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A Teoria do Cisne Negro aplicada ao coronavírus

Coronavírus e a Teoria do Cisne Negro

2020 não poderia nos surpreender mais. O novo ano deu seu pontapé inicial com a epidemia de um vírus até então desconhecido, surpreendendo países como a China, Itália e Estados Unidos. Sistemas de saúde estão sobrecarregados, grandes eventos vêm sendo cancelados e fábricas mudam suas rotinas para dar conta da demanda de álcool gel e máscaras faciais.

O grupo LVMH, que controla marcas como a Louis Vuitton, anunciou que suas divisões de cosméticos serão usadas para produzir o produto e distribuí-lo na França. Já a fábrica francesa Kolmi Hopen, que produz 170 milhões de máscaras por ano, produziu meio bilhão do novo commodity na última semana, diante do fechamento das fábricas chinesas.

Estima-se que de 20% a 60% dos adultos no mundo estejam infectados com o novo coronavírus Sars-Cov-2, vírus responsável pela doença Covid-19, como aponta um levantamento de Harvard. Diante do grande risco, nota-se algumas posturas um tanto irresponsáveis. Adultos que estão fora do grupo de risco e não tomam as devidas precauções tornam-se potenciais vetores para os mais vulneráveis, enquanto outras pessoas estocam produtos, sem se preocupar em garantir recursos para o coletivo.

Para cobrar uma postura das autoridades e alertar a comunidade, é possível pensar na relação entre o coronavírus e a Teoria do Cisne Negro. Mas o que seria essa Teoria e como ela nos ajuda a compreender essa pandemia?

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A Teoria do Cisne Negro

A Teoria do Cisne Negro descreve um acontecimento inesperado e raro com grandes ramificações. Esse tipo de evento é quase impossível de prever e é, portanto, dificilmente mitigável. Contudo, se visto com um certo distanciamento, ele parece óbvio e inevitável.

O termo se popularizou quando, em 2007, o professor de finanças Nassim Nicholas Taleb o usou no livro “The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable” (“O Cisne Negro: o impacto do altamente improvável”, em tradução livre).

Mas a sua origem é bem mais antiga: até 1697, as crianças inglesas aprendiam que todos os cisnes eram brancos. Isso caiu por terra quando o explorador holandês Willem de Vlamingh encontrou cisnes negros em uma de suas aventuras pela Austrália. 

Os economistas hoje usam essa metáfora para se referir ao fato de que não é só porque um fato não aconteceu que ele não acontecerá. Em seu livro, Taleb afirma que os “eventos Cisne Negro” são impossíveis de prever, mas têm consequências catastróficas. Por isso, é melhor que as pessoas assumam que eles podem acontecer e se preparem devidamente para isso o quanto puderem. A questão é que, embora o coronavírus tenha nos pego de surpresa, seus impactos não são tão imprevisíveis assim.

Coronavírus e a Teoria do Cisne Negro

Em 12 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de pandemia do novo coronavírus. A doença leva cerca de 5 dias para manifestar os sintomas característicos, o que faz com que a transmissão seja acelerada. Adultos que não tomam as devidas precauções se tornam potenciais vetores para os mais vulneráveis. Pessoas estocam produtos como álcool gel e máscaras, usando-os em benefício próprio, sem se preocupar com o bem-estar coletivo.

Nos mercados financeiros, essa preocupação é refletida em quedas na bolsa e comportamentos que nos remetem à crise de 2008. Economistas e organizações internacionais alertam para a desaceleração da economia e para os riscos de uma recessão. 

Ambientalistas, por outro lado, apontam para a redução das taxas de CO² devido às paralisações nas fábricas. Eles argumentam que a crise provocada pela Covid-19 nos mostra que podemos agir de maneira rápida e repensar nossas rotinas também para conter o colapso climático — a estimativa é que a concentração de gases poluentes esteja pelo menos 25% menor se comparada ao mesmo período de 2019.

“Quem iria imaginar que seríamos afetados por uma pandemia como o coronavírus?”. É com esse tipo de indagação retórica que muitos gestores e governantes se esquivam das responsabilidades e ações que precisam ser tomadas. Contudo, a Teoria do Cisne Negro não pode ser utilizada para evitar os devidos procedimentos. 

A Sequoia Capital, uma das maiores empresas de capital de risco do mundo e autora de um periódico importante para investidores, alertou empreendedores em todo o mundo para que eles cortem custos, façam novas previsões de vendas e ativem a economia de caixa.

