Transformação Digital Siderugica

É hora da indústria siderúrgica se inovar digitalmente

A indústria de metais está em uma encruzilhada. Ele enfrenta demanda global decrescente, interrupções no fluxo de comércio, ampliação das lacunas de habilidades da força de trabalho e diminuição da qualidade dos recursos. Esses desafios prejudicaram os lucros e reduziram os investimentos de capital.

Nesse cenário é preciso que a indústria de metais esteja pronta para a mudança — e a transformação digital está liderando o caminho.

A digitalização é muito mais do que somente usar a manutenção preditiva para automatizar os processos maquinários. Trata-se de inovar a técnica e criar novos modelos de negócios.

Fórum Econômico Mundial prevê que, até 2025, a transformação digital criará mais de US $ 425 bilhões em valor para a indústria de mineração e metais. Portanto, as empresas que começarem desde agora estarão em melhor posição para capitalizar essa criação de valor.

Entenda o cenário e conheça cases de sucesso de quem está apostando na inovação.

O futuro da indústria siderúrgica

A demanda não está desaparecendo. A sociedade precisará de aço e outros materiais básicos para atender aos requisitos essenciais e facilitar o desenvolvimento econômico e social. E os profissionais sabem que as batalhas de substituição de materiais fazem parte da indústria siderúrgica.

No entanto, a novidade é o número de novos materiais e tecnologias que estão surgindo, bem como a velocidade com que os mercados estão sentindo os impactos da mudança. Para sobreviver nessa realidade, o aço deve continuar a criar produtos mais leves e duradouros, o que significa menos demanda em termos de volume.

À medida que a indústria e os consumidores buscam reduzir o consumo de recursos finitos e as emissões de gases de efeito estufa por meio da reutilização, as indústrias sustentáveis diminuirão a intensidade do aço em suas aplicações.

Segundo a Accenture, sob condições de economia circular “agressivas”, o crescimento da demanda pode cair para apenas 0,4% ao ano, com a demanda total chegando a apenas 1,63 bilhão de toneladas em 2035, o que é quase 13% abaixo da previsão incremental de 1,87 bilhão de toneladas.

 

crescimento do aço

O cliente no centro é essencial, mas não o suficiente

Durante a última década, muitos players da indústria siderúrgica tornaram-se mais centrados no cliente. Essa mudança representa novos modelos operacionais e culturas impulsionas pela produção.

Esse é certamente um desenvolvimento positivo. No entanto, a centralização no cliente não é um antídoto para o crescimento lento da demanda, quando os clientes de hoje podem desaparecer amanhã, à medida que novas opções surgem no mercado.

A economia circular romperá e, em alguns casos, até eliminará — cadeias de valor inteiras. Essa ruptura já está começando a ocorrer no setor automotivo, que, de acordo com a análise da Accenture Strategy, representa apenas 15% da demanda global de aço.

Afinal, com o compartilhamento de carros, o setor automotivo já está sendo completamente transformado. No que teria sido uma jogada inimaginável até cinco anos atrás, a General Motors (GM) entrou no negócio de compartilhamento de carros em 2016.

A empresa lançou um serviço de compartilhamento de carros que atende às expectativas dos clientes de serviços móveis sob demanda enquanto fornece à GM uma nova fonte de receita e um uso produtivo de seu inventário.

Portanto, quando combinado com novos projetos e materiais automotivos, o impacto sobre a demanda global de aço será severo e é preciso educar o mercado e engajar as pessoas para manter um contato relevante.

As grandes tendências para a indústria siderúrgica

Stefan Koch, líder global de metais na unidade de negócios da indústria de produtos na SAP, falou recentemente sobre o futuro da indústria de metais no podcast de tecnologia de conversação SMAC .

Koch abordou as três principais formas da digitalização mudar a indústria.

  • a aprendizagem de máquina simplificará os processos de produção e otimizará as operações;
  • a realidade virtual (VR) permitirá operações virtuais, criando novos modelos de negócios;
  • o blockchain permitirá o rastreamento de material verificado para compras, como aço verde (reciclado).

Juntas, essas tecnologias podem afetar tudo, desde a extração até a produção e as vendas.

1. Aprendizagem de máquina 

Máquinas inteligentes não são uma novidade na indústria de metais. Algumas já contam com dados de sensores para monitorar o desempenho da máquina e maximizar o tempo de atividade.

Porém, no futuro, tudo terá que ser aplicado em conjunto e trabalhado de forma integrada.

A aprendizagem de máquina permitirá que as empresas façam mais com seus dados, otimizando tudo, desde o fornecimento de materiais até o processamento de ajustes. Com isso, a empresa poderá usar o aprendizado de máquina, por exemplo, para eliminar ou automatizar processos redundantes, como o faturamento.

Com essa tecnologia será possível “olhar para o futuro” e prever resultados de qualidade até a menor variação. Os produtores poderão pré-atribuir produtos a clientes específicos, entregando maior valor e aumentando a satisfação do cliente.

2. Realidade virtual

As empresas metalúrgicas do futuro ainda possuem depósitos físicos? No podcast, Koch observa que algumas empresas de metal já estão se afastando da propriedade de ativos. Essas empresas estão “contratando produção, recursos, logística e materiais” em uma tentativa de controlar a cadeia de valor.

Considere, por exemplo, um negócio que compartilhe tarefas com fornecedores em outros países. Essa empresa poderia usar contatos de realidade virtual para permitir o reparo e o controle. Ela também poderia usar a realidade virtual para trocar ou integrar dados, aumentando a colaboração em toda a cadeia de valor.

Koch também prevê que a realidade virtual terá um papel importante na dinamização da operação remota da usina.

3. Blockchain

Um blockchain mantém o registro histórico de todos os dados. Como esse registro é independente de uma autoridade central, ele é inerentemente resiliente.

Os algoritmos permitem a verificação contínua e a calibração de validade. Assim, o Blockchain pode então fornecer validação de transação essencial e verificação de pureza, garantindo a autenticidade.

Koch prevê que a indústria metalúrgica usará blockchain para “fornecer maneiras mais rápidas de autenticar materiais”. Na indústria de reciclagem, por exemplo, nem todas as partes envolvidas se comunicam entre si todos os dias.

A falta de uma cadeia de fornecimento com um loop fechado cria desafios de autenticação. Na verdade, Koch caracteriza a cadeia de fornecimento de reciclagem de metais atual como “uma lista bastante aleatória de parceiros que interagem em um longo período de tempo.” Blockchain resolve este desafio, oferecendo uma garantia de autenticidade imutável em cada etapa.

Gerdau: um case de sucesso brasileiro

A Gerdau é um grande exemplo de case de sucesso de transformação digital na indústria siderúrgica. A empresa está utilizando a tecnologia para mudar totalmente os processos e melhorar a tomada de decisão.

Para isso, estão usando da realidade virtual, inteligência artificial e aplicativos que automatizam processos, reduzem o tempo das atividades e auxiliam a equipe com uma unificação dos dados.

Com a Indústria 4.0, foi possível não somente integrar dados, mas também treinar os funcionários usando um óculos e usar softwares que se comunicam com as máquinas da fábrica.

Para divulgar o novo posicionamento da indústria, eles estão usando a hashtag #açodigital e investindo em conteúdos em vídeo.

Com isso, a empresa segue na liderança desse mercado quando falamos de inovação.

Quer conhecer um pouco mais sobre as aplicações da 4ª revolução industrial no Brasil? Confira esse artigo completo sobre o tema.