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Empresas de turismo precisam encarar a crise e se preparar para o mundo pós-coronavírus

Turismo durante a crise

A pandemia do novo coronavírus está impactando a economia mundial como um todo. Alguns especialistas passaram a usar a expressão “depressão econômica” para falar sobre o que poderá acontecer. Mas, ainda que não se saiba quando tudo isso vai acabar, é certo que um dia a covid-19 será controlada. O setor de turismo, durante a crise, deve se preparar para o mundo pós-coronavírus.

Afinal de contas, a projeção é de que o comportamento dos viajantes e a própria maneira de a indústria operar não serão mais os mesmos. Portanto, é preciso olhar para frente e planejar a gestão do negócio para quando o mundo voltar ao normal — que provavelmente não será mais o normal que conhecemos hoje.

Turismo sofre muito com novo coronavírus

A crise atinge o setor de turismo como um todo, incluindo não só as viagens de lazer, mas também o turismo de negócios, como feiras e eventos, responsável por movimentar altas cifras todos os meses.

Na Itália, um dos países mais afetados pelo novo coronavírus, já há, pelo menos, 11 cidades isoladas. No final de março, os tripulantes de um voo da companhia aérea American Airlines, que faria a rota entre Nova York e Milão se recusaram a decolar, porque estão com medo da covid-19. A Latam já não está fazendo mais o trecho de São Paulo para a cidade italiana, procurando minimizar a disseminação da doença por aqui.

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A situação é bastante delicada para as companhias aéreas. Em 31 de março, Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos), que representa as 290 maiores organizações do setor, ilustrou o cenário atual do mercado em uma teleconferência.

Segundo Juniac, a conjuntura ainda é grave. Já é esperada a redução de cerca de U$ 252 bilhões em 2020, em comparação a 2019, o que representa uma perda líquida de U$ 39 bilhões no segundo trimestre desse ano.

O Salão do Automóvel de Genebra, considerado o mais tradicional do setor, abriria as portas da sua 90ª edição no dia 5 de março, mas isso não aconteceu. A feira de negócios foi cancelada já com diversos stands montados, mas o governo da Suíça optou por não permitir que mais de 600 mil pessoas circulassem no salão.

A ProWein, maior feira de vinhos do planeta, que também seria realizada em março na Alemanha, teve que ser adiada. Eram esperados mais de 61,5 mil visitantes em Düsseldorf. A gigante Alphabet, que controla o Google, também decidiu suspender sua conferência anual de programadores, que aconteceria no mês de maio, na Califórnia — isso porque os Estados Unidos são o novo epicentro da crise do Sars-CoV-2.

O que as empresas têm feito sobre a crise

A Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens) tem repassado às instituições da área os dados oficiais mais relevantes a respeito da pandemia. O objetivo é munir as empresas de informações verdadeiras, para que elas sejam passadas aos consumidores.

Segundo a Abav, as agências de turismo estão realizando o atendimento aos passageiros que não querem correr o risco de viajar agora, ou mesmo que não estão autorizados a adentrar em seus destinos, já que existem muitas restrições ao acesso de visitantes ao redor do mundo.

Além do mais, as viagens terrestres locais também estão suspensas de certa forma, pois em muitos estados foi decretado o fechamento de hotéis e pousadas durante o período de quarentena — sem contar os parques, praias e demais pontos turísticos que foram fechados para visitas.

Pós-coronavírus tudo vai melhorar?

Embora o setor do turismo estime prejuízos na ordem de 24 bilhões de dólares, os players da área enxergam um cenário favorável no pós-crise. Quando o mundo se recuperar da pandemia, o mercado de hospitalidade voltará com muita força.

Acredita-se que a partir do momento em que os voos nacionais e internacionais forem normalizados, as atrações turísticas reabertas e o comércio em geral retomar suas atividades, as pessoas sentirão muita vontade de viajar.

E não só viagens aéreas estarão nos planos dos turistas. Os roteiros para destinos próximos, dentro do próprio estado de residência, por exemplo, estarão entre as opções escolhidas para passear.

Mesmo porque, no início, poderá haver um receio por parte dos viajantes em ir para longe de casa, já que a volta de muitos cidadãos para seus países de origem foi bastante complicada com as medidas de quarentena sendo endurecidas diariamente no auge do combate ao novo coronavírus.

O sentimento que a indústria do turismo prevê é o de valorização do empreendedor local. Depois de ficarem semanas ou até meses dentro de casa, o ser humano buscará uma ligação mais autêntica nos seus hábitos de consumo.

Um impacto positivo de toda essa crise tem sido visto na natureza. É o caso dos canais de Veneza, que sem os navios turísticos circulando, voltou a ter águas limpas. Inclusive, peixes e golfinhos passaram a nadar por lá. No mundo pós-coronavírus, espera-se uma exploração mais inteligente dos recursos naturais limitados do nosso planeta.

Ou seja, um turismo mais consciente ambiental e socialmente, apoiando as comunidades locais e preservando o ecossistema. O foco é ser economicamente viável, sem prejudicar o meio ambiente, fazendo com que “destinos verdes” fiquem no topo da lista de escolha dos turistas.

Outra mudança esperada para o setor de viagens envolverá países como Singapura e a Coreia do Sul. Eles implementaram políticas de saúde pública bem-sucedidas no combate ao coronavírus, portanto é provável que passem a atrair mais viajantes do que antes, dado que serão considerados relativamente seguros e limpos.

O turismo durante a crise do novo coronavírus está se preparando para a reinvenção. E essa será uma prática a ser adotada daqui para frente para quem quiser continuar de portas abertas. Será preciso entender o novo comportamento do consumidor para agregar valor aos serviços prestados. Enquanto isso, os pacotes econômicos desenhados pelos governos ao redor do mundo são um paliativo para dar fôlego às companhias da indústria de viagens.

Para saber mais informações sobre as preocupações, desafios e soluções de comunicação para instituições no mundo ainda mais globalizado depois da pandemia, saiba o que 7 líderes de marketing falam sobre o futuro pós-coronavírus no Brasil.

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