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Essencial e visível — O que configura uma boa gestão durante uma crise

Gestão de crise em tempos difíceis

Se considerarmos os últimos quinze anos, já tivemos a crise financeira global de 2007-2008, o ciberataque em massa perpetrado pelo crypto-ransomware WannaCry, em 2017 (com sequestro e vazamento de dados), e a pandemia recente do novo coronavírus.

Cada evento desses afetou centenas de milhares de empresas no mundo todo, gerando desafios para a sobrevivência delas. A área de gestão em tempos conturbados atua tanto para ajudar a organização a lidar com esses problemas de escala global, quanto para solucionar questões locais ou que dizem respeito especificamente ao negócio.

Como exemplo, temos: uma crise de imagem, uma mudança comportamental ou de legislação que impacte as vendas ou algum problema fiscal que envolva a fiscalização do governo. Em todas essas situações existem pontos importantes com os quais a empresa deve se atentar.

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A empresa não pode esquecer do fator humano de toda crise

Antes de mais nada, os líderes não devem esquecer as pessoas que mantêm uma empresa de pé. Elas são essenciais não só para a manutenção das atividades, como também para o seu crescimento no mercado. Por isso, é importante assegurar um ambiente de trabalho saudável para garantir inclusive que esses colaboradores consigam ajudar a organização a superar a crise.

No caso de pandemias ou de ataques cibernéticos que deixam a empresa sem seus sistemas, é preciso estabelecer alternativas de trabalho para os colaboradores. Isso precisa ser pensado de modo a não sobrecarregá-los ou colocá-los em risco.

Algumas alternativas são o trabalho remoto (o popular home office), no caso de doenças que se espalham; e a utilização de instalações e equipamentos temporários, durante problemas na infraestrutura tecnológica da empresa.

Além disso, é necessário que a empresa mantenha uma comunicação transparente com seus colaboradores. Isso é importante, inclusive, para aqueles setores essenciais que não podem parar, como saúde e energia.

O estudo “Willing and Able— Building a crisis resilient workforce”, da consultoria Deloitte, feita com mais de 300 funcionários e 21 profissionais seniores em resiliência e gestão de crises, corrobora com esse ponto. A pesquisa indica que para 64% dos funcionários pesquisados, as informações de seus empregadores e a comunicação durante qualquer crise surtiria um efeito na vontade de voltar ao trabalho.

Contudo, o mesmo relatório apontou a importância de implementar medidas de segurança para os colaboradores poderem retornar às suas atividades profissionais em caso de crise envolvendo questões de saúde.

De acordo com referências citadas na pesquisa, 77% dos profissionais da área de mídia, por exemplo, esperariam que seus empregadores oferecessem medidas de proteção, como tratamento e medicamentos necessários. Isso para os casos em que ir ao trabalho os colocam em risco.

O estudo também levantou outras medidas preventivas importantes esperadas pelos participantes, como o fornecimento de máscaras, álcool em gel, instruções para lavagem das mãos etc.

Essas ações podem mostrar a preocupação da empresa com o seus colaboradores, contribuindo para a superação de tempos difíceis.

Habilidades para enfrentar uma crise

Existem habilidades fundamentais para lidar com uma crise que precisam ser desenvolvidas para quando forem necessárias. Veja algumas das principais:

  • versatilidade é importante para gestores, de modo que possam realizar funções generalistas. Isso inclui desempenhar atividades operacionais para apoiarem seus colaboradores, especialmente se for necessário enxugar o quadro;
  • capacidade de adaptação, de inovação e criatividade são essenciais, pois possibilitam encontrar soluções para lidar com os novos desafios e, até mesmo, conseguir aproveitar oportunidades que deles surjam;
  • inteligência emocional para lidar com o estresse e com situações que fazem com que muitos profissionais se desanimem ou se sintam ansiosos. A capacidade do líder de controle emocional pode impactar os liderados de forma positiva ou negativamente.

Durante e depois: como lidar com uma crise

Para lidar com a crise, é preciso montar planos de contingência bem estruturados para cumprir os objetivos da empresa — tanto no aspecto operacional quanto na gestão.

Isso é importante principalmente se o negócio trabalha com produtos e serviços essenciais, isto é, cujo fornecimento não pode parar. Os planos precisam abordar o pós-crise também, uma vez que os efeitos de tempos turbulentos tendem a perdurar por certo período.

Vale destacar que, caso sua empresa não tenha como manter postos de trabalho e precise reestruturar seu quadro de funcionários, é importante estabelecer medidas que forneçam apoio tanto para os que sairão quanto para os que permanecerão no negócio. Nesse caso, algumas ações que podem ser adotadas são:

  • constituir um pacote de indenização com base no tempo de empresa de cada trabalhador;
  • fornecer suporte para a recolocação desses profissionais;
  • estender o plano de saúde por seis meses após a saída do colaborador;
  • formar um banco de candidatos qualificados com os profissionais que sairão para recontratações quando a situação do negócio melhorar;
  • realizar workshops, oferecer conteúdo e fornecer apoio de carreira para ajudar os ex-funcionários a melhorarem seus currículos e, consequentemente, a empregabilidade deles;
  • fornecer apoio para os colaboradores que ficaram, a fim de evitar perda de motivação e outros possíveis problemas psicológicos. Isso é fundamental não só para a empresa superar a crise, como também para se manter eficiente e com bom desempenho depois dela.

Velocidade sempre será necessária

Velocidade de resposta a momentos difíceis é um diferencial que pode garantir a sobrevivência do negócio e, além disso, evitar os danos causados pela crise. Por isso, é importante que a equipe de gestão de risco já esteja estruturada e com planos de ação em tempos amenos ou de prosperidade para a empresa. Idealmente, também já deve existir um orçamento para implementação dessas atividades e uma equipe treinada.

Dessa forma, quando a crise surgir, a empresa estará melhor preparada para lidar com ela e mitigar seus impactos a curto, médio e longo prazo. Deixar para estruturar uma equipe de gestão de crise somente quando já houver graves problemas não só poderá fazer com que a resposta a essas dificuldades seja lenta, como ameaçará a sobrevivência do negócio.

A velocidade deve ser uma constante na empresa, isto é, não pode ser apenas interna ou baseada em reestruturação de quadros de colaboradores. É preciso rapidez na formulação de respostas para consumidores, fornecedores e outros stakeholders da empresa, uma vez que eles também poderão ser impactados pela crise ou por problemas derivados do seu negócio.

É comum que os ânimos se exaltem, o bem-estar organizacional se deteriore e ocorra uma queda na produtividade em tempos de crise. Portanto, além de lidar com os seus efeitos mercadológicos, é fundamental gerenciar o fator humano e buscar manter sua equipe unida e engajada para superar os momentos difíceis.

Nesse sentido, confortar colaboradores, ser transparente com a equipe e manter uma boa relação com os seus parceiros, ou seja, com aqueles que ajudam a construir a empresa são práticas importantes para uma boa gestão em tempos difíceis.

Aproveite agora para conferir expectativas sobre o futuro pós-coronavírus e conseguir preparar seu negócio para lidar com esse novo cenário.

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