que já fazemos, sempre avaliamos benchmarks de outras pesquisas. Com isso é possível aprender novas técnicas e melhorar ainda mais aquilo que entregamos.

Além disso, mesmo depois de ter aprendido mais sobre Excel e ter feito a minha primeira pesquisa, ainda não sabia utilizar várias das suas funções, o que me tomava muito mais tempo para fazer uma análise.

Aprender sempre é necessário para buscar melhorias contínuas, descobrir tendências e mudanças e estar sempre atualizado. Não é à toa que esse é um dos principais valores da Rock Content!

3) Todos podem aprender a fazer análises

Trabalhando com marketing digital, tenho muitos colegas formados em cursos de humanas, como Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Letras… e já perdi as contas de quantas vezes escutei: “não sei fazer análise, nem mexer com números e cálculos, muito menos usar o Excel…”.

Mas a verdade é que todos podem conseguir. Para calcular utilizando uma ferramenta como o Excel, basta aprender como e quais fórmulas aplicar. Você não precisa se tornar o expert do Excel avançado, mas as funções básicas já te ajudarão muito!

Mesmo que você não tenha experiência alguma com isso, procure alguém que tenha, tire dúvidas com essa pessoa, busque cursos e aprenda colocando a mão na massa.

4) Escolher e ter bons parceiros na pesquisa é excelente…

Pesquisas, além de nos fornecerem informações relevantes sobre o mercado, são ótimos materiais para gerar leads e visibilidade para nossa marca. E ter parceiros é uma boa maneira de potencializar esses resultados.

Eles podem auxiliar tanto na produção do material quanto na divulgação do questionário e do relatório. Além disso, dependendo dos termos da sua parceria, eles também podem apoiar na definição de hipóteses, e na construção das perguntas para o formulário.

Esse foi um dos meus principais aprendizados: já tivemos ótimas experiências com parceiros, como a Resultados Digitais. Mas para escolher, é preciso levar em consideração:

  • Se o público das duas empresas conversa entre si, ou tem interesses semelhantes;
  • Se o tema da pesquisa faz sentido para ambas as empresas;
  • Parcerias e comarketings prévios: sempre avaliamos isso, porque se já deu certo anteriormente, há grandes chances de construirmos uma nova boa parceria.

Entretanto, uma dica para ter uma boa parceria é definir antes do início do projeto quais são as responsabilidades de cada um. Se isso não for feito, há grandes chances de você cair no próximo aprendizado.

5) …mas ter muitos parceiros ou parceiros ruins é péssimo

Por mais que o apoio seja interessante, é preciso muito cuidado. Por exemplo, ter muitos parceiros não é uma boa opção. É difícil chegar a um consenso entre todos eles, e isso pode desviar a sua pesquisa do foco inicial. Isso é algo que aprendemos, depois de errar, a evitar.

Além disso, claro, é preciso tomar cuidado com a escolha de parceiros ruins. Se eles não se encaixarem em nenhum dos critérios do tópico anterior, é bom ligar o alerta!

Se você não consegue fazer uma ampla divulgação sozinho, uma alternativa aos inúmeros parceiros é ter apoiadores apenas na divulgação. Eles te ajudarão a disseminar a pesquisa, mas sem participação na sua construção.

6) É preciso arriscar e perder a vergonha

Para impulsionar seus resultados, além de encontrar apoiadores, uma opção é divulgar press releases na mídia e fazer guest posts.

Pode ser que você já tenha alguns contatos de jornalistas ou de blogs em que você poderia publicar, mas nem sempre esse é o caso.

Mas se você quer realmente fazer um bom trabalho de divulgação, é necessário perder a vergonha e entrar em contato! Esse foi um aprendizado importantíssimo, e que já rendeu bons frutos — como a publicação das nossas pesquisas no eMarketer.

7) É preciso muita organização nos processos

Esse, na verdade, é um aprendizado que não vale apenas para pesquisas. Organização faz toda a diferença, ainda mais em um trabalho que envolve dados, processos e prazos.

