Realidade Virtual

Realidade Virtual: o que é e como aplicar essa tecnologia no mercado

A Realidade Virtual consiste em uma interface disponível em um ambiente virtual que simula efeitos sonoros, visuais e táteis para enganar o usuário e fazê-lo acreditar que aquelas interações ocorrem no mundo real.

Era o ano de 1999 e o filme Matrix foi lançado. Na hora virou um burburinho só. Afinal, quem não gostou de ver todos aqueles efeitos especiais e assistir a Keanu Reeves — ou melhor, Neo — desviando daquela bala com flexibilidade e maestria? É provável que você tenha se identificado com isso, mas a questão é: o que esse contexto tem a ver com a realidade virtual (VR)?

Tudo! Se você lembrar da história, recordará que Neo encontra os personagens Morpheus e Trinity e, assim, descobre que é vítima do Matrix, isto é, um sistema artificial e inteligente que manipula as pessoas e cria um mundo de ilusão. Hoje, esse tema está muito menos macabro e bem mais promissor.

Se até pouco tempo atrás a ideia de usar a tecnologia de forma interativa se restringia aos desenhos (lembra dos Jetsons?) e aos filmes, agora ela é inerente ao presente — e chegou o momento de pensar em adotá-la no âmbito corporativo.

Então, que tal sair do mundo da ficção e compreender o que isso significa para o nosso dia a dia?

O que é a realidade virtual?

Essa tecnologia consiste em uma interface disponível em um ambiente virtual que simula efeitos sonoros, visuais e táteis para enganar o usuário e fazê-lo acreditar que aquelas interações ocorrem no mundo real. Com todos esses estímulos, há uma imersão total nesse meio simulado.

A tecnologia está embasada em displays estereoscópicos, que incluem os headsets e os óculos. Em boa parte dos casos, seu uso está voltado para o entretenimento, mas há muitas outras possibilidades.

Um exemplo é o parque temático criado na China e inaugurado em 2018 na cidade de Guizhou. Chamado de Vale Oriental de Ficção Científica, os turistas participam de um ambiente com quase 330 acres e 35 atrações.

Na prática, o visitante pode pular virtualmente de bungee jump, criar avatares para entrar em uma batalha alienígena ou se aventurar em uma montanha-russa fictícia, mas que traz a mesma sensação de aventura que a real.

No entanto, apesar de essa experiência ser sensacional, ainda fica um questionamento sobre a VR:

Como ela vai mudar o mercado?

A resposta é complexa e passa pelas aplicações da tecnologia nos games, na ciência e, claro, nos negócios. Devido à evolução da computação gráfica, da capacidade de processamento das máquinas e dos sensores de movimento, a expectativa é que o mercado seja significativamente impactado em diferentes âmbitos. Confira, a seguir, as principais implicações:

Vendas e atendimento ao cliente

A experiência personalizada é a chave do sucesso atual. Com a VR, o cliente pode ser imerso em ações específicas para testar o produto ou o serviço.

É o caso de fazer um test drive virtual com o veículo que se deseja comprar. Já os e-commerces podem oferecer a visualização do item em 3D para conhecê-lo melhor e identificar os detalhes. Por fim, é possível fazer vídeos em 360º para ter um relacionamento mais próximo com os consumidores.

Treinamentos

A simulação de guerras e voos, por exemplo, já fazem parte do escopo de utilização da VR. No entanto, é possível adotar essa tecnologia para capacitar os colaboradores de outros cargos e funções. É o caso dos bombeiros, que precisam saber o que fazer em caso de incêndio.

Gamificação de processos

As empresas podem usar os jogos para simular processos e identificar a atitude de cada colaborador diante de um contexto específico. Por exemplo: um profissional da área administrativa pode ser inserido em uma situação predeterminada, que o testará a tomar decisões rápidas e que surtirão consequências positivas ou negativas.

Esses games devem contar com pontuações, que são fornecidas conforme o desempenho do indivíduo ou da equipe. Assim, a performance de todos é otimizada.

Como fica fácil perceber, a ilusão criada pela VR permite forjar a realidade de uma maneira bastante realística. Diferentemente dos contextos negativos muitas vezes retratados nas telas do cinema, o propósito é incentivar a colaboração e o alcance dos resultados positivos.

Qual a relação entre realidade virtual e marketing?

Como apontamos, a VR pode ser usada em diferentes contextos — e com o marketing não seria diferente. E a resposta para esse cenário é bastante simples: com essa tecnologia, é possível oferecer uma experiência diferenciada aos consumidores, conquistar vantagem competitiva, aumentar a atração e a retenção de clientes, assim como se destacar perante a concorrência e a mídia.

