Artigos

Pode comprar, é real

Tablet digital

O uso da realidade virtual no varejo é a nova aposta do universo tecnológico. Muito utilizada na área de entretenimento — em games, por exemplo —, essa ferramenta oferece uma experiência imersiva, permitindo que as pessoas interajam com simulações 3D, em vez de somente assistirem a vídeos em uma tela.

Esse mecanismo estimula os sentidos do ser humano, como visão, audição, tato e olfato. Isso acontece porque o computador intermedeia a ligação do indivíduo com a inteligência artificial.

A realidade virtual tem impactado diversos setores da economia, pois pode ser aplicada de diferentes maneiras para potencializar os negócios, sendo vista recentemente como uma grande aliada para modificar a experiência e melhorar os resultados no segmento varejista.

A partir dessa tecnologia, a experiência de compra pode se tornar mais prática, eficiente e segura. Entender como funciona e os benefícios dessa modalidade de vendas é o primeiro passo para que as empresas ganhem competitividade no mercado.

O varejo e a realidade virtual

Quando o assunto é a realidade virtual, muitas pessoas logo pensam em videogames e demais áreas de entretenimento, mas a tecnologia tem sido cada vez mais utilizada para outros fins, como para impulsionar vendas no varejo. Por meio dela, os consumidores podem se comunicar com as lojas dentro do ambiente virtual, selecionar e escolher produtos, e interagir com eles para testá-los antes de finalizar a compra online.

De olho nisso, os varejistas estão reconhecendo a realidade virtual como uma ferramenta transformadora, capaz de aumentar a competitividade, além de elevar o engajamento e melhorar a experiência de compra do seu público consumidor. 

No relatório “Retail Innovation: U.S. Retail Technology Insights and Analysis”, Gary Hawkins, que é CEO do Center for Advancing Retail and Technology (CARD), disse que a popularização das compras com o uso da realidade virtual depende de dois fatores específicos.

O primeiro deles diz respeito à criação de conteúdos personalizados para os ambientes de realidade virtual. Para que isso aconteça, é necessário que o desenvolvimento desse tipo de conteúdo fique mais acessível e mais barato para as empresas, visto que será preciso atender a uma demanda alta de forma otimizada.

O segundo ponto trata da adesão do consumidor à realização das compras utilizando a realidade virtual. A exposição a esse mecanismo já é algo comum no mundo dos games, mas ainda é vista como uma novidade no setor de vendas. Assim sendo, as empresas devem adotar estratégias voltadas para esse novo cenário, de forma a atrair e instruir o seu consumidor sobre como utilizar a ferramenta.

Expectativas para o uso da realidade virtual no varejo

O varejo — mais especificamente a área de marketing de varejo — é visto como um ambiente favorável para a implementação de soluções de realidade virtual. Isso acontece porque o setor não precisa desse mecanismo para ser mais lucrativo, mas sim para aprimorar a experiência do consumidor.

A tecnologia tende a ser usada para fortalecer a imagem das marcas, associando-as a qualidade, bom atendimento e amplo leque de compra. Além disso, ela ajuda a remodelar o setor de vendas, fazendo com que se adéque e permaneça moderno.

Segundo a ABI Research, empresa especializada em transformação digital, o valor das vendas do head-mounted displays (HMDs) — equipamento para realidade virtual — deve aumentar de 27,5 milhões de dólares de 2018 para mais 52 milhões de dólares em 2020.

A aplicação tecnologia no varejo e setores de marketing pode gerar cerca de 1.8 bilhões de dólares até 2022. Para a Statista, o uso da ferramenta tende a crescer 300% entre 2020 e 2025.

Como o setor se beneficia

Um dos principais diferenciais da realidade virtual é proporcionar uma experiência de imersão ao consumidor, fazendo com que haja um contato aprofundado com a marca e os seus produtos, independentemente do local em que ele esteja. Assim, o cliente pode visualizar os detalhes do item sem sair de casa. Diante disso, o setor de varejo é altamente beneficiado.

Eleva o e-commerce a um novo patamar

Ao implementar a realidade virtual, as lojas virtuais se tornam quase reais, afinal, podem criar ambientes personalizados de acordo com as características do seu público consumidor, para que ele possa visualizar, experimentar e avaliar o produto antes de efetuar a compra. 

É possível, por exemplo, que o cliente veja um item por todos os ângulos, tal como faria se estivesse segurando-o em suas mãos, como acontece na compra tradicional realizada em lojas físicas.

Reduz a taxa de retorno de produtos

Mesmo que a loja disponibilize diversas fotos de uma mercadoria no seu site, o comprador pode ter dificuldades para verificar os detalhes do item. Assim, quando o produto chega para o consumidor, ele pode se decepcionar e retorná-lo para a loja.