Primeiramente, é preciso ter organização para criar e seguir um cronograma. Em pesquisas, por melhor que seja o seu planejamento, é preciso trabalhar com imprevisibilidade.

Prazos para coleta de dados são extremamente variáveis, por exemplo. Nem sempre você vai conseguir alcançar o número de respostas no período programado, mas a base para contornar essas eventualidades e cumprir com as datas é ter um cronograma ajustável.

Entretanto, para alcançar essa organização, é preciso compartilhar o seu planejamento e o cronograma com todos os profissionais envolvidos no projeto. Assim, você reduz os riscos de atraso mesmo nas etapas em que você não participa diretamente.

8) As ferramentas fazem toda a diferença

Em pesquisa, percebi que as ferramentas que utilizamos fazem toda a diferença. Isso vale para diversas etapas.

Ainda na coleta de dados, a plataforma utilizada deve ser escolhida com cuidado. Se ela proporcionar uma experiência ruim para o respondente, existem grandes chances de a sua taxa de finalização (em relação àqueles que acessaram o formulário) ser baixa.

Além disso, é importante avaliar quais funcionalidades essas plataformas oferecem e de quais delas você realmente necessita. No nosso caso, é importantíssimo que a função de logic jump esteja disponível, já que a utilizamos em todos as nossas pesquisas.

Essa função ajuda a construir o questionário de maneira que algumas perguntas apareçam somente para pessoas que selecionaram determinadas respostas.

Também é preciso escolher uma boa ferramenta para a análise. No nosso caso, o Excel ou o Google Sheets nos atendem bem, mas dependendo da complexidade do projeto, pode ser necessário utilizar uma plataforma mais completa.

9) Prepare-se para se surpreender

Ao criar uma pesquisa, você mesmo que inconscientemente desenvolve hipóteses sobre os resultados. Na Content Trends, por exemplo, queríamos provar nossa tese de que empresas que adotam Marketing de Conteúdo geram mais visitas e mais leads.

Felizmente, em 2016 e em 2017 os resultados nos mostraram exatamente isso! Mas nem sempre isso acontece, e pode ser que as respostas não sejam o que você esperava — e isso já aconteceu conosco.

Isso não é nenhum grande problema, mas antes de realizar uma pesquisa, é preciso saber que essa possibilidade existe. De qualquer maneira, os dados são relevantes para compreender o mercado, então você pode, ainda assim, utilizá-los como informação interna.

10) Nunca lançar materiais sem antes revisar incansavelmente

É com os erros que nós aprendemos, e isso ficou bem claro desde a primeira pesquisa.

Cada um dos nossos relatórios tem, em média:

  • 50 páginas;
  • 4000 palavras;
  • Entre 40 e 50 gráficos.

Além de incontáveis estatísticas e porcentagens. Isso significa que a chance de alguns erros passarem é grande, por isso é importantíssimo revisar muito.

Sempre soubemos disso, mas acredite ou não, algumas das nossas pesquisas já chegaram a ser lançadas com problemas no texto e até mesmo estatísticas e gráficos errados — mesmo após revisões.

Isso acontece porque é muito comum não conseguirmos perceber mais os erros depois de ver um material muitas vezes. Para evitar isso ao máximo, eu aprendi que o mais importante é pedir para o máximo de pessoas do seu time te ajudar na revisão.

Assim você une forças para encontrar problemas, otimiza seu tempo e ainda reduz a possibilidade de lançar um material com erros.

11) É necessário revisitar pesquisas anteriores e aprimorá-las

Todas as pesquisas Rock Content são realizadas anualmente e, por mais que tenham ficado incríveis no anterior, é importante revisitá-las para fazer modificações e atualizá-las.

Em geral, mantemos a mesma base do questionário, mas acrescentamos novas perguntas e hipóteses, para explorar ainda mais o mercado e deixar o relatório mais completo.

Mais uma vez, por isso é tão importante estudar benchmarks de outras pesquisas e acompanhar novidades, como vimos no 2º aprendizado.