A mesma empresa alertou autoridades para o fato de que a recuperação pode ser mais lenta do que a que tivemos para a crise econômica de 2008. O Airbnb, por exemplo, viu uma declínio de aproximadamente 80% de seus negócios na China, já que seus clientes estão cancelando as reservas no país.

Para as empresas, contudo, as mudanças trazidas pelo regime de distanciamento social trazem mudanças no fluxo de caixa, mas também oportunidades para repensar rotinas. Um artigo de Greg Petro para a Forbes levantou o potencial de sistemas de educação virtual e de ferramentas de home office neste cenário.

Além da implementação de ferramentas como o Slack, Monday e Zoom, acelerando a transformação digital em muitas instituições, as empresas também precisam zelar pelo bem-estar de seus colaboradores, que podem se sentir ansiosos ou menos produtivos quando isolados em casa.

O que fazer em um cenário de Cisne Negro 

Segundo reportagem do Nexo, 40 milhões de adultos serão afetados pela Covid-19 somente nos Estados Unidos. Esse cenário pode provocar pânico em muitas pessoas. Afinal, não existem vacinas ou tratamentos específicos para os que ficarem doentes.

Diabéticos, hipertensos, idosos e quem tem insuficiência renal ou doenças respiratórias crônicas precisam tomar cuidado redobrado, pois pertencem aos grupos de risco, como apontam relatórios OMS. Isso não significa que não possamos fazer nada.

Como profissionais de saúde e autoridades de saúde pública alertam, é preciso agir rapidamente (e de maneira eficiente) para reduzir a transmissão do Sars-Cov-2 em um período muito curto de tempo. Com as devidas medidas de proteção, o número de infecções pode reduzir drasticamente, de modo que os sistemas de saúde dos países deem conta da demanda. Consequentemente, com essas precauções, as mortes por Covid-19 podem ser reduzidas de maneira significativa. 

Para achatar a curva de transmissão e garantir que profissionais de saúde estejam disponíveis, as autoridades recomendam uma estratégia antiga: os períodos de quarentena ou distanciamento social. Isso significa evitar grandes reuniões e aglomerações e manter uma distância física de aproximadamente dois metros. Pelas redes sociais, crescem os movimentos em torno do slogan “stay home” (“fique em casa”).

Esses procedimentos provocam grandes alterações na maneira como conduzimos nossas rotinas. Empresas em todo o mundo implementam ou reforçam suas políticas de home office. Palestras e workshops são cancelados ou transmitidos online. 

É hora, portanto, de manter a calma e pensar no bem-estar coletivo. A imprevisibilidade dos acontecimentos não pode ser uma desculpa para não agirmos de maneira responsável. Especialistas em saúde pública em todo o mundo estão engajados na tarefa de coletar dados confiáveis e divulgá-los para que laboratórios de pesquisa, agências e profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas possam agir em tempo hábil.

Quanto mais nos informarmos com fontes confiáveis, seguindo os procedimentos de segurança recomendados por especialistas, mais temos chances de achatar a curva de transmissão, dando mais tempo para que os sistemas de saúde atendam aos pacientes necessitados e reduzam os riscos para os mais vulneráveis.

Além dos procedimentos em relação à saúde pública, é também importante que as pessoas se atenham às dinâmicas para manutenção de suas comunidades. Além de oferecer auxílio aos idosos, é preciso prestar apoio aos trabalhadores autônomos e pequenos negócios, que sentirão fortemente os impactos das dinâmicas de distanciamento social.

O coronavírus e a Teoria do Cisne Negro nos oferecem uma lição preciosa: embora o desconhecido nos desperte incertezas é preciso manter uma postura de cautela. Com informações confiáveis, podemos agir de maneira responsável, reduzindo os impactos da pandemia e oferecendo recursos para que as autoridades ajam pela saúde pública. Esse é o momento de empresas, gestores, autoridades públicas e cidadãos demonstrarem sua capacidade de agir pelo coletivo, independente do nível de insegurança que se apresenta no horizonte.

Uma das maneiras de fazer isso, é garantir o trabalho remoto para os colaboradores.

Mantenha-se atualizado sobre a pandemia e aprenda a evitar o contágio:

BBC
The New York Times
Agência Nacional de Saúde Suplementar
Ministério da Saúde
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