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Ride sharing: a reinvenção das montadoras com o compartilhamento de veículos

Montadoras e compartilhamento de veículos

Até 2030, um terço dos quilômetros dirigidos na Europa e nos Estados Unidos serão guiados por veículos compartilhados. A pesquisa é da PricewaterhouseCoopers (PwC), que afirma que por causa deste novo cenário e da existência de um novo tipo de consumidor, serão necessários, no mercado, 138 milhões de carros a menos.

O dado representa apenas um recorte de um mercado que enfrenta uma nova realidade, com: transportes coletivos, aluguel de bicicletas, compartilhamento de carros elétricos, caronas com ajuda de aplicativos ou mesmo locomoção por patinetes que movimentam o setor. Essas são informações que geram dúvidas sobre o futuro da indústria automotiva.

Ainda assim, no Brasil — ainda que esteja prevista uma desaceleração no crescimento do segmento de automóveis comerciais leves para este ano de 2019 — há uma previsão de alta para o setor entre 5% e 10%. O cenário está atrelado a fatores econômicos e incentivos industriais.

Mas para a indústria automotiva, a preocupação pode estar muito além de números e lucros. Os novos hábitos colocam o setor em alerta. Por isso, as montadoras não querem ficar atrás das startups de mobilidade e já começam a mostrar quais são as novas perspectivas para o setor.

Millennials, aplicativos e economia de compartilhamento

Uma das empresas mais inovadoras do mundo, o Uber recebeu US$ 50 bilhões em corridas no ano de 2018. Os resultados desse tipo de negócio, no entanto, fizeram aumentar a concorrência. Atualmente, a empresa divide espaço e potencial de crescimento com um nicho que quer abocanhar uma fatia do setor de mobilidade com o uso de aplicativos e, também, com o compartilhamento de veículos. A indústria automotiva está aí.

Aliás, para a geração que começa a ganhar cada vez mais poder de compra — os chamados millennials (nascidos entre 1980 e 2000) — mobilidade tem um significado distinto do que, até então, foi conhecido.

Muitas já não consideram a compra de carro uma conquista prioritária — há casos nos quais nem mesmo a carteira de motorista é desejada. É o que aponta o estudo Global Automotive Consumer Study: Future of Automotive Technologie.

Outra mudança cultura é percebida na forma de se relacionar com bens de consumo. O aluguel ganha força e potencial, enquanto a compra perde espaço para as experiências.

Mas como as montadoras se preparam para enfrentar este mercado? É notório que a indústria está se adequando para oferecer alternativas que se encaixem neste novo momento.

A importância do setor automotivo para o mercado

O setor automotivo tem indiscutível participação na estrutura industrial mundial. No Brasil, representa cerca de 22% do produto interno bruto (PIB) industrial. Devido aos seus encadeamentos, é um segmento cujo desempenho pode afetar significativamente a produção de vários outros núcleos industriais — aço, metal, borracha, plástico, entre outros.

Mas o que é esperado para o futuro das montadoras? A única certeza que se tem é que formatos como o Uber e até mesmo a Lyft, entre outros, modificaram de vez a relação que as pessoas têm com os carros de passeio.

A razão não surpreende. Pesquisa realizada pela própria Lyft aponta que ¼ dos seus usuários acredita que ter um veículo já não é mais tão importante. Além disso, 50% desses mesmos entrevistados afirmam que, por conta de serviços de compartilhamento veicular, usam menos o próprio carro.

Mobilidade no caminho de IPOs

É importante lembrar que um initial public offering (IPO) da Lyft está próximo. A empresa está cada vez mais perto de fazer sua estreia no mercado de ações da Nasdaq. O valuation da companhia está próximo dos US$ 26 bilhões.

A Uber, da mesma forma, também está bem próxima de fazer a sua estreia no mercado das ações. É esperada uma oferta pública próxima de US$ 120 bilhões, que seria um dos maiores IPOs da história!

Porém, não é apenas a liberdade de não ter um veículo — e não arcar com seus custos — que gera tamanho interesse em mobilidade. As soluções vão além da carona compartilhada ou do aluguel de carros. Na corrida por uma vida saudável, o deslocamento por meio de bicicletas tem sido até mesmo incentivado pelos empregadores.

Outra visão está ligada ao compartilhamento de bicicletas, bikes, patinetes, scooters ou mesmo o uso de carros autônomos já não parece mais saído de um filme do futuro. Por isso, as montadoras estão abraçando o transporte compartilhado de carros.

Uma demanda que vem dos grandes centros urbanos

A mobilidade hoje é encarada de uma nova forma. Além da geração de millennials que questionam a viabilidade de ser o proprietário de um veículo, cresce a possibilidade de alugar um carro ou mesmo apostar no compartilhamento — por aplicativos de carona ou aluguel.

Neste mesmo cenário, os serviços de mobilidade se multiplicam enquanto grandes centros urbanos expandem suas restrições de áreas com acesso à carros. É o que indica matéria da Bloomberg Businessweek, que afirma que a demanda por veículos tende a diminuir nos próximos anos — o setor está próximo do seu auge e, a partir disso, o principal meio de transporte do século 20 deve enfrentar outro cenário.

É por causa das novas carências que surgem nos grandes centros urbanos e se espalham por outras localidades que o cenário deve mudar.

Montadoras ampliam suas formas de atuação

Tendência consolidada em outros mercados, o compartilhamento de carros por parte de montadoras é uma tendência crescente. É o que se vê na recente parceria anunciada entre a BMW e o grupo Daimler.

As gigantes, ainda que rivais de mercado, se uniram em parceria para lançar serviços de mobilidade urbana. Os investimentos nas soluções de logística e mobilidade giram em torno de US$ 1,3 bilhão.

O aluguel de carros por hora já é uma realidade para a General Motors, que realiza o compartilhamento de veículos com pagamento por uso. Da mesma forma, outras soluções como a aquisição temporária de automóveis — como é o caso do Carro Fácil da Porto Seguro — mostram que o relacionamento com os veículos não fica mais limitado a apenas um único formato.

Esses e outros serviços de mobilidade, como a possibilidade de ganhar dinheiro com o seu próprio veículo, naqueles momentos nos quais ele fica parado na garagem, como o Citroën Earn & Drive e o Moobie, vem garantindo novos formatos de interação com o transporte.

Novas gerações pedem novas possibilidades. Essa demanda, seja pelo transporte compartilhado, pelos aplicativos que conectam pessoas e motoristas, ou pelo futuro da indústria, com os carros elétricos (e autônomos), não traz muitas certezas. A única delas é a de que a indústria automotiva já não é mais a mesma.

Aproveite para conhecer quais são as empresas mais inovadoras do mundo.

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