Para ter uma ideia, várias grandes marcas já utilizam a VR para alavancar os conteúdos produzidos. Aliás, já existe até um nome para isso: marketing de realidade virtual. O intuito é gerar e agregar valor ao cliente para que seu interesse pela marca esteja sempre presente.

Porém, apesar de ainda não existir um roteiro bem claro de como isso pode ocorrer, existem alguns aspectos a considerar:

Possibilidades maiores de interação

A relação entre cliente e marca é praticamente ilimitada com essa tecnologia. Prepare-se para enfrentar novas possibilidades e pensar naquelas que agregam mais valor à sua companhia. Busque opções que visem ao maior engajamento, ao teste de uma solução diferente ou ao conhecimento mais aprofundado sobre um produto ou serviço.

Planejamento a longo prazo

Os resultados nem sempre aparecerão em curto prazo quando o assunto for VR. O ideal é um planejamento mais longo, que considere várias alternativas de interação. Perceba que essa é uma maneira de estar pronto para as mudanças de consumo de conteúdo e escolha de produtos ou serviços.

Inovação

A cópia de ações já executadas por outras empresas é pouco recomendada. É mais interessante avaliar e usar as boas práticas, mas também testar a VR para ver o que seria viável fazer para sua empresa. Assim, você consegue pensar à frente, sair do lugar-comum e realmente criar experiências.

Para alcançar esses objetivos, você pode usar vários recursos, como:

  • cardboards: são aparelhos que aumentam a imersão na VR;
  • vídeos 360º: permitem criar experiências interativas e que visam ao engajamento;
  • aplicativos de VR: estão voltados à criação de uma atividade contínua na companhia;
  • campanhas imersivas: ingressam o usuário no ambiente fictício para que tenha uma vivência diferenciada.

Alguns exemplos de ações bem-sucedidas no marketing são:

  • Dior: a marca ofereceu headsets próprios de VR para os clientes de sua loja física visualizarem os bastidores do desfile que estava sendo realizado em Paris no mesmo momento;
  • Merrell: no Festival Sundance de Cinema, em 2015, a marca exibiu o primeiro comercial em movimento, da revista Rolling Stones. Com o Oculus Rift, os participantes caminhavam por uma trilha nas montanhas e sentiam a experiência;
  • HBO: a empresa mostrou aos usuários como seria a vida deles nos Sete Reinos de Game of Thrones por meio do Oculus Rift. A pessoa era inserida em um elevador que escalava uma geleira de 200 metros de altura. Além disso, o efeito de vento tornou tudo mais real.

O que achou das ideias? Já pensou em alguma possibilidade para sua marca? Se você ainda tem dúvidas e/ou quer saber mais, que tal conhecer as projeções para o futuro dessa tecnologia?

Quais são as previsões para o futuro da realidade virtual?

O atual momento da humanidade é de constante transformação. Com a tecnologia sendo modificada e evoluindo a todo instante, muitas são as possibilidades para os próximos anos. Então, que tal conhecer as principais quando o assunto é VR? Acompanhe!

Os headsets autônomos serão os dispositivos principais

Esses aparelhos já se tornaram importantes nesse cenário e os investimentos de grandes companhias, como o Facebook, incentivam ainda mais essa projeção. Em 2018, a empresa de Mark Zuckerberg deve lançar o Oculus Go e isso tende a aumentar o alcance da tecnologia.

Além disso, especialistas indicam que o headset do Facebook deve ser melhor que o Samsung Gear. Outras empresas também investem no desenvolvimento desse dispositivo autônomo, o que tende a deixar a VR mais popular.

A realidade aumentada fomentará a virtual

A realidade aumentada deve ser maior que a virtual pelo menos até 2023. Apesar disso, as duas tecnologias devem abranger investimentos da ordem de 35 bilhões de dólares até 2025, conforme dados apresentados pelo Canal Tech.

A tecnologia mista tende a oferecer uma experiência mais imersiva para os usuários. Aliás, em 2018 chegou ao Brasil o primeiro dispositivo de realidade mista compatível com Windows 10, o HMD Odyssey. Com um chip gráfico NVidia GeForce 1060, o notebook roda games em realidade virtual.

A VR oferece experiências ilimitadas

A tecnologia, atualmente, é muitas vezes utilizada para propósitos comuns, mas isso tende a mudar em pouco tempo. Com a evolução do processamento, a VR também deve progredir e ofertar experiências ilimitadas. Um exemplo é o Daydream, que agora tem uma versão para o Chrome.

