Entrevistas

“Ter resiliência é importantíssimo, mas você tem que ter consciência, foco no resultado e paciência”

Marcus Oliveira, Head de Marketing na Alterdata

Marcus Oliveira é Head de Marketing da Alterdata Software, empresa brasileira de desenvolvimento de softwares para automação. A estrutura do seu currículo, que começa como estagiário e atinge níveis mais altos, poderia ser a de muitos outros, não fosse um detalhe: Marcus sempre foi da Alterdata.

Com 11 anos de carreira, o Head de Marketing pôde se desenvolver profissionalmente em uma organização que o permitiu crescer em vários âmbitos de sua vida. Antes de ser um líder em sua área, ele havia feito iniciação científica na área de Interações Celulares na UFRJ. A diferença de atuação também é uma marca dentro da própria Alterdata, já que ele nem sempre esteve no marketing.

Nessa entrevista exclusiva concedida ao blog Inteligência Corporativa, Marcus nos conta como é construir uma carreira toda em uma única empresa e como isso ajudou em seu desenvolvimento. Ele também nos dá insights de como os colaboradores precisam estar atentos às oportunidades e entender a ação do tempo em seus caminhos profissionais.

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Como é construir uma carreira inteira na mesma empresa?

Comecei bem cedo na minha vida profissional e já gostava da área de tecnologia e marketing. Aos meus 14 anos, quando eu fiz vários cursos na área de administração e tecnologia, eu fazia freelas. A própria escola em que eu estudava no ensino médio era o meu cliente. Por exemplo, fui o responsável por desenvolver o site deles.

Na idade de entrar na faculdade, eu estava perdido em que posição seguir. Fiz um estágio de pesquisa científica dentro da UFRJ, o que hoje percebo que me ajudou bastante na questão de foco e concentração. 

Quando eu mudei para a região de Teresópolis, tive a necessidade de deixar a faculdade que eu havia escolhido. No entanto, não queria para de estudar ou trabalhar. Já na época eu tinha a compreensão de que quanto mais nos movemos, mais a criatividade melhora. 

Então decidi enviar meu currículo para a Alterdata por meio de uma indicação e consegui entrar. Como eu não tinha muita experiência, comecei a atuar como Estagiário de Redação. Eram textos técnicos sobre o sistema da área contábil. 

Sempre tive um lado muito empreendedor, então assim que entrei na empresa, decidi que intraempreenderia na minha carreira. Por isso que dentro da própria companhia nunca deixei de buscar novos desafios. A Alterdata teve um crescimento muito grande desde 2008 e isso significa um mundo de oportunidades. 

Participei de todo esse crescimento. Mudei de funções, de departamentos, tudo para seguir crescendo na carreira. Tive uma oportunidade de não precisar pular de empresa em empresa para poder crescer. 

Até no audiovisual você teve participação, certo?

Sim, surgiu uma oportunidade na área de marketing, que eu já gostava, e fui para o setor de audiovisual da empresa.

Além da parte artística, também pude aprender bastante sobre o lado técnico, porque 10% é talento e 90% é trabalho e estudo. Fiz cursos, aprimoramentos, li muito e comecei a fazer edição de vídeo, trabalhar em estúdio de filmagem, fui responsável por montar o primeiro estúdio de vídeo junto da equipe do departamento e também cresci nessa área. 

Com curiosidade e dedicação, você pode crescer. É preciso buscar desafios novos e assumir projetos. A minha carreira toda foi assim. E aí, quando você olha para trás, vai perceber como isso ajuda a conhecer várias áreas e ter certo know-how para poder tomar decisões variadas.

Claro, além da minha vontade, a empresa também tinha a necessidade de profissionais com o meu perfil. A Alterdata cresceu muito, mais de 30% ao ano nesse período em que estou aqui. Mas uma coisa é importante deixar claro: a oportunidade aparece para quem está preparado. Não é sorte, você precisa saber buscar aquilo que consegue agarrar. 

Com tantos anos de empresa, você já deve ter uma relação afetiva com a Alterdata. Como isso impacta no seu trabalho, ainda mais neste momento em que a inteligência emocional é tão cobrada dos líderes?

