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Treino em casa é saída para consumidores e empresas

Treino em casa

Academias fechadas ao redor do mundo por conta da pandemia do novo coronavírus. Essa é uma realidade impossível de ser alterada momentaneamente, mas isso não significa ser necessário ficar parado. O treino em casa é a solução que muitas pessoas têm encontrado para se manterem ativas e saudáveis. O modelo não é novo; porém, passa por algumas atualizações.

Ao mesmo tempo em que as pessoas têm conseguido superar as dificuldades que fechar as academias impõe, esses estabelecimentos têm se reinventado. Da mesma forma, personal trainers e profissionais do segmento estão usando os recursos digitais para não deixarem de oferecer seus serviços, ainda que a distância e adequados às limitações existentes.

O que agora é a única saída talvez possa ser o início de uma tendência. As diversas adaptações obrigatórias nas rotinas podem ser um ponto de reflexão acerca de possíveis mudanças de hábitos em um futuro pós-pandemia. Por isso, é essencial entender melhor sobre os treinos dentro de casa, como o mercado tem explorado essa possibilidade e o que esperar em longo prazo.

Além de escritório, a casa também é academia

Exercícios em casa não são uma novidade. Para quem não lembra, as aulas em VHS e em programas de televisão foram um sucesso na década de 1990, especialmente nos EUA. O que, à época, era algo moderno, volta em um momento no qual as academias estão fechadas. Se casas são escritórios, cinemas e salas de aula, também podem ser academias.

A necessidade de realizar todas as atividades diárias dentro do próprio lar demanda adaptações e traz limitações, mas é assim que se pode encarar o coronavírus com o menor impacto possível. Historicamente, talvez seja o momento em que as pessoas têm mais recursos à disposição para manter suas atividades físicas sem precisar interromper um ciclo saudável já estabelecido.

Mercado de home fitness cresce mais e mais

Há duas perspectivas que precisam ser abordadas quando o assunto é o mercado fitness: quem atuava presencialmente precisou se adaptar, enquanto quem já tinha a proposta remota está em um momento de crescimento. Profissionais de educação física, academias e empresas fabricantes de materiais e de equipamentos compõem o grupo de elementos que pode aproveitar o momento.

Digital é a saída para profissionais e academias

Professores e personal trainers têm buscado as redes sociais, como o Instagram, com o objetivo de manter seu trabalho relevante. Eles usam planos de treinos, consultorias online e lives como os principais mecanismos para continuar com seus trabalhos e ainda se promover. É uma oportunidade de começar um engajamento que pode ser valioso no futuro.

Esses profissionais, conquistando uma audiência neste momento, podem construir relevância no mercado e, assim, gerar clientes. Conteúdos gratuitos mixados com aulas pagas exclusivas são uma forma de, ao mesmo tempo, promover seu trabalho e manter sua atividade profissional e faturamento, algo fundamental.

O digital também tem sido plataforma para empresas que viram a oportunidade de crescer por meio desse ambiente. Uma prova é o app chinês Keep, voltado ao treino em casa. Só em 2020, a empresa faturou US$ 80 bilhões, graças à adesão em massa ocasionada pelo isolamento social.

Outra empresa de grande relevância no mercado fitness é a Gympass, plataforma que conecta clientes a academias conveniadas aos seus planos. A necessidade de reinventar seus serviços em meio a tantos estabelecimentos fechados resultou em uma plataforma digital repensada. O app Gympass Wellness, que já existia antes, agora agrega as milhares de aulas atualizadas regularmente.

Na mesma direção, grandes academias têm compartilhado ainda mais material de aulas em seus aplicativos, gerando conteúdos gratuitos e exclusivos aos alunos. Impedidas de abrir portas, elas precisaram se adequar para não deixar os alunos na mão, mas também para não lidar com um aumento na rescisão de matrículas.

Venda de equipamentos e aparelhos cresce

As fabricantes e distribuidoras de equipamentos e aparelhos voltados a treinos e exercícios também têm passado por um crescimento de destaque. Afinal, as pessoas que adotaram o treino em casa precisam de aparatos básicos, como pesos, colchonetes de exercício, esteiras, bicicletas, elásticos e o que mais puder compor uma rotina de atividades.

Nos EUA, entre janeiro e março, a venda de equipamentos do mercado fitness cresceu 55%, enquanto, no Brasil, esses números aumentaram até 10 vezes. Para companhias do setor, é uma oportunidade incrível de seguirem relevantes e faturando, alcançando públicos mais amplos, deixando de vender apenas a academias e tendo pessoas físicas, praticantes de exercícios, como clientes.

Necessidade ou tendência?

O questionamento é válido, e a resposta é simples: ambos. Atividades físicas são parte da rotina de milhares de pessoas e, no Brasil, a parcela dos que praticam exercícios ao menos 5 vezes na semana, por pelo menos 30 minutos, chegou aos 38,1%, segundo o Ministério da Saúde. Mais do que uma questão de saúde física, exercícios também beneficiam a mente.

Enquanto a necessidade é algo evidente, a questão da tendência propõe reflexões um pouco mais profundas. Atualmente, o treino em casa é uma realidade, assim como já foi em outros momentos da história. Porém, é importante abordar o que motivaria essa modalidade a se manter relevante mesmo depois que a convivência social voltar ao normal.

É difícil precisar se uma alta adesão acontecerá, mas é fácil perceber que as empresas têm investido nesse formato enquanto um mercado realmente de boas expectativas. O que está em construção durante a pandemia pode abrir um legado interessante. Afinal, treinar em casa é uma forma cômoda e adaptável de se manter ativo, mesmo com pouco tempo ou recursos.

Futuramente, o treino indoor pode ser uma alternativa única ou até mesmo complementar às idas às academias. A tendência é que as empresas do segmento saibam perceber as necessidades e as exigências do consumidor ao longo do tempo, para então se manterem relevantes na prestação desse serviço.

Em meio a esse tema, é inevitável pensar em como as rotinas mudarão após a pandemia. Afinal, o que se conhece como normal antes da crise da covid-19 não terá o mesmo padrão futuramente. Por isso, é essencial refletir sobre a repaginação do mundo globalizado.

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