Essa plataforma é voltada para os headsets de VR e permite acessar o sistema operacional da máquina diretamente pelo mundo virtual. De quebra, ainda há versões para vídeos do YouTube que forem visualizados em tela cheia quando abertos no navegador da Google.

Todos esses aspectos podem parecer estranhos para você nesse momento, mas com exemplos de aplicações ficará muito mais claro.

Quais são os principais exemplos de aplicações?

O uso da VR vai muito além daquele que vimos em filmes — e é bem menos estranho. Se em Minority Report o personagem de Tom Cruise conseguia interagir com controles virtuais e obter dados e informações, hoje a tecnologia permite fazer mais.

Conheça 6 aplicações que podem ser executadas com essa tecnologia.

Realidade virtual no entretenimento

Os filmes, os desenhos e os seriados são interessantes, mas já pensou em assistir ao jogo do seu time de futebol diretamente de uma arquibancada virtual, sem se preocupar com imprevistos? Ou que tal ver um show da banda que mais gosta diretamente do seu sofá, mas com a experiência de que está no local?

Esses são alguns exemplos da VR no entretenimento. Essas experiências podem ser aproveitadas pela plataforma Venues, da Oculus VR, que oferece mais interação para o público. É só colocar um headset, abrir o ambiente virtual, selecionar um avatar e aproveitar.

Realidade virtual na medicina

A ideia de que a mente ajuda na recuperação é bastante verdade. E acredite ou não, a VR pode ajudar. Muitos médicos já trocam o uso intensivo de medicamentos após uma cirurgia, por exemplo, pela imersão no ambiente virtual, que passa tranquilidade e paz para acalmar a mente.

Essa ideia é similar à técnica da hipnose. Contudo, os médicos podem aproveitar muitos outros recursos. Na Universidade de Stanford, por exemplo, foi criado um programa de VR para simular uma cirurgia endoscópica dos seios da face. Assim, os profissionais testam antecipadamente e ensaiam o procedimento para obterem melhores resultados.

A VR também vem sendo usada para tratar pacientes psiquiátricos, que podem encarar seus medos no ambiente virtual e quebrar padrões, ou aqueles que sofrem de estresse pós-traumático, especialmente os veteranos de guerra.

Realidade virtual no varejo

As empresas que apostarem na VR para encantarem consumidores sairão à frente da concorrência. Um exemplo é o eBay, que criou a primeira loja de departamentos de realidade virtual do mundo com a rede australiana Myer. Nesse caso, o cliente pode usar o headset de qualquer lugar e, pelo aplicativo, escolher o produto que deseja.

Já o iGUi permite testar diferentes modelos de piscina antes de começar a mexer no quintal da sua casa. Você consegue verificar todo o projeto e ter uma visão perfeita de como ficará o resultado. Assim, tem menos chance de errar, não é mesmo?

Realidade virtual na ciência

A ciência é um dos grandes beneficiados da VR. Esse é o caso do projeto MarsVR, que incentiva a exploração de Marte por meio dessa tecnologia. O projeto é desenvolvido pela Mars Society, que visa à ocupação daquele planeta.

Porém, antes de iniciar o processo, é preciso conhecê-lo melhor — e é aí que entra a VR. Com técnicas especiais de fotogrametria, é possível vasculhar as áreas do planeta vermelho e entender melhor como funciona a vida por lá.

Realidade virtual no mercado imobiliário

Os corretores também podem se beneficiar significativamente da VR, sabia? É possível oferecer um catálogo diferenciado, com fotos e informações online, além de total imersão nos imóveis. Assim, o interessado pode mapear os cômodos e verificar se atende às suas necessidades.

Com isso, o cliente também consegue sanar todas as suas dúvidas sem ter que visitar o imóvel várias vezes, medida que diminui significativamente o retrabalho e o tempo gasto pelo corretor. Os vídeos em 360º também contribuem para esse processo.

Realidade virtual na educação

As escolas cada vez mais devem utilizar a VR a seu favor. Tanto é que existe o projeto chamado Beetools, da escola de idioma Beenoculus. A proposta é que os interessados façam um tour virtual pelo colégio e compreendam a metodologia adotada. Além disso, o professor usará a tecnologia na sala de aula para aprimorar os resultados alcançados pelos estudantes e proporcionar experiências em inglês para simular situações reais.

Em suma, fica muito claro que a realidade virtual é uma tecnologia que veio para ficar e se aperfeiçoar. É fundamental que você esteja pronto para esse momento e se prepare desde já. Assim, conquista competitividade e não perde espaço para a concorrência.

Então, que tal continuar aprimorando seus conhecimentos? Leia sobre a transformação digital e entenda a estratégia que está revolucionando o mercado.