De modo geral, em qualquer empresa que você trabalhe, é preciso vestir a camisa, é preciso ter uma relação afetiva. Quando a gente faz isso, é porque, em primeiro lugar, gostamos das pessoas. A melhor maneira de definir crescimento de carreira é você gostar de pessoas. Sem elas do seu lado, você consegue fazer poucas coisas de fato.

Um líder precisa ser acessível e, com os feedbacks dos colaboradores, buscar ser melhor nas funções da liderança. Isso é o que permite crescimento profissional e também pessoal. A Alterdata tem muita consciência de que a nossa companhia é feita de gente. Apesar de ser uma empresa de 7 andares, com mais de mil pessoas trabalhando, nada adianta se não tiver pessoas que vestem a camisa.

Do que vale uma estrutura gigante se não há quem tire o máximo proveito dela?

Hoje, todos os lugares buscam trabalhar bastante com números e dados, o mercado é cada vez mais competitivo, então é preciso olhar para as pessoas que fazem tudo acontecer. Se você tem um time em que a liderança olha o lado humano daquela equação, deixamos de ter apenas recursos humanos e passamos a ter parceiros.

Precisamos aprofundar nossa mentalidade nessa questão para que os colaboradores fiquem engajados e trabalhem com você ombro a ombro.

Hoje, como Head de Marketing, você lidera um time de mais de 20 pessoas. Quais os seus maiores desafios em gerenciar uma equipe desse tamanho em uma empresa com tanta história?

Eu lidero um time que é praticamente uma agência publicitária in house. Nele há profissionais que são desenvolvedores, produtores, trabalham com eventos, parcerias, métricas. Como pode imaginar, lido com situações totalmente diversas. Meu desafio é conseguir atender todo mundo, falar com todos os grupos de trabalho, de uma maneira que também seja participativa em cada projeto.

Uma das minhas grandes vantagens de ter passado por várias áreas da empresa é que consigo me comunicar com todos eles. Também entendo as tecnicidades desses trabalhos.

Gerenciar o tempo e alinhar todas as decisões não é uma tarefa fácil. Como a Alterdata cuida do Brasil inteiro e somos o marketing de uma empresa com mais de 30 produtos, há muitos pontos para amarrar. É preciso manter a concentração, o foco, o ânimo, para não deixar o pique cair. É muito mais fácil destruir uma coisa do que construir. 

O grande desafio é manter o espírito animado, ativo, independentemente dos resultados. 

Outra questão que tenho que enfrentar é o convívio com gerações diferentes. Apesar de eu ter 31 anos, há pessoas por volta dos 20 ao meu lado. Parece pouco tempo de diferença, mas já é uma geração com outra visão das coisas. 

Em todos esses anos de Alterdata, sobre o que você mais gosta de falar acerca da sua carreira?

Eu gosto de falar sobre oportunidades, estudo e crescimento. É necessário fazer o básico bem feito, mostrar resultado e estar o tempo todo observando, porque sempre há oportunidades, mas precisamos estar atentos para agarrá-las.

Ser um intraempreendedor é um bom caminho. Faça um curso de empreendedorismo mesmo que você não empreenda. Eu fiz, mas não para abrir um negócio, o meu objetivo era entender como crescer e melhorar meus resultados.

Se a empresa está crescendo ou tem potencial, ótimo, agarre as oportunidades que aparecerem. Mas é necessário estar preparado para poder reconhecer as possibilidades e agir de acordo com elas, caso contrário a pessoa está fadada a fazer sempre a mesma coisa.

O que você acha que um profissional tem que ter para se manter mais tempo em uma empresa?

Hoje o mundo é muito imediatista. A pessoa entra e, 3 meses depois, já quer ter uma promoção. 3 meses depois, ela acha que tem que estar na diretoria. Ter resiliência é importantíssimo, mas você tem que ter consciência, foco no resultado e paciência.

As coisas acontecem no tempo certo. Não adianta você achar que teve uma ideia fantástica, que vai implantá-la e que isso já é o suficiente. Os profissionais de hoje precisam deixar o tempo agir, porque a carreira é construída com o tempo. Não adianta querer colocar a carroça na frente dos bois.

