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O início do Disney+ é um sucesso, mas isso durará até quando?

O início do Disney+ é um sucesso

Qual é a sua opinião sobre melhorar o faturamento da sua empresa em mais de 50 milhões de dólares em menos de dois meses? Parece interessante e quase impossível para boa parte delas. Mas o início do Disney+ rendeu essa quantia a The Walt Disney Company, comandada pelo CEO Bob Chapek.

No mundo dos streamings e seguindo a linha de consumo de conteúdo sem interrupções (um abraço ao Inbound Marketing), o sucesso inicial do Disney+ é um dado para se considerar, ainda que a Netflix siga soberana no território — com mais de 160 milhões de assinantes em todo mundo, segundo o USA Today. Além dela, seguem com números mais modestos: HBO Go, Apple TV, Hulu (que é da Disney) e PrimeTV, da Amazon.

O início do Disney+ surpreende — e muito!

O início exato do Disney+ se deu no dia 12 de novembro de 2019. Os primeiros países a contarem com a assinatura foram Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Holanda, Austrália e o território americano de Porto Rico.

De acordo com matéria da Forbes, apenas em 2019, foram mais de 30 milhões de downloads do app Disney+ na versão mobile, o que rendeu uma receita bruta de 50 milhões de dólares à empresa. Porém, o mobile não é a única forma: é possível acessar o streaming via consoles de PS4 e Xbox One, assim como as plataformas para Android TV, Chromecast e Apple TV.

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Logo após o lançamento, as ações da Disney tiveram crescimento de 7,35%, enquanto as da Netflix caíram 3,1%, como aponta a CNBC. Trata-se de um começo estrondoso e até esperado, já que estamos falando da companhia que, praticamente, inventou o entretenimento com os cartoons de um rato.

Quem resiste ao baby Yoda?

Uma das comunidades de fãs mais engajada nesse mundo é o pessoal que consome a franquia Star Wars. No longa de 2015, O Despertar da Força, a bilheteria superou US$ 2 bilhões. 

Claro que muitos desses fãs movimentaram-se para assinar o serviço ao saberem que a estreia do Disney+ viria acompanhado do lançamento de The Mandalorian. A série se passa alguns anos após o Episódio 6: O Retorno de Jedi, de 1983 e mostra um ser da raça do Yoda em uma versão bebê.

Mas nem só de Guerra nas Estrelas se faz um streaming: o Disney+ chegou ao mundo com uma série baseada no sucesso adolescente High School Musical e uma boa dose de nostalgia, com as animações clássicas de Bambi, A Dama e o Vagabundo, O Rei Leão e Mogli.

A fórmula do início do Disney+ pode ser reduzida em muita nostalgia infantil + conteúdos inéditos que engajam + mais nostalgia adolescente. Claro que tudo isso com o toque mágico da empresa de entretenimento.

Nem tudo é perfeito no meio desse sucesso…

Da mesma forma que ganhou rapidamente muitos assinantes, o Disney+ passou a perdê-los assim que os oito episódios de The Mandalorian chegaram ao fim. Muitos fãs, inclusive, anunciaram o fato nas redes sociais.

Quem assina a série é Jon Favreau, bem famoso por seu toque de midas em O Homem de Ferro e Vingadores. Ele já está trabalhando com a equipe para a próxima temporada de The Mandalorian, para o outono de 2020 no Hemisfério Norte, ou seja, nossa primavera. 

Dessa maneira, é possível que muitos assinantes retornem ao Disney+ em breve, uma medida de economia quase mandatória para um público que tem diversos streamings à disposição.

Outro ponto levantado pelos usuários e apontado pelo site Polygon é quanto ao sumiço inesperado de alguns filmes do catálogo do Disney+. Dr. Dolittle, Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, Esqueceram de Mim 1 e 2, e Se Brincar o Bicho Morde desapareceram sem deixar rastro ou aviso da Disney aos usuários.

É possível que isso não passe de algum problema técnico possível de concertar antes do lançamento mundial do streaming, mas é fato que os usuários reclamam e estão em seu direito.

A Netflix não se incomodou (muito)

Se a gigante dos streamings se incomodou muito, ainda é cedo para dizer. Mas que o Disney+ a afetou, isso é fato. De acordo com uma matéria do The Hollywood Reporter, 1,1 milhão de assinantes da Netflix migraram para o streaming da Disney.

O site também revelou que 19,4 milhões de entrevistados eram assinantes tanto do Disney+ quanto da Netflix, ou seja, sempre cabe mais um no bolso. Aliás, quanto aos preços, a Disney+ custa US$ 6,99 ou US$ 12,99/mês, com Hulu e ESPN+. Enquanto a Netflix sai por US$ 9, no plano mais barato. 

Um fato sobre a Netflix é o investimento em produções que têm conquistado indicações ao Oscar, como O Irlandês, de Martin Scorcese, com Al Pacino e Robert De Niro no elenco, e História de Um Casamento, com a atriz Scarlett Johansson.

O que pensar sobre a perda de usuários

O início do Disney+ ainda não permite muitas conclusões, até porque o lançamento nem aconteceu em escala mundial. No Brasil, ele está previsto apenas para o fim de 2020. 

Mas é sabido que o streaming vai precisar fidelizar sua clientela para que eles não cancelem assim que a série de maior interesse chegar ao fim. Será preciso ter no catálogo produções variadas, que sejam interessantes aos mais diversos perfis da população.

E, além disso, vão entrar na guerra outros serviços que não apenas Disney+ e Netflix, como o HBO Max, próximo lançamento da Time-Warner que vem com Friends, Game Of Thrones e a saga Harry Potter.

Até quando a nostalgia é um negócio longevo

Esse é outro ponto a se pensar. Encher o catálogo de séries nostálgicas e seus remakes, como tem feito o Disney+ e já fez a Netflix, com Gilmore Girls, por exemplo, é um investimento com retorno ou algo que provoca um boom na mídia e nada mais?

Pelos lucros, a Disney pode apostar nessa ideia. Até porque o live action de O Rei Leão foi o que mais faturou em bilheteria: US$ 1,3 bilhão no mundo todo. E também estamos falando de uma das maiores gigantes de entretenimento, que sabe se reinventar. 

O início do Disney+ já se mostra como um típico enredo de filmes blockbuster: uma ascensão imediata, uma queda e muito mistério por vir. Sem contar as disputas com os outros streamings. Resta a nós acompanhar e esperar os lançamentos no Brasil.

Se os serviços de streaming são do seu interesse, continue sua leitura para conhecer os podcasts de Marketing mais interessantes. Selecionamos os principais e alguns dos episódios que valem uns minutos da sua atenção.

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