Uma vez que garante uma visualização completa dos produtos nas compras online, a realidade virtual ajuda a aumentar a satisfação do cliente, reduzindo o retorno das mercadorias para troca — o que também otimiza os processos da loja, poupando tempo e dinheiro.

Possibilita decisões mais acertadas

A realidade virtual não é vantajosa apenas para as lojas online, pois também pode impulsionar vendas em lojas físicas. Em um estabelecimento que venda móveis e soluções em decoração, os clientes podem utilizar essa tecnologia para visualizar imagens da sua casa equipada com os produtos vendidos pela empresa, por exemplo.

A experiência diferenciada cria uma atmosfera de encantamento, além de gerar confiança, de modo que os clientes possam tomar decisões mais seguras. O resultado são compras satisfatórias, que aumentam a credibilidade da loja junto ao consumidor.

Viabiliza a coleta de dados sobre o comportamento do público

Os dados são vitais para o desenvolvimento dos negócios. Com a coleta e o estudo das informações sobre o cliente, as empresas podem melhorar o atendimento, aperfeiçoar os produtos e personalizar seus serviços, a fim de engajar e satisfazer sua clientela.

Da mesma maneira que acontece em um site tradicional, as ações dos internautas no ambiente de realidade virtual também geram rastros que podem ser convertidos em dados. Com base nas informações sobre os movimentos dos usuários, itens visualizados e modelos testados, a loja consegue elaborar estratégias mais eficientes para abordar um potencial cliente. 

Exemplos de empresas que já têm estratégias de realidade virtual

A realidade virtual já está mudando a forma com os clientes interagem com as marcas. Empresas nacionais e internacionais estão apostando na tecnologia para modernizar a experiência de compra. Conforme a ferramenta se desenvolve, é possível criar novas possibilidades para engajar o público-alvo.

Walmart

O Walmart patrocinou o AR Jurassic World, utilizando a realidade virtual para a exploração de produtos ou marcas usando um jogo ligado ao filme dos dinossauros e semelhante ao Pokémon Go, em que os jogadores podiam caçar dinossauros e ser redirecionados para o site da loja.

Os consumidores tinham a alternativa de ir até uma unidade física do Walmart para acessar depósitos de suprimentos virtuais para jogo e, assim, adquirir itens que não poderiam ser encontrados em outro lugar.

IKEA

A IKEA é uma das maiores lojas de móveis e decoração dos Estados Unidos. Com o intuito de facilitar as aquisições dos seus clientes, a empresa permite que eles visualizem o cômodo projetado antes de instalar os móveis na sua casa.

Basta usar os óculos de realidade virtual para que o consumidor entre na sala projetada, possa ver e modificar móveis, as cores da pintura e a iluminação. Ainda existe a alternativa de ver o espaço por ângulos diferentes, além de reorganizar os móveis e acrescentar acessórios.

O cliente pode personalizar a decoração de acordo com as suas necessidades e ter certeza de que ela vai atender às suas necessidades antes de se comprometer com a compra.

Alibaba

Conhecida como a maior varejista online da China, o Alibaba oferece ferramentas de realidade virtual para que os internautas da plataforma andem pelos corredores das lojas virtuais para conferir a variedade de itens, buscar um produto específico e observar os seus detalhes. Após essa experiência, o usuário pode definir com mais segurança se a compra vale a pena.

O Boticário 

Para a campanha Make B. Tropical Colors, a empresa brasileira de cosméticos preparou um site especial para que os clientes interessados nos produtos lançados fizessem uma imersão interativa na coleção de maquiagem e perfumaria.

O projeto permitia que os internautas comandassem uma câmera em primeira pessoa, em um cenário em 3D, composto por plantas exóticas e árvores que serviram de inspiração para a criação da coleção. Ao navegar pela floresta, o internauta encontrava os produtos, os enxergava com detalhes e lia as suas informações. Por fim, era possível montar a sua própria cesta com os produtos descobertos e finalizar a compra.

A implementação da realidade virtual no varejo contribui para envolver e melhorar o relacionamento com os clientes, já que eles podem ficar mais próximos das marcas e realizar suas compras de modo prático. Em suma, o usuário acessa uma experiência diferenciada e multissensorial.

As empresas engajam os consumidores por uma jornada de compra que encanta, o que aumenta a satisfação dos consumidores com as compras efetuadas e, consequentemente, com a marca — fator imprescindível para fidelizá-los.

Oferecer experiências positivas é cada vez mais relevante para o varejo. É a hora de deixar de se preocupar apenas com vendas para focar mais em relacionamentos.

Publicações relacionadas
Artigos

Tecnologia no recrutamento e o que o futuro nos reserva

Artigos

Sistemas de gestão de aprendizagem auxiliam a aumentar o LTV de empresas

Artigos

Como o Facebook ainda está crescendo?

Artigos

Compaixão e liderança vão bem juntas?