Artigos

Dia dos Pais dá retorno para empresas

Uma família de pessoas negras composta por filha, mãe e pai

Sempre comemorado no segundo domingo de agosto, o Dia dos Pais é uma das datas mais importantes no comércio brasileiro. O momento de celebração da figura paterna é, tradicionalmente, visto como uma oportunidade para o aumento de vendas e para a aproximação entre marcas e clientes.

O potencial é comprovado. De acordo com um estudo do Google, o volume de pesquisas relacionados à data apresentou um crescimento médio de 19% em um período de três anos. O interesse do público, portanto, existe. Cabe às empresas saber como tirar o melhor proveito da situação.

Para isso, é importante se manter atualizado. Assim como a sociedade em geral, o público-alvo do dia dos pais vem passando por mudanças. Caso se prenda a estereótipos, a marca fechará os olhos para a nova forma como a figura paterna é percebida, limitando o próprio potencial.

O sucesso nas vendas, portanto, depende de um entendimento sobre o que oferecer, em que canal estar presente e como se comunicar.

Os compradores online importam mais que nunca

Se o comércio digital já vinha ganhando força há algum tempo, isso só se intensificou em 2020. O período de isolamento social causado pela pandemia de covid-19 impactou os hábitos dos compradores, que se tornaram mais familiarizados com compras online.

O resultado foi o crescimento do e-commerce. De acordo com dados levantados pela Neotrust/Compre&Confie, o faturamento do setor no primeiro trimestre de 2020 apresentou crescimento de 104% em relação ao mesmo período no ano anterior.

É justo dizer, portanto, que atender o consumidor online é mais importante que nunca. O Dia dos Pais já vinha apresentando crescimento nos resultados digitais nos últimos anos: de acordo com o estudo do Google, já citado, a data foi a que atraiu o segundo maior volume de compras em 2018, atrás apenas do Dia das Mães.

Além de movimentar mais de 5,1 milhões de pedidos em 2018, o Dia dos Pais também proporcionou um faturamento de 2,09 bilhões ao e-commerce nacional.

Para 2020, o cenário sugere ainda mais crescimento. No início do ano, a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico estimava uma alta de 18% nas vendas em relação a 2019. Depois de considerar os primeiros impactos causados pela pandemia, a projeção aumentou: 23%.

Só os presentes não bastam

Os números animadores para o comércio eletrônico significam, por outro lado, que a competição no setor também deve ser forte. Como sempre acontece em uma situação como essas, as marcas que melhor souberem lidar com as demandas e comportamentos do público sairão com vantagem.

Engana-se quem pensa que basta oferecer o melhor produto para cativar o público, até porque a variedade na internet é imensa. É preciso compreender exatamente o que o cliente espera de uma experiência como essa e, a partir disso, gerar valor para a jornada de compra.

Um levantamento do Google questionou aos consumidores sobre quais fatores os motivariam a comprar o presente de Dia dos Pais pela internet. Cerca de 22% atribuíram a decisão à disponibilidade do produto na loja, 21% citaram as condições de pagamento e outros 23% valorizam a opção de buscar na loja.

O que chamou atenção, contudo, foi a importância dada às condições de frete: 35% dos respondentes falaram que taxas de entrega grátis/baratas seriam a motivação necessária, enquanto 24% apontaram o prazo do frete.

Sendo assim, a tendência é que, ao decidir pela compra na internet, o público dê preferência às empresas que oferecem benefícios além do produto em questão. Isso evidencia a relevância de boas práticas de Marketing Digital, a fim de se comunicar com a audiência e passar a mensagem de forma clara.

É necessário quebrar com estereótipos

Uma das premissas para o sucesso no Marketing Digital é o alinhamento com o perfil do consumidor moderno. Segundo definição de Philip Kotler, especialista na área, o público atual valoriza empresas que seguem uma série de práticas, das quais destacamos duas: personalização da experiência e humanização da marca.

O cliente espera ser enxergado como algo mais do que uma mera oportunidade de lucro, logo, quer que a jornada de compra seja otimizada de acordo com suas preferências. Além disso, espera que as marcas com que se relaciona reflitam seus próprios valores e visão do mundo.

É aí que muitas empresas acabam errando. O velho estereótipo de figura paterna, há muito tempo explorado pela publicidade, já está longe de ser unanimidade.

Quem está dizendo isso são os próprios pais: segundo o Google Survey, só 35% deles se veem representados pela figura projetada em muitos anúncios, que sugerem o pai como uma figura marcada pela masculinidade e pela pouca participação na criação dos filhos.

Essa mudança fica ainda mais evidente quando a pesquisa questiona as características que os pais gostariam de ver representadas em propagandas. Dos entrevistados, 38% apontaram os cuidados diários com os filhos, 30% citaram o protagonismo na criação e 28% chamaram atenção para os medos e obstáculos da paternidade.

O desafio em esforços de marketing para o Dia dos Pais é, portanto, deixar para trás a imagem tradicional que, outrora, foi propagada como universal. 17% dos que responderam à pesquisa, aliás, também falaram sobre a quebra do estereótipo família tradicional, formada por pai, mãe e filho.

Se alguém ainda duvida do potencial da quebra de estereótipos, a Natura ofereceu um exemplo e tanto em sua campanha para o Dia dos Pais. A peça publicitária protagonizou Thammy Miranda, que é um homem transexual, e até chegou a gerar críticas, mas a repercussão positiva foi muito maior.

No mesmo dia em que lançou a campanha, a organização observou suas ações subirem 6,73% no Ibovespa.

O Dia dos Pais é uma data que sempre gera grande expectativa no público consumidor. Para aproveitar essa oportunidade, uma empresa precisa entender bem as demandas e características do comprador, oferecendo experiências digitais rápidas e rompendo com valores ultrapassados.

Exemplos como o da Natura chamam atenção para a importância da diversidade. Contudo, não basta pregar a inclusão em campanhas publicitárias, é preciso aplicá-la na prática.

Publicações relacionadas
Artigos

Compaixão e liderança vão bem juntas?

Artigos

A Mídia Out-Of-Home durante o coronavírus

Artigos

Nas estratégias de marketing, em que pé está o vídeo?

Artigos

O que sua empresa ganha com eventos patrocinados online