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Neutralidade de gênero é bem recebida por marcas

As marcas e a neutralidade de gênero

Muitas marcas das áreas de moda, cosméticos e saúde estão repensando o conceito sobre neutralidade de gênero e mudando a maneira como se expressam no marketing. Mais uma vez, o consumidor é o principal responsável por essa transformação.

Um fato que pode ser citado como exemplo é que esteriótipos como flores serem algo apenas feminino estão perecendo. 

Cresce o número de marcas que apoiam a neutralidade de gênero

Estudos apontam que os jovens têm opiniões menos rígidas de masculinidade e identidade de gênero que os mais velhos. Uma pesquisa da Pew de 2019 com 10 mil pessoas descobriu que cerca de 59% da Geração Z acha que os formulários que perguntam sobre o gênero de alguém deveriam incluir opções “além de masculino e feminino”.

Nesse cenário, a C&A Brasil cortejou comunidades transexuais e de gênero fluido com a campanha Dia Dos Misturados. O slogan dizia: “O que importa é misturar-se, sentir arrepios e perder o fôlego. É isso que é amar, misturar-se ”. Outra campanha da mesma empresa anunciou a primeira linha de roupas sem distinção de gênero, chamada de Tudo lindo e misturado.

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Há marcas que vão ainda mais longe. A Target é líder no setor de roupas infantis sem gênero e já fez mudanças significativas nas lojas para se adaptar a esse nova visão. Observe o comunicado publicado no site da organização:

Ouvimos você e concordamos. No momento, nossas equipes estão trabalhando em toda a loja para identificar áreas onde podemos eliminar gradualmente as sinalizações baseadas em gênero para ajudar a encontrar um melhor equilíbrio. Por exemplo, na área de roupas de cama para crianças, as placas não apresentam mais sugestões para meninos ou meninas, apenas crianças. Nos corredores dos brinquedos, também removeremos a referência ao gênero, incluindo o uso de papel rosa, azul, amarelo ou verde nas paredes traseiras de nossas prateleiras. Você verá que essas alterações começarão a acontecer nos próximos meses.

Como resultado dessa cultura, um número crescente da indústria da moda está começando a pensar fora da caixa. Nos últimos anos, nomes como Gucci e Saint Laurent promoveram desfiles mistos. A Zara lançou coleções com modelos de ambos os sexos biológicos estilizados com as mesmas peças de roupas e a Moda Operandi estreou a primeira campanha unissex.

Não só marcas de moda prestam atenção em gêneros neutros

A transformação para uma representação mais ampla do que significa ser humano influenciou outros nichos, como a indústria da beleza. A Illamasqua foi uma das primeiras marcas a defender o uso da mesma maquiagem para homens e mulheres. 

A empresa do Reino Unido apresentou a modelo transexual Munroe Bergdorf (depois de a L’Oréal a retirar de uma campanha) para promover a inexistência de um padrão quando o assunto é gênero. Desde então, a marca também se posiciona contra tudo o que acredita ser prejudicial, como testes em animais e falta de diversidade no mercado de trabalho.

Com esse mesmo pensamento, a United Airlines se tornou a primeira companhia aérea a oferecer opções não binárias de reserva de gênero. Agora, os clientes podem se identificar como M (masculino), F (feminino), U (não revelado) ou X (não especificado), além de terem a alternativa de gênero neutro: “Mx”— no lugar de Mr. Ou Mrs. (Sr. ou Sra. no inglês).

A Netflix é outra empresa que já adota práticas que não se limitam ao uso de gênero. A plataforma de streaming considera essa questão irrelevante na hora de criar a programação para o assinante. Para rastrear o que o usuário está assistindo, ela se baseia em atividades como: pausa, reprodução, navegação, pular e outros — não em recomendações feitas para homens ou mulheres. 

A empresa sugere “programas de TV com uma liderança feminina forte” apenas nos padrões de exibição anteriores. Isso representa um tipo de neutralidade em que o algoritmo privilegia os padrões de visualização. 

Colaboradores precisam saber lidar com a neutralidade de gênero

Hoje, há uma grande variedade de produtos de gênero neutro no mercado que são eficazes e atrativamente embalados. Afinal, não existem motivos reais para colocar mercadorias de cuidados com a pele, por exemplo, em seções específicas para “homens” ou “mulheres”. 

Na realidade, os produtos para skin care podem ser amplamente utilizados por qualquer gêneros pelo simples fato de que a pele é um órgão comum a todos os seres humanos. Mesmo que uns tenham o rosto mais oleoso, não existe comprovação científica de que o produto para pele oleosa da mulher não possa ser usado por homem ou vice-versa.

Construir a cultura compartilhada e inclusiva com a equipe de trabalho exige um esforço consciente. Muitos costumam olhar para uma pessoa e, com um instinto inconsciente, categorizá-la de forma binária. 

Acontece que o nome de alguém, a forma de se vestir ou qualquer outro comportamento externo não necessariamente revelam como aquela pessoa se identifica. Isso vale não apenas para pessoas transexuais, mas também para outras possíveis identidades de gênero. 

Diante disso, o diálogo desempenha um papel importante. Independentemente de perceber ou não, as palavras podem afetar clientes mais versados sobre essas questões ou até mesmo colegas de trabalho. Portanto, é interessante incentivar uma linguagem com inclusão de gênero.

Ou seja, uma conversa que não discrimina identidades ou grupos. Em caso de dúvidas, basta perguntar para o outro qual a forma que ele prefere ser tratado. Dessa forma, é possível agir com respeito diante de um assunto tão delicado e seguir com o relacionamento.

A neutralidade de gênero já é um tema que nenhuma marca pode ignorar. Portanto, é importante estar atento à maneira com que diferentes mercados atendem e representam aqueles que não se encaixam em conceitos tradicionais de masculinidade e feminilidade.

A evolução das mulheres não para e essa também é uma mudança cultural que precisa estar no radar das empresas.  

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