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Intraempreendedorismo é um caminho para inovação

Intraempreendedorismo é uma forma de se chegar à inovação

O conceito de intraempreendedorismo tem uma forte relação com inovação. O diferencial é que, nesse caso, a proposta é valorizar as ideias que surgem no ambiente interno e não fora da empresa.

Para que isso aconteça, o primeiro passo é abrir espaço na organização para profissionais com perfil empreendedor. Além disso, é fundamental ter iniciativas que incentivem os colaboradores a compartilhar os seus projetos.

Parece simples na teoria, mas, na prática, a história é bem diferente. No discurso, a inovação é valorizada, porém, os processos de gestão podem restringir bastante as iniciativas da equipe. O sucesso alcançado por iniciativas baseadas no intraempreendedorismo tem feito com que grandes empresas repensem suas estratégias, valorizem as contribuições que podem receber internamente.

Tornaram-se comuns, por exemplo, a criação de concursos de intraempreendedorismo. Foi o que fez a Nestlé, que em 2018 lançou o Inova Open. Na edição de 2019, os colaboradores inscreveram 70 projetos.

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Com intraempreendedorismo ativo, inovação não vem só de fora

Incentivar o intraempreendedorismo tem diversas vantagens, mas, talvez, a principal delas seja justamente o engajamento da equipe em prol das melhorias necessárias em qualquer operação, o que resultará em inovação dos seus processos.

Considerando os desafios impostos pela transformação digital, é impossível encontrar hoje uma empresa que não se sinta desafiada a desenvolver novas soluções para o seu negócio.

Períodos de ruptura, como o que vivemos atualmente, exigem essa postura. Estão todos em busca de formas de otimizar recursos, estruturas e, claro, oferecer melhores experiências para os clientes. Nesse contexto, não faz sentido depender apenas das propostas que podem surgir da liderança.

Então, é importante que todos na empresa sejam estimulados a pensar no que pode ser feito para melhorar os processos de trabalho, os produtos e serviço ou, até mesmo, as práticas sociais adotadas pela companhia.

Tocamos agora em um outro ponto que se destaca nos debates sobre intraempreendedorismo: a necessidade de valorizar as iniciativas de cunho social. E, nesse caso, as lideranças dependem muito das experiências individuais de seus colaboradores.

Não é à toa que muitos projetos de intraempreendedorismo têm relação com a busca de soluções inovadoras para as plataformas de sustentabilidade das marcas.

Como inserir processos de inovação dentro da empresa

A inserção dos processos de inovação dentro da empresa deve começar pelo reconhecimento da importância da contribuição dos colaboradores.

Dito assim parece óbvio, mas não é. Longe dos discursos politicamente corretos, o que está por trás dessa afirmativa é a convicção de que a equipe pode ajudar porque conhece os processos e tem interesse em torná-los mais eficientes.

Partindo desse princípio, a valorização do intraempreendedorismo não deve ficar apenas a cargo de determinada área ou departamento. O conceito precisa fazer parte da cultura organizacional. Na prática, isso significa que a atitude empreendedora será privilegiada desde os processos de seleção até na organização do trabalho no dia a dia.

Isso é fundamental porque a empresa passa a valorizar determinadas competências, como a proatividade, que é essencial para que a pessoa consiga romper com os padrões e fazer propostas de inovação.

As lideranças têm um papel fundamental nessa história, uma vez que precisam estimular a colaboração e adotar outras práticas para lidar, por exemplo, com os eventuais erros.

Gerentes e diretores precisam alinhar expectativas sobre inovação

As experiências relacionadas ao intraempreendedorismo confirmam a tendência de se trabalhar com estruturas menos hierarquizadas e mais flexíveis em relação às punições. Isso é necessário. Ao empreender, o colaborador aumenta as chances de erros, no entanto, se for punido, isso pode inibir suas próprias iniciativas e as da equipe.

O caminho, asseguram os especialistas, é usar os erros como aprendizado. Nesse sentido é que a proatividade é vista como positiva — colaborador se antecipa aos problemas e foca nos resultados.

Detalhe importante: a empresa que valoriza o intraempreendedorismo é mais aberta sobre o compartilhamento de informações e entende que é a partir daí que novas propostas poderão aparecer. Quando diretores e gerentes se alinham em torno desses objetivos, é mais fácil para a empresa alcançar a almejada vantagem competitiva.

Como é fácil deduzir, o intraempreendedorismo vai ao encontro das políticas de gestão valorizadas hoje nas empresas que enxergam o potencial estratégico dos seus recursos humanos.

Os colaboradores deixam de ser vistos como “peças” de uma engrenagem. Em um ambiente no qual é preciso engajar os clientes em torno das propostas das marcas, como fazer isso sem o envolvimento de quem está na linha de frente da operação?

Colaboração entre times faz toda diferença no processo de intraempreendedorismo

A busca por propostas que ajudem a engajar a equipe tem estimulado o surgimento de vários modelos de atuação — eles têm um ponto em comum: o trabalho colaborativo. Para isso, a valorização do capital humano deixa de ser uma tarefa restrita ao RH. Cabe as lideranças assumirem a responsabilidade pela capacitação e desenvolvimento dos colaboradores.

Quando analisamos as habilidades requeridas dos empreendedores, é fácil deduzir que elas estão vinculadas a essas práticas. Bons projetos não nascem de atitudes individuais. As demandas são multidisciplinares, por isso a relevância de se estimular o desenvolvimento de projetos colaborativos. No dia a dia, contudo, é importante que as empresas consigam sistematizar suas ações.

Uma boa maneira de fazer isso é por meio da organização do fluxo de trabalho. As funções de cada um são registradas e todos acompanham o andamento das tarefas. Esse tipo de monitoramento tem outra função relevante: confirmar o acerto das estratégias, ajudando a mostrar como é importante o trabalho colaborativo.

Colaboradores precisam ter voz ativa e serem ouvidos

Analisando as propostas que visam o estímulo ao intraempreendedorismo, as mais importantes são aquelas relacionadas à criação de canais e metodologias para ouvir e dar voz ativa aos colaboradores.

Para começar, é importante deixar de lado projetos top down. Ou seja, a equipe precisa ser envolvida desde o início, discutindo qual a melhor forma de contribuir para a inovação.

Retomando o conceito de intraempreendedorismo, a chave é identificar e aproveitar oportunidades de negócios. Se a proposta é que o colaborador tenha a chance de fazer isso, ele precisa ter liberdade para observar e propor mudanças na forma como realiza suas tarefas.

Um dos casos mais emblemáticos de intraempreendedorismo é o de Paul Buchheit. Além do sucesso, chama a atenção porque mostra como as empresas podem incentivar a atitude empreendedora. Buchheit é reconhecido mundialmente por ter identificado a oportunidade de criar o Gmail e, anos depois, o Adsense.

No entanto, fora a questão individual, vale o registro da postura do Google. Como inovação faz parte da sua cultura, sua política de atuação determina que 20% do tempo dos colaboradores seja dedicado aos projetos pessoais. A partir daí, vários de seus produtos começaram pela iniciativa de um intraempreendedor.

No caso de Buchheit, há um detalhe importante e que enfatiza a importância do trabalho colaborativo: para convencer a empresa a investir no projeto primeiro ele teve que conseguir a adesão da equipe.

Entre os exemplos encontrados no mercado, também são comuns projetos que nascem para atender às demandas de determinados perfis de clientes e, com o sucesso, podem ganhar vida própria dentro da operação, transformando-se numa unidade independente.

Essas atividades ganharam tanta importância que já têm até uma comunidade. A League of Intrapreneurs é uma rede de profissionais que apoia executivos que trabalham com o objetivo de promover mudança em suas empresas.

O intraempreendedorismo deve ser sistematizado

Empreendedorismo é um talento nato, porém, as práticas nessa área têm mostrado que é possível capacitar os colaboradores, valorizar habilidades e competências para que se tornem mais proativos.

É o caso da iniciativa da Nestlé, citada anteriormente, que criou um concurso para receber e analisar as propostas do seu time de colaboradores. Esses programas têm sido desenvolvidos com frequência nos últimos anos por empresas de todos os portes, mas não são o único caminho para quem pretende aderir ao intraempreendedorismo.

A realização de encontros periódicos ajuda na troca de ideias sobre o andamento dos trabalhos, assim como a realização de pesquisas internas que questionem a equipe sobre a autonomia no desenvolvimento de suas atividades.

Outra medida importante é dar visibilidade dos projetos desenvolvidos internamente. Os colaboradores precisam entender que a empresa tem prestigiado e dado sequência às iniciativas propostas.

Esse tipo de reconhecimento é um dos fatores-chave para o bem-estar dos colaboradores. Ele assegura que haja o sentimento de pertencimento, vital para que as pessoas se sintam motivadas a pensar em como podem contribuir para o negócio.

O intraempreededorismo nasce desse propósito: o colaborador entende que o sucesso da empresa está alinhado com o seu sucesso pessoal, por isso está disposto a compartilhar suas ideias.

A adoção do intraempreededorismo é um caminho para a inovação, uma vez que o objetivo é justamente estimular as pessoas a repensarem suas práticas e buscarem melhorias na operação — e quem hoje não precisa inovar?

Essa busca tornou-se prioritária para sucesso das empresas que já entenderam a necessidade de rever sua atuação para adequar-se às novas demandas do ambiente corporativo.

É isso o que está por trás, por exemplo, de metodologias como a do Business Agility, responsável por fazer a empresa a pensar e agir de maneira ágil.

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