Claro que não quero dizer que a pessoa precisa ficar sentada no banco esperando a vida inteira uma oportunidade, mas certas coisas levam tempo para serem aprimoradas e, para isso, colher feedback é essencial. Quando você recebe um feedback, pode construir algo novo a partir dele ou não. Escolha sempre construir. 

Não pare de estudar, pensar, ter olhares críticos. Steven Johnson fala no livro dele que a criatividade vem de experiências profissionais particulares, de vivências diferentes. Se você gosta de marketing, então faça um curso de culinária. Se adora culinária, busque um curso de astrofísica. Explore o mundo. Quando expandimos nossa mente para áreas diversas, conseguimos fazer links para executar aquilo que fazemos de uma maneira bem melhor. 

Eu mesmo continuo fazendo coisas diferentes. Meu próximo curso será jardinagem, por exemplo. Ter outras experiências e expandir a visão ajuda todo tipo de profissional. 

Para além da sua atuação como líder, como você entende o seu papel para colaborar com o futuro da empresa?

A Alterdata vem crescendo cada vez mais, e uma dificuldade de qualquer empresa que tem crescimento constante é manter a sua visão, missão e sempre lembrar disso. Se uma pessoa tem mais tempo de casa, isso tem que estar bem apurado, então me entendo como um guardião dos valores, dos princípios, da missão da Alterdata. Como organização precisamos ter sensibilidade, gostar das pessoas e ajudar o Brasil a crescer.

É preciso contribuir para que isso se perpetue, não se perca. É muito fácil algo negativo se espalhar rápido. Meu papel aqui é continuar sempre pregando a mesma filosofia da empresa, manter o barco na mesma direção. 

Para manter a cultura da empresa, é preciso ser um guardião. Acreditar nessa cultura e vestir essa camisa.

O que a própria empresa pode fazer para que a cultura seja sempre lembrada?

Quando a empresa gosta de gente e mostra isso, ela recebe de volta a entrega dos funcionários e fica mais fácil alinhar todos na mesma visão. A Alterdata é uma empresa de tecnologia, mas ela não esquece nunca do componente humano.

Bons ambientes de trabalho, locais descontraídos, atividades diferentes, massagem, ginástica laboral, área de descompressão. Isso tudo é importantíssimo para as equipes, para as pessoas poderem trabalhar felizes. A empresa tem que manter esse padrão e não deixar só para o colaborador dar o jeitinho dele para melhorar o espaço. 

A empresa tem essa responsabilidade de propiciar para todos um excelente ambiente de trabalho. Se está ótimo, vamos deixar excelente. Todas as companhias precisam ter essa filosofia.

Como a Alterdata se enxerga enquanto agente social?

Nós tomamos muita responsabilidade quanto a isso e, por esse motivo, sempre estamos envolvidos com ações sociais. Em 2018, por exemplo, fizemos um encontro para abordar sobre abuso de menores, um tema muito sensível. Patrocinamos o evento de um livro aqui na empresa de uma escritora premiada sobre o assunto. Foi aberto para todas as escolas do município. 

Temos um programa chamado Galileu, em que pegamos os melhores alunos das escolas públicas e damos cursos gratuitos para esses alunos. As pessoas precisam de uma oportunidade e precisamos fazer nossa parte como empresa. Se os alunos escolhidos se destacarem no programa, os contratamos como Menor Aprendiz ou funcionário.

Fora o programa, fazemos diversas ações sociais, como doar nossos equipamentos eletrônicos para as escolas, renovar salas de informática de instituições de ensino. Esse nosso envolvimento é tão constante que não só os colaboradores já esperam aquelas campanhas que acontecem todos os anos, mas outras empresas também nos procuram para participar. É necessário que as empresas deem o exemplo, porque assim podemos ver que todos queremos fazer o bem.

Nossa seção de Entrevistas traz o que alguns do mercado digital pensam sobre marketing, gestão e outros assuntos. Explore-a e descubra.

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