12) Ter apoio do time e de influenciadores para disseminar é importante

Com a carência de dados sobre o mercado brasileiro, em geral, pesquisas de marketing são materiais que tendem a fazer bastante sucesso. Mas além de ter apoiadores e investir em maneiras de divulgação na mídia, as redes sociais são uma arma poderosa para divulgá-las.

Mas para disseminá-las mesmo nesses canais, não basta divulgar no perfil da sua empresa. Peça para todo o seu time compartilhar e entre em contato com influenciadores. Isso com certeza vai ampliar o alcance do seu material!

13) Pesquisas trazem (muito) resultado

Agora vamos à parte boa. As pesquisas trouxeram bons resultados para a Rock Content? Sim, com certeza! Vamos a eles:

  • Em 2 anos, geramos mais de 31 mil leads e contamos com a participação de mais de 13 mil pessoas de todo o país, que responderam aos nossos formulários;
  • A Content Trends, em 2016, ficou entre os 5 materiais mais baixados em todas as nossas filas (small business, mid market, enterprise e agências);
  • As estatísticas se tornam argumentos de vendas, então as pesquisas são ótimos materiais de sales enablement;
  • Rock Content como referência em pesquisas. Várias pesquisas e estatísticas são citadas em diversos blogs, sites e até mesmo em palestras.

14) Mas é preciso sempre buscar ainda mais resultados

Ao final de 2016, já tínhamos produzido 13 pesquisas e obtido resultados incríveis. Mas ainda sentíamos falta de desenvolver isso ainda mais.

Para isso precisávamos de uma central de dados e estatísticas, que fizesse a autoridade da Rock crescer como referência em pesquisas. E daí surgiu a ideia do Inteligência, que foi um passo bem grande para o alcance desse objetivo e para o crescimento do time.

E o resultado é esse site aqui, em que você está lendo este conteúdo!

15) Gerenciar pesquisas é bom, mas desenvolver pessoas é ainda melhor

Esse é um desafio que eu ainda estou vivendo, e também um aprendizado diário. Como contei no início deste post, comecei na Rock Content como estagiária de consultoria, para depois me tornar analista de marketing responsável pelas pesquisas.

Mas a necessidade de produzir cada vez mais materiais também levou à necessidade de fazer o time crescer. Há exatamente um ano, entrou a primeira integrante do time de pesquisas, a Letícia Fonseca.

Entretanto, o time de pesquisas cresceu ainda mais, e hoje já tem um blog próprio, o Inteligência Rock Content. E como duas pessoas não dariam conta de produzir 12 pesquisas anuais e gerenciar um blog sozinhas, trouxemos também a Agnes Rabelo, nossa produtora de conteúdo.

Antes disso, eu nunca tinha gerenciado ninguém. Então tive que ir aprendendo por meio da prática, dos estudos, da experiência que tive com outros excelentes gestores, a quem eu devo muito: Bárbara Legnani, Diego Gomes e Renato Mesquita, além de tantos outros com quem eu convivo e me inspiro em, todos os dias na Rock.

E por que gerenciar pessoas é ainda melhor do que gerenciar pesquisas? Pela oportunidade de crescimento e aprendizado com aqueles que você lidera e pela maneira como você consegue impactar essas pessoas. Ver o desenvolvimento e a evolução do time é incrível!

Conclusão

Por mais que você não faça pesquisas, grande parte dessas lições se aplicam a outras situações e materiais. E vários deles não são estáticos: representam situações que eu ainda vivo todos os dias.

São 2 anos de muito crescimento aqui na Rock Content e sei que ainda tenho muito mais a aprender também.

Espero que, de alguma maneira, essas lições também se apliquem ao seu dia a dia. Se você se identificou com alguma delas, comente aqui e não deixe de conhecer todas as nossas pesquisas.

About author

Head de Inteligência em pesquisas na Rock Content. Apaixonada por marketing digital, séries e chocolate.
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