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Job sharing: compartilhamento de cargos começa a ser aplicado no Brasil

Job Sharing

Na Europa e nos Estados Unidos, ‘job sharing’ já é um conceito difundido. Segundo a Robert Half, em 2014, 48% das empresas do Reino Unido já ofereciam o formato de compartilhamento de cargos, com diminuição da carga horária.

No Brasil, enfim, essa modalidade começa a ser utilizada. A Unilever está testando o novo jeito de trabalhar com semana de três dias e divisão de responsabilidades e demandas do serviço. O teste está sendo aplicado na área de recursos humanos.

As diretoras Carolina Mazziero e Liana Feracotta dividem o mesmo cargo na multinacional no setor de gestão de pessoas. Enquanto Carolina trabalha às segundas, terças e quartas, Liana fica com as terças, quartas e quintas. Há flexibilidade de horários e folgas nas sextas-feiras.

Com a iniciativa, a Unilever se posiciona na vanguarda de novos relações de trabalho no mercado brasileiro e busca comprovar, efetivamente, que job sharing pode aumentar a produtividade, reduzir o estresse de profissionais e melhorar a qualidade de vida.

Mas, afinal, como funciona o job sharing?

Job sharing e seus benefícios

No conceito de job sharing, duas pessoas dividem entre si a carga horária do mesmo cargo, em dias ou turnos consecutivos. Assim, há, por exemplo, profissionais que trabalham de segunda-feira a quarta-feira, enquanto seus colegas ocupam o mesmo posto de quarta-feira a sexta. A dupla combina um sistema de organização e comunicação que se repete semanalmente.

Para o funcionamento ideal do job sharing, é comum que as duas pessoas tenham uma conta de email conjunta, uma só mesa e o mesmo número de telefone fixo. Além disso, é preciso um firme compromisso de respeitar as decisões do colega e nunca enviar ordens contraditórias aos subordinados.

Por consequência da diminuição da carga horária, a remuneração é proporcionalmente reduzida. Porém, pessoas que já trabalham nesse formato apontam que a possibilidade de ter mais tempo livre aumenta significativamente a qualidade de vida.

Para os profissionais, o novo formato de trabalho favorece, principalmente, pais que querem dar mais atenção aos filhos e pessoas que precisam dedicar mais tempo a familiares com algum tipo de limitação.

Porém, os benefícios para os empregados não param por aí. Com a carga de trabalho reduzida, sobra tempo também para fazer cursos e estudar, atendendo às exigências de um mercado que cobra cada vez mais por preparação pessoal e desenvolvimento.

Já as empresas enxergam que oferecer essa modalidade de trabalho traz o benefício de contar com duas cabeças ao preço de uma e ter profissionais mais focados em suas funções enquanto estão no ambiente de trabalho.

Conceito de job sharing já é difundido na Europa

Usualmente, os dados sobre job sharing são computados em estatísticas de empregos de meio período. Todavia, um estudo da multinacional de recursos humanos Robert Half, divulgado em dezembro de 2014, indicou que mais de 25% das empresas europeias já ofereciam a possibilidade de profissionais compartilharem seus cargos como uma dupla.

O Reino Unido é onde essa modalidade tem sido mais difundida, com 48% das organizações ofertando vagas compartilhadas. Por lá, a administração pública estimula que funcionários compartilhem seus cargos e oferece um manual para que sejam feitas candidaturas conjuntas por vagas. Nos processos seletivos, há uma entrevista simultânea com os dois candidatos.

Outros países europeus também se destacam na modalidade de cargos compartilhados. Conforme o estudo da Robert Half, no fim de 2014, 19% das empresas utilizavam job sharing na França, enquanto, na Holanda e na Bélgica, eram 23% das companhias.

Objeções à prática de job sharing

Romper com o padrão de 8 horas diárias de trabalho não é uma missão tão simples assim. Segundo a Robert Half, entre as empresas europeias que não oferecem job sharing, 37% alegam que essa modalidade seria ineficaz em seus modelos de negócio.

A dificuldade de coordenar o formato de compartilhamento de vagas foi indicada por 25% das companhias, enquanto 22% exigiam presença física de seus funcionários.

Para que job sharing atinja o que se espera, as empresas precisam identificar dois funcionários suficientemente qualificados para compartilharem o cargo. Já os profissionais que atuam nesse formato precisam conviver com a busca por um novo parceiro quando o antigo colega opta por deixar a empresa.

Apesar dos possíveis obstáculos, profissionais de RH indicam que a oferta de flexibilidade pode ser o diferencial para atrair mais talentos e aumentar as taxas de